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Brasileira enfrenta difamação internacional por italiano em caso de paternidade

italiano Nunzio Bevilacqua
italiano Nunzio Bevilacqua - Foto: Reprodução/Tv Globo

Em um caso que cruzou fronteiras e chocou pela gravidade das acusações, Barbara Zandômenico Perito, uma professora brasileira de Tubarão, Santa Catarina, tornou-se alvo de uma campanha de difamação internacional liderada por seu ex-namorado, o advogado e empresário italiano Nunzio Bevilacqua. A história, que começou como um relacionamento amoroso, evoluiu para um embate judicial marcado por alegações absurdas de seitas satânicas e golpes financeiros. As acusações, amplificadas por uma emissora de TV italiana, geraram indignação e medidas legais no Brasil.

A gravidez de Barbara, confirmada em 2021, foi o pivô das denúncias de Nunzio, que alega ser vítima de uma organização criminosa voltada para extorquir homens europeus. A narrativa, que mistura preconceitos culturais e estereótipos sobre o Brasil, ganhou espaço na imprensa italiana, mas enfrenta resistência no sistema judiciário brasileiro, que já impôs restrições ao italiano.

O caso expõe questões como violência de gênero, difamação transnacional e o impacto de narrativas sensacionalistas na vida de pessoas comuns. A seguir, os principais pontos da controvérsia:

  • Origem do relacionamento e a gravidez de Barbara.
  • Acusações de Nunzio na imprensa italiana.
  • Resposta judicial e medidas protetivas no Brasil.
  • Impacto na vida de Barbara e sua filha.

Início do relacionamento

Em 2021, Barbara Zandômenico Perito, descendente de italianos e professora de português em Tubarão, conheceu Nunzio Bevilacqua, um advogado italiano com negócios no Brasil, quando ele se matriculou em seu curso de idiomas. O que começou como uma relação profissional rapidamente evoluiu para um romance. Após cinco meses de aulas, Nunzio passou a apresentar Barbara como sua namorada, uma atitude que ela achou precipitada, mas acabou aceitando.

O casal viajou pelo Brasil, e durante esse período Barbara descobriu que estava grávida. A notícia foi recebida com entusiasmo por Nunzio, segundo relatos da professora. No entanto, a dinâmica do relacionamento mudou quando ele retornou a Roma, insistindo para que Barbara o acompanhasse. Grávida de sua primeira filha, ela optou por permanecer no Brasil, perto de sua família, decisão que marcou o início das tensões.

Nunzio, de acordo com Barbara, propôs não participar da criação da criança, sugerindo que não a registrasse nem contribuísse financeiramente. A professora rejeitou a ideia, defendendo que a paternidade deveria ser formalizada, com pensão e convivência devidamente acertadas. Esse desacordo foi o estopim para as acusações que viriam a seguir.

Acusações na imprensa italiana

Após a confirmação da paternidade por um teste de DNA realizado em São Paulo, Nunzio Bevilacqua passou a divulgar uma narrativa alarmante na Itália. Ele alegou que Barbara fazia parte de uma seita criminosa no Brasil, dedicada a seduzir homens europeus, engravidar e extorquir dinheiro por meio de pensões alimentícias. A história ganhou destaque em 3 de abril de 2024, quando a RAI, principal emissora de televisão italiana, exibiu uma reportagem sensacionalista.

A matéria, intitulada “Italiano vítima de magia e extorsão no Brasil”, misturava imagens turísticas do país com cenas de cultos religiosos, reforçando estereótipos preconceituosos. Nunzio afirmou que a gravidez de Barbara seria resultado de “orgias e ritos satânicos”, parte de um esquema para produzir “crianças sobrenaturais” destinadas a lucrar com pensões. Ele chegou a mencionar uma denúncia anônima, sem provas, que sustentava suas alegações.

Outros veículos de imprensa italiana também deram espaço às declarações de Nunzio, ampliando a exposição de Barbara. A narrativa incluía acusações contra membros do Ministério Público de Santa Catarina, médicos, políticos e até familiares da professora, todos supostamente envolvidos no esquema. A ausência de evidências concretas não impediu que a história se espalhasse, causando danos à reputação de Barbara.

