Banco Central simplifica resgate de R$ 9,1 bilhões esquecidos com Pix automático
A partir de 27 de maio, pessoas físicas com chave Pix vinculada ao CPF podem ativar a solicitação automática de resgate de valores esquecidos em instituições financeiras. O Banco Central implementou uma nova funcionalidade no Sistema Valores a Receber (SVR), eliminando a necessidade de pedidos manuais para cada quantia identificada. A medida, que visa facilitar o acesso a cerca de R$ 9,1 bilhões ainda disponíveis, marca um avanço na devolução de recursos deixados em contas inativas, consórcios ou tarifas cobradas indevidamente. A adesão ao serviço é opcional, mas exige conta Gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas ativada.
O processo manual, que antes demandava consultas frequentes e solicitações individuais, agora pode ser automatizado. Essa mudança beneficia diretamente os 42 milhões de pessoas físicas com valores a receber, segundo dados do Banco Central referentes a março de 2025. A novidade, no entanto, não se aplica a empresas ou contas conjuntas, que seguem exigindo procedimentos manuais. O sistema também mantém a gratuidade total, reforçando a segurança contra golpes que exploram a promessa de devolução de valores.
- Acesso simplificado: O resgate automático ocorre diretamente via Pix, sem necessidade de agendamento prévio.
- Segurança reforçada: Apenas o site oficial valoresareceber.bcb.gov.br deve ser usado para consultas e solicitações.
- Limitações específicas: Contas conjuntas e instituições sem adesão ao Pix exigem o processo manual.
- Gratuidade garantida: O Banco Central alerta que nenhum pagamento deve ser feito para acessar os valores.

Nova funcionalidade agiliza devoluções
O Banco Central anunciou a solicitação automática como uma ferramenta para desburocratizar o acesso aos valores esquecidos. Antes, os cidadãos precisavam acessar o SVR periodicamente, verificar a existência de recursos e registrar cada solicitação manualmente, um processo que, embora funcional, era considerado trabalhoso por muitos usuários. Agora, com a ativação da nova funcionalidade, o sistema identifica automaticamente os valores associados ao CPF do usuário e os transfere via Pix para a conta vinculada, sem necessidade de intervenção manual. A adesão, porém, depende de uma escolha ativa do cidadão, que deve configurar a opção no portal oficial.
A medida foi detalhada em coletiva de imprensa pela diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Izabela Correa. Segundo ela, a automação busca reduzir a frequência de consultas e agilizar a devolução de recursos. A funcionalidade está disponível apenas para pessoas físicas que possuem chave Pix registrada com o CPF, garantindo que a transferência seja feita de forma segura e direta. Instituições financeiras que não aderiram ao termo de devolução via Pix, no entanto, continuam exigindo o procedimento tradicional.
Volume expressivo de recursos disponíveis
Cerca de R$ 9,13 bilhões permanecem disponíveis para resgate no SVR, conforme balanço do Banco Central atualizado em março de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 6,9 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 2,2 bilhões são de pessoas jurídicas. Esses valores abrangem contas correntes ou poupança encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente e parcelas de consórcios não resgatadas. Desde a criação do sistema, já foram devolvidos R$ 7,4 bilhões a 27 milhões de consumidores, evidenciando a relevância do programa.
- Pessoas físicas: R$ 6,9 bilhões distribuídos entre 42,1 milhões de CPFs.
- Pessoas jurídicas: R$ 2,2 bilhões aguardam resgate por 4,3 milhões de CNPJs.
- Origem dos valores: Contas inativas, consórcios encerrados e tarifas indevidas.
- Devoluções realizadas: R$ 7,4 bilhões já retornaram aos titulares desde o início do programa.
O montante ainda disponível reflete a dificuldade de alguns cidadãos em acessar o sistema ou desconhecimento sobre os valores esquecidos. A automação do resgate surge como uma tentativa de reduzir esse volume, facilitando o processo para quem já possui integração com o Pix. A obrigatoriedade de uma chave Pix vinculada ao CPF, no entanto, pode limitar o acesso para aqueles que utilizam outras chaves, como e-mail ou telefone.
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Requisitos para ativação do resgate automático
Habilitar a solicitação automática exige passos específicos para garantir a segurança do processo. O cidadão precisa acessar o SVR por meio de uma conta Gov.br com nível prata ou ouro, que oferece maior proteção contra fraudes. Além disso, a verificação em duas etapas deve estar ativada, adicionando uma camada extra de segurança. Após o login, o usuário pode configurar a funcionalidade para que qualquer valor identificado seja transferido automaticamente para a conta associada à chave Pix do tipo CPF.

O Banco Central reforça que não envia notificações sobre valores disponíveis ou devolvidos. O crédito é feito diretamente pela instituição financeira, sem aviso prévio do órgão. Para quem não possui uma chave Pix vinculada ao CPF, é necessário cadastrá-la junto à instituição financeira antes de ativar o serviço. Essa exigência garante que os recursos sejam transferidos de forma segura, mas pode representar um obstáculo para quem ainda não utiliza o Pix regularmente.
Limitações do novo sistema
Embora a solicitação automática represente um avanço, ela não abrange todos os casos. Contas conjuntas, por exemplo, continuam exigindo o procedimento manual, assim como valores mantidos em instituições que não aderiram ao termo de devolução via Pix. Essas limitações refletem a complexidade de algumas transações financeiras, que podem envolver múltiplos titulares ou acordos específicos com os bancos. O Banco Central orienta que os cidadãos entrem em contato diretamente com as instituições nesses casos para negociar a forma de devolução.
- Contas conjuntas: Exigem solicitação manual, independentemente da adesão ao Pix.
