O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou um novo mapa-múndi que reposiciona o Brasil no centro do globo, desafiando convenções cartográficas tradicionais. A iniciativa, lançada em 2025, reflete a crescente relevância do país em fóruns internacionais, como a presidência do Brics e do Mercosul, além da realização da COP 30. A projeção, que também inverte a perspectiva com o Sul global no topo, gerou debates intensos e esgotou rapidamente em sua primeira tiragem. Disponível por R$ 10 no formato A3, o mapa já é um marco na cartografia nacional.
A produção do mapa-múndi ocorre em um momento estratégico, com o Brasil liderando discussões globais sobre sustentabilidade e geopolítica. O projeto, segundo o IBGE, busca destacar a visão do Sul global, enfatizando países do Brics, Mercosul e nações de língua portuguesa. O lançamento coincide com o Triplo Fórum Internacional da Governança do Sul Global, previsto para junho em Fortaleza. A seguir, alguns pontos centrais do novo mapa:
- Marcações dos países do Brics, Mercosul e CPLP.
- Destaque para o bioma amazônico.
- Indicação de cidades como Rio de Janeiro (capital dos Brics), Belém (COP 30) e Ceará (Triplo Fórum).
A comercialização do mapa começou em maio de 2025, com descontos de 30% para compras presenciais no Rio de Janeiro. A alta demanda levou o IBGE a planejar novas tiragens e formatos ampliados, como A0 e A1.
Origem do projeto
O mapa-múndi foi inicialmente apresentado em 2024, durante um evento na Casa G20, no Rio de Janeiro, quando o Brasil assumiu a presidência do grupo. A edição de 2024, que também colocava o Brasil no centro, esgotou em menos de 24 horas, com mais de 2 mil pedidos nas primeiras horas. A versão de 2025, no entanto, introduz a perspectiva invertida, com o Sul no topo, inspirada em obras como o mapa de Joaquín Torres-García, de 1943. Maria do Carmo Dias Bueno, diretora de geociências do IBGE, destacou que a projeção reflete uma visão socioeconômica do mundo, alinhada aos interesses do Sul global.
A escolha de reposicionar o Brasil no centro gerou reações mistas. Nas redes sociais, o mapa de 2024 foi chamado de “lacração geográfica” por críticos, enquanto outros o consideraram um “ícone decolonial”. A edição de 2025 intensificou o debate, com internautas discutindo desde a precisão cartográfica até o simbolismo político. Apesar das polêmicas, o IBGE mantém que a projeção é tecnicamente válida, já que a Terra, como um geoide, não possui um centro fixo.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, defendeu a iniciativa, afirmando que o mapa estimula reflexões sobre o papel do Brasil em um mundo em transformação. Ele entregou a primeira edição de 2024 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando o caráter simbólico do projeto. A produção do mapa segue padrões técnicos, utilizando uma projeção mista que equilibra distorções de forma, tamanho e ângulos, diferente das projeções tradicionais como Mercator ou Gall-Peters.
Características técnicas
A nova versão do mapa-múndi apresenta detalhes que o diferenciam de representações tradicionais. A projeção invertida reposiciona os continentes, com o Hemisfério Sul ocupando a parte superior. O Oceano Pacífico ganha maior destaque em relação ao Atlântico, o que altera a percepção espacial dos continentes. O IBGE optou por manter as coordenadas geográficas fixadas em 1884, com o meridiano de Greenwich como referência, garantindo compatibilidade com padrões internacionais.
O mapa inclui informações específicas sobre o Brasil, como:
- População estimada.
- Área territorial.
- Representações diplomáticas em mais de 100 países.
- Países do G20, Brics e Mercosul destacados.
- Cidades brasileiras ligadas a eventos internacionais, como Belém e Fortaleza.
A escolha de uma projeção mista, segundo especialistas do IBGE, reduz distorções em áreas próximas ao Equador, beneficiando a representação do Brasil. No entanto, países como Rússia e Austrália aparecem divididos nas bordas, o que gerou críticas de internautas que apontaram um “corte” nos territórios. A coordenadora Maria do Carmo Bueno explicou que tais ajustes são inevitáveis em mapas planos, já que a curvatura da Terra impede representações perfeitas.
Comercialização e demanda
A venda do mapa-múndi começou em abril de 2024, com o formato A3 a R$ 10, mas a alta demanda levou ao esgotamento rápido do estoque. Em 2025, o IBGE relançou o mapa com a perspectiva invertida, mantendo o preço acessível. A loja virtual do instituto registrou picos de acesso, e a livraria física no Rio oferece descontos para compras presenciais. O mapa está disponível em português e inglês, ampliando seu alcance para públicos internacionais.