Resposta judicial no Brasil

Diante das acusações, a defesa de Barbara Zandômenico Perito agiu rapidamente para proteger seus direitos e os de sua filha, hoje com três anos. Um processo criminal foi aberto no Brasil, investigando possíveis crimes de calúnia, difamação e perseguição (stalking) praticados por Nunzio, todos no contexto de violência doméstica e amplificados pela internet.

No início de maio de 2025, a Justiça Federal concedeu medidas protetivas a Barbara, proibindo Nunzio de se aproximar dela ou de seus familiares caso venha ao Brasil, com uma distância mínima de três quilômetros. Ele também está impedido de contatá-la por qualquer meio de comunicação. As medidas refletem a gravidade das ações do italiano, que contratou profissionais para investigar a vida de Barbara, incluindo a invasão de sua residência e a perseguição de seus familiares.

A defesa, liderada pelo advogado Vitor Poeta, argumenta que Nunzio não apenas difamou Barbara, mas também atacou instituições brasileiras, como o Ministério Público e a Igreja Católica, além de desrespeitar os direitos de uma menor de idade — sua própria filha. O processo segue em andamento, com a possibilidade de responsabilização criminal do italiano.

Impacto na vida de Barbara

A campanha de difamação teve consequências profundas na vida de Barbara e de sua filha. Além do impacto emocional, a exposição pública gerou temores pela segurança de ambas, especialmente após a vinda de uma equipe de jornalistas italianos ao Brasil, que filmou Barbara e a criança nas ruas de Tubarão sem consentimento. A publicação dessas imagens intensificou o receio de novas invasões de privacidade.

Barbara continua vivendo em Tubarão, onde mantém sua rotina como professora de português. Ela nunca recebeu apoio financeiro de Nunzio, que se recusa a reconhecer oficialmente a paternidade, mesmo após o teste de DNA. A professora afirma que sua única preocupação é garantir o bem-estar de sua filha, negando categoricamente qualquer envolvimento com seitas ou esquemas criminosos.

Os desafios enfrentados por Barbara incluem:

  • Lidar com a exposição midiática internacional.
  • Proteger sua filha de possíveis represálias.
  • Sustentar a família sem auxílio do pai da criança.
  • Enfrentar o desgaste emocional de um processo judicial prolongado.

Papel da imprensa italiana

A cobertura da RAI e de outros veículos italianos foi criticada por amplificar uma narrativa sem fundamentos, reforçando preconceitos contra o Brasil. A emissora, que não respondeu aos contatos do programa Fantástico, foi acusada de sensacionalismo ao misturar imagens de cultos religiosos com as alegações de Nunzio. A jornalista Roberta Rei, do canal Itália Um, reconheceu que um novo teste de DNA poderia esclarecer a questão, mas a RAI não se manifestou sobre a possibilidade de retratação.

A ausência de rigor jornalístico na cobertura italiana levantou debates sobre a responsabilidade da mídia em casos de difamação. A exposição de Barbara e de sua filha, uma menor de idade, violou princípios éticos do jornalismo, segundo especialistas. A falta de resposta da RAI agrava a situação, deixando Barbara sem reparação pública no contexto italiano.

Medidas protetivas e segurança

As medidas protetivas concedidas pela Justiça Federal representam um passo importante na proteção de Barbara, mas não eliminam os desafios de segurança. A vinda de jornalistas e investigadores contratados por Nunzio ao Brasil gerou episódios de intimidação, como a invasão da casa da professora e a abordagem de seus familiares. Esses incidentes reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da situação.

A proibição de aproximação imposta a Nunzio inclui:

  • Distância mínima de três quilômetros de Barbara e seus familiares.
  • Vedação de qualquer contato direto ou indireto.
  • Restrições aplicáveis em todo o território brasileiro.
  • Possibilidade de prisão em caso de descumprimento.