- Instituições não participantes: Bancos sem acordo para devolução via Pix mantêm o processo tradicional.
- Valores de terceiros: Herdeiros de pessoas falecidas precisam seguir procedimentos específicos.
- Segurança adicional: O SVR só pode ser acessado via conta Gov.br com autenticação reforçada.
A exclusividade para pessoas físicas também restringe a funcionalidade, já que empresas ainda precisam realizar solicitações manuais. Essa diferenciação ocorre porque as transações de pessoas jurídicas frequentemente envolvem valores mais altos e exigem validações adicionais, dificultando a automação.
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Medidas contra fraudes no sistema financeiro
Além da nova funcionalidade de resgate automático, o Banco Central anunciou outra iniciativa para reforçar a segurança no sistema financeiro. A partir de dezembro de 2025, os cidadãos poderão registrar, no portal Meu BC, a intenção de não abrir novas contas bancárias, sejam correntes, de poupança ou de pagamento. A medida, instituída pela Resolução BCB nº 475, visa prevenir a criação de contas fraudulentas com identidades falsas ou a inclusão não autorizada de titulares em contas conjuntas.
Esse novo serviço será opcional e reversível, com registros de ativações e desativações armazenados no sistema. As instituições financeiras serão obrigadas a consultar o portal antes de abrir novas contas, garantindo maior proteção contra fraudes. A iniciativa responde ao aumento de golpes financeiros, que frequentemente exploram dados pessoais para abrir contas sem consentimento dos titulares.
Histórico do Sistema Valores a Receber
O SVR foi lançado pelo Banco Central em 2022, com o objetivo de identificar e devolver valores esquecidos em instituições financeiras. Inicialmente, o sistema enfrentou desafios, como alta demanda e instabilidade no site, levando a uma reformulação em 2023. A reabertura incluiu novas fontes de recursos, como tarifas indevidas e consórcios encerrados, além de melhorias no agendamento e na consulta para pessoas falecidas. Desde então, o programa tem evoluído para facilitar o acesso aos valores.
O sistema permite consultar recursos de pessoas físicas, jurídicas e até herdeiros de falecidos, desde que sejam apresentados documentos como termo de responsabilidade. A gratuidade do serviço é um ponto enfatizado pelo Banco Central, que alerta contra tentativas de golpe envolvendo cobranças ou links falsos. O site oficial valoresareceber.bcb.gov.br permanece como o único canal autorizado para consultas e solicitações.
- Lançamento inicial: Criado em 2022 para identificar valores esquecidos.
- Reformulação em 2023: Inclusão de novas fontes e melhorias no sistema.
- Consulta para falecidos: Exige termo de responsabilidade e contato com instituições.
- Alerta contra golpes: Apenas o site oficial deve ser usado para evitar fraudes.
Passo a passo para consultar valores
Consultar valores no SVR é um processo simples, mas exige atenção aos detalhes. O cidadão deve acessar o site oficial com seu CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura para empresas. Caso haja valores disponíveis, o sistema direciona o usuário para o login com a conta Gov.br. Após a autenticação, é possível verificar o montante e escolher a forma de resgate, que pode ser via Pix ou por contato direto com a instituição financeira.
Para quem optar pela solicitação automática, o processo é ainda mais direto. Após ativar a funcionalidade, qualquer valor identificado será transferido sem necessidade de novas consultas. O Banco Central recomenda que os usuários mantenham suas chaves Pix atualizadas e verifiquem regularmente a conta Gov.br para garantir a segurança do acesso.
Valores expressivos ainda disponíveis
Entre os valores disponíveis, há casos de quantias significativas. Em setembro de 2024, o Banco Central registrou uma pessoa física com R$ 11,2 milhões disponíveis para resgate, enquanto uma empresa tinha R$ 30,4 milhões. Esses números destacam a importância de consultar o sistema, já que muitos cidadãos desconhecem a existência de recursos em seu nome. A maior devolução registrada até o momento foi de R$ 3,3 milhões, feita a uma pessoa jurídica em março de 2023.
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A automação do resgate pode aumentar o número de devoluções, especialmente para valores menores, que muitas vezes passam despercebidos. O Banco Central estima que a funcionalidade incentive mais pessoas a acessarem o sistema, reduzindo o volume de recursos não reclamados. A gratuidade e a segurança do processo são reforçadas como diferenciais do programa.
Procedimentos para herdeiros
Herdeiros de pessoas falecidas também podem acessar valores no SVR, mas o processo é mais complexo. É necessário ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal, além de preencher um termo de responsabilidade no sistema. Após a consulta, o interessado deve contatar a instituição financeira para verificar os procedimentos de devolução, que variam conforme o caso.
- Documentação exigida: Termo de responsabilidade e comprovantes de vínculo.
- Contato com instituições: Cada banco define os passos para liberar os valores.
- Prazo para solicitação: Não há prazo final para resgates, segundo o Ministério da Fazenda.
- Segurança no acesso: Conta Gov.br nível prata ou ouro é obrigatória.
O Banco Central orienta que os herdeiros confirmem a autenticidade de qualquer comunicação, já que o órgão não entra em contato diretamente com os cidadãos. A verificação deve ser feita exclusivamente pelo site oficial, evitando links suspeitos enviados por e-mail ou mensagens.
Instituições financeiras e adesão ao Pix
A adesão das instituições financeiras ao termo de devolução via Pix é um fator determinante para o sucesso da nova funcionalidade. Bancos e consórcios que participam do acordo permitem transferências automáticas em até 12 dias úteis, enquanto os não participantes exigem que o usuário negocie diretamente a forma de recebimento. Essa diferença