Os formatos A0 (118,9 x 84,1 cm) e A1 (84,1 x 59,4 cm) serão lançados até o final de 2025, atendendo a pedidos de escolas e instituições. A comercialização ocorre em um momento em que o Brasil se prepara para a COP 30, em Belém, e o Triplo Fórum, no Ceará. O IBGE também planeja distribuir o mapa em prédios públicos e militares, onde sua presença será obrigatória, assim como outros símbolos nacionais.
A demanda pelo mapa reflete seu impacto cultural. Em 2024, o influenciador Felipe Neto anunciou a compra do mapa, incentivando seguidores a adquiri-lo. Postagens no X destacaram o preço acessível, embora o frete, em alguns casos, supere o valor do produto. A popularidade do mapa também gerou memes, com internautas brincando sobre o Brasil “no centro do universo” ou criticando a divisão de outros países nas bordas.
Reações nas redes sociais
A divulgação do mapa-múndi de 2024 já havia gerado debates acalorados, e a edição de 2025 ampliou a repercussão. Usuários do X dividiram-se entre elogios à iniciativa, que consideram uma ruptura com o eurocentrismo, e críticas à projeção, vista por alguns como nacionalista. Postagens irônicas sugeriram que o mapa colocava Roraima, e não o Brasil, no centro, enquanto outros questionaram a distorção de territórios como a Groenlândia.
Alguns comentários destacaram a relevância geopolítica do projeto:
- Reconhecimento da Palestina como território independente.
- Representação das Ilhas Malvinas como argentinas.
- Alinhamento com parceiros do Brics, como China e Argentina.
- Foco no Sul global como protagonista nas relações internacionais.
Críticas internacionais também surgiram. Páginas nos Estados Unidos e na Europa classificaram o mapa como “errado”, argumentando que a projeção tradicional, centrada no Atlântico, é mais precisa. Especialistas brasileiros, como Rúbia Morato, da USP, rebateram, explicando que toda projeção cartográfica envolve escolhas políticas e distorções inevitáveis. A professora destacou que mapas centrados em outros países, como Japão e China, são comuns e tecnicamente válidos.
Integração com eventos globais
O lançamento do mapa-múndi está alinhado a eventos internacionais que reforçam a liderança do Brasil. O Triplo Fórum, programado para 11 a 13 de junho em Fortaleza, reunirá representantes do Brics, Mercosul e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento discutirá indicadores para desenvolvimento e sustentabilidade na era digital, com o IBGE liderando a produção de dados estatísticos.
A COP 30, marcada para 2025 em Belém, também influenciou o design do mapa. O bioma amazônico, presente em nove países sul-americanos, ganhou destaque na projeção, reforçando o compromisso do Brasil com a agenda ambiental. O Rio de Janeiro, como capital dos Brics, aparece marcado, simbolizando o papel do país no bloco que inclui Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Arábia Saudita e Irã.
O mapa também reflete a política externa brasileira, que prioriza parcerias com o Sul global. A inclusão de Taiwan como território chinês e das Malvinas como argentinas alinha-se às posições do Itamaraty, que defende a soberania de nações parceiras. Essas escolhas, segundo Daniel Buarque, pesquisador da USP, reforçam a estratégia do Brasil de se distanciar de uma visão eurocêntrica nas relações internacionais.
Aspectos educacionais
A nona edição do Atlas Geográfico Escolar, que acompanha o mapa-múndi, foi lançada em 2024 e atualizada em 2025. O atlas, alinhado à Base Nacional Comum Curricular, inclui mais de 200 mapas físicos, políticos e temáticos. A edição destaca territórios quilombolas, a distribuição de indígenas e a cobertura do solo, além de espécies ameaçadas de extinção. QR codes na versão impressa direcionam para gráficos interativos e vídeos na edição digital, disponível no portal do IBGE.
O mapa-múndi com o Brasil no centro será incorporado às salas de aula, incentivando professores a explorar novas perspectivas cartográficas. Sebastian Fuentes, professor de geografia, afirmou que a projeção estimula debates sobre colonialismo e a distribuição global de riquezas. Ele destacou que o mapa não é pioneiro, já que países como Austrália e Nova Zelândia também produzem versões centradas em seus territórios.
A iniciativa do IBGE visa engajar o público jovem. O atlas e o mapa são ferramentas didáticas que apresentam dados estatísticos e geográficos de mais de 180 países, com foco em questões socioeconômicas e ambientais. Escolas públicas já começaram a receber o material, e o IBGE planeja workshops para capacitar professores no uso do novo mapa em atividades pedagógicas.