A Justiça também analisa a possibilidade de novas sanções, dependendo do andamento do processo criminal. A defesa de Barbara busca garantir que Nunzio seja responsabilizado por todas as acusações feitas, incluindo as que envolvem instituições brasileiras.

Contexto da difamação transnacional

Casos de difamação que cruzam fronteiras, como o de Barbara, são cada vez mais comuns em um mundo conectado pela internet. A disseminação de narrativas falsas em plataformas midiáticas internacionais pode causar danos irreparáveis, especialmente quando envolve questões de gênero e paternidade. No caso de Barbara, a combinação de preconceitos culturais e sensacionalismo midiático agravou a situação.

A legislação brasileira tem se adaptado para lidar com crimes digitais, incluindo calúnia, difamação e perseguição. A Lei 14.132/2021, que tipifica o crime de stalking, foi um avanço nesse sentido, permitindo punições mais severas para casos como o de Nunzio. No entanto, a aplicação de medidas contra cidadãos estrangeiros enfrenta obstáculos, como a necessidade de cooperação jurídica internacional.

Reações da comunidade local

Em Tubarão, a comunidade local tem se solidarizado com Barbara, que é conhecida por seu trabalho como professora. Amigos, alunos e familiares expressaram apoio, repudiando as acusações de Nunzio. Eventos locais, como feiras culturais e encontros educacionais, têm servido como espaço para Barbara reafirmar sua identidade profissional e pessoal.

A solidariedade também se estende às redes sociais, onde moradores de Tubarão compartilham mensagens de apoio. A hashtag #JustiçaParaBarbara ganhou tração em plataformas como o X, com usuários denunciando o sensacionalismo da imprensa italiana e exigindo respeito à privacidade da professora.

Os principais pontos levantados pela comunidade incluem:

  • Rejeição às acusações de seitas satânicas.
  • Defesa da reputação de Barbara como profissional.
  • Críticas ao preconceito contra o Brasil na mídia italiana.
  • Apoio à luta judicial de Barbara por justiça.

Desafios da paternidade não reconhecida

A recusa de Nunzio em reconhecer a paternidade de sua filha reflete um problema recorrente em casos de relacionamentos internacionais. No Brasil, a legislação garante o direito da criança à filiação, incluindo pensão alimentícia e herança. No entanto, a execução dessas medidas contra um cidadão estrangeiro pode ser complexa, especialmente quando o pai reside no exterior.

Barbara enfrenta o ônus de criar sua filha sozinha, sem apoio financeiro ou emocional do pai. A ausência de Nunzio também impacta a criança, que cresce sem a presença paterna. A professora, no entanto, mantém sua rotina, equilibrando o trabalho e a maternidade enquanto aguarda os desdobramentos judiciais.

Perspectiva da violência de gênero

O caso de Barbara ilustra como a difamação pode ser uma forma de violência de gênero, especialmente em contextos de relacionamentos desfeitos. As acusações de Nunzio, que sexualizam e criminalizam Barbara, reforçam estereótipos misóginos, retratando-a como uma manipuladora. Essa tática é comum em disputas de paternidade, segundo especialistas em direito de família.

A perseguição sofrida por Barbara, incluindo a invasão de sua privacidade e a exposição de sua filha, configura uma forma de violência psicológica. As medidas protetivas concedidas pela Justiça são um reconhecimento desse cenário, mas a reparação completa depende da responsabilização de Nunzio.

Próximos passos judiciais

O processo criminal contra Nunzio Bevilacqua segue em curso, com a Justiça brasileira analisando as provas apresentadas pela defesa de Barbara. A investigação abrange não apenas as declarações do italiano na imprensa, mas também suas ações no Brasil, como a contratação de investigadores para perseguir a professora e seus familiares.

A cooperação internacional pode ser necessária caso Nunzio permaneça na Itália, onde reside. A defesa de Barbara planeja acionar organismos como a Interpol, se necessário, para garantir que as medidas judiciais sejam cumpridas. Enquanto isso, a professora segue focada em proteger sua filha e reconstruir sua vida após a exposição midiática.

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