Simbolismo cartográfico
A decisão de inverter o mapa, com o Sul no topo, remete a reflexões históricas sobre o poder da cartografia. No século XII, o geógrafo Al-Idrisi, do reino da Sicília, produziu mapas com o Sul acima, prática comum na época. O artista uruguaio Joaquín Torres-García, em 1943, propôs uma visão semelhante com sua obra “América Invertida”, que inspirou o IBGE. A frase de Torres-García, “Nosso norte é o Sul”, ecoa no discurso de Pochmann, que vê o mapa como um símbolo de afirmação do Sul global.
A cartografia, como ciência, sempre esteve ligada a disputas de poder. Durante as Grandes Navegações, mapas europeus centravam o mundo no Atlântico, refletindo o domínio colonial. A padronização do meridiano de Greenwich, em 1884, consolidou a influência britânica na cartografia. O IBGE, ao propor uma projeção alternativa, questiona essas convenções, alinhando-se a movimentos de descolonização do conhecimento.
Paulo Protasio, da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, afirmou que o mapa marca uma nova postura brasileira, rompendo com o eurocentrismo. A projeção também destaca a diversidade cultural do Brasil, com referências a comunidades indígenas e quilombolas, integradas ao atlas escolar. O mapa, assim, não é apenas uma ferramenta geográfica, mas um manifesto visual da identidade nacional.
Produção e logística
A impressão do mapa-múndi é realizada por gráficas contratadas pelo IBGE, com rigoroso controle de qualidade. A edição de 2024, no formato A3, foi produzida em larga escala, mas a demanda superou as expectativas, exigindo reimpressões. Em 2025, o IBGE ampliou a tiragem e introduziu a versão em inglês, visando atender a instituições internacionais e eventos como a COP 30.
A logística de distribuição enfrenta desafios. O frete para regiões distantes, como o Norte e o Nordeste, eleva o custo final, o que gerou reclamações de consumidores. Para contornar o problema, o IBGE firmou parcerias com livrarias regionais e planeja pontos de venda em capitais. A livraria física no Rio, localizada na sede do instituto, opera de segunda a sexta, das 10h às 16h, com atendimento por e-mail e telefone para esclarecer dúvidas.
O processo de criação do mapa envolveu geógrafos, cartógrafos e estatísticos. A equipe utilizou softwares avançados de mapeamento e dados atualizados do IBGE, como a população brasileira e a extensão do bioma amazônico. A projeção mista, desenvolvida especificamente para o projeto, levou meses de ajustes para minimizar distorções e garantir clareza visual.
Debate técnico
A escolha de uma projeção mista gerou discussões entre especialistas. A projeção de Mercator, amplamente usada, preserva formas, mas distorce tamanhos, especialmente em regiões polares. A projeção de Gall-Peters, por outro lado, mantém áreas proporcionais, mas altera contornos. O IBGE optou por uma abordagem intermediária, que prioriza a legibilidade e reduz distorções nas regiões tropicais, onde o Brasil está localizado.
Críticas apontam que a divisão de países como Rússia e Austrália nas bordas do mapa compromete a clareza. Ivanilton José de Oliveira, professor da UFG, explicou que tais cortes são comuns em projeções centradas em um único país. Ele destacou que mapas centrados nas Américas, comuns nos Estados Unidos, também fragmentam outros continentes. A projeção do IBGE, segundo Oliveira, é válida para fins educacionais e geopolíticos, mas não substitui mapas globais tradicionais.
A inclusão de informações adicionais, como a população e a área do Brasil, reforça o caráter didático do mapa. Dados do IBGE indicam que o Brasil possui cerca de 203 milhões de habitantes e 8,5 milhões de km², números destacados na legenda. A representação diplomática brasileira, com embaixadas em mais de 100 países, também é um diferencial, ilustrando a influência global do país.
Alinhamento com a política externa
O mapa-múndi reflete a política externa do governo Lula, que prioriza o fortalecimento do Sul global. A entrega do mapa ao presidente, em março de 2024, simbolizou o apoio do IBGE a essa agenda. A projeção destaca o Brasil como um articulador entre nações emergentes, com ênfase em blocos como Brics e Mercosul.
A escolha de marcar a Palestina como território independente e as Malvinas como argentinas gerou elogios de aliados e críticas de países ocidentais. Daniel Buarque, da USP, afirmou que essas decisões reforçam o não alinhamento do Brasil, que busca relações equilibradas com o Ocidente e o Sul global. A inclusão do bioma amazônico também sinaliza o compromisso com a sustentabilidade, tema central da COP 30.
O mapa será distribuído em eventos internacionais, como o Triplo Fórum e a COP 30, ampliando sua visibilidade. Representantes do IBGE planejam apresentá-lo em conferências da ONU e encontros do Brics, reforçando a narrativa de um Brasil protagonista no cenário global.
Popularidade e memes
A viralização do mapa nas redes sociais transformou-o em um fenômeno cultural. Postagens no X ironizaram a projeção, com montagens que colocavam o Brasil “acima de todos” ou exageravam seu tamanho. Outros usuários compartilharam comparações com mapas centrados em outros países, destacando que a prática é comum. A hashtag #MapaMundiIBGE trending topics em abril de 2024 e maio de 2025.
A popularidade do mapa também impulsionou as vendas. A loja virtual do IBGE registrou acessos recordes, e a livraria física no Rio recebeu filas de compradores. O preço acessível, aliado ao simbolismo do projeto, atraiu desde estudantes até colecionadores. O IBGE planeja lançar edições limitadas com acabamentos especiais, como mapas emoldurados, para atender a esse público.
A repercussão internacional foi menor, mas significativa. Portais de notícias nos Estados Unidos e na Europa publicaram análises críticas, enquanto veículos latino-americanos, como o argentino Clarín, elogiaram a iniciativa. O mapa também foi destaque em blogs de cartografia, que debateram sua relevância técnica e política.
Integração com o atlas escolar
O mapa-múndi é parte da nona edição do Atlas Geográfico Escolar, lançado em 2024 e atualizado em 2025. O atlas reúne dados sobre clima, vegetação, demografia e economia de mais de 180 países. A edição de 2025 inclui novos mapas temáticos, como:
- Distribuição de territórios quilombolas.
- População indígena no Brasil.
- Uso e cobertura do solo.
- Espécies ameaçadas de extinção.
- Indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A versão digital do atlas, disponível no portal do IBGE, oferece ferramentas interativas, como gráficos animados e filtros por tema. O acesso gratuito amplia o alcance do material, que já é usado em mais de 10 mil escolas públicas. O IBGE também distribui o atlas em bibliotecas e centros comunitários, com foco em regiões de baixa renda.
O mapa-múndi, como destaque do atlas, será usado em aulas de geografia e história. Professores relatam que a projeção estimula discussões sobre identidade nacional e globalização. O IBGE planeja publicar guias pedagógicos para orientar o uso do mapa em sala de aula, com atividades práticas e questões para debate.
Planejamento futuro
O IBGE anunciou que o mapa-múndi será atualizado anualmente, incorporando novos dados e ajustes técnicos. A edição de 2026 incluirá marcações adicionais, como rotas comerciais do Mercosul e áreas de preservação ambiental. O instituto também estuda versões interativas, com mapas digitais que permitam zoom e personalização.
A distribuição do mapa em eventos internacionais está confirmada. Durante a COP 30, em Belém, o IBGE montará estandes para exibir o mapa e o atlas escolar. O Triplo Fórum, em Fortaleza, terá sessões dedicadas à cartografia, com palestras de especialistas do IBGE e de institutos de estatística do Brics.
A comercialização seguirá em expansão. Além dos formatos A0 e A1, o IBGE planeja lançar mapas em tamanhos menores, como A4, para uso em escritórios e residências. Parcerias com redes de livrarias e plataformas de e-commerce estão em negociação, visando reduzir o custo do frete e ampliar o acesso.
Impacto cultural
O mapa-múndi do IBGE tornou-se mais do que uma ferramenta geográfica. Sua projeção invertida e o foco no Brasil ressoam com movimentos culturais que buscam valorizar identidades locais. Artistas e educadores começaram a incorporar o mapa em projetos, como exposições e aulas sobre descolonização.
A iniciativa também inspirou debates acadêmicos. Universidades, como a UFSM e a USP, realizaram seminários sobre o papel da cartografia na construção de narrativas nacionais. Pesquisadores destacam que o mapa do IBGE é um passo para desconstruir visões eurocêntricas, embora reconheçam os desafios de aceitação em contextos globais.
A popularidade do mapa reflete o interesse do público por símbolos de afirmação nacional. Lojas de souvenirs no Rio de Janeiro e em Belém começaram a vender produtos inspirados no mapa, como camisetas e pôsteres. O IBGE avalia licenciar a imagem para uso comercial, com parte da receita destinada a projetos educacionais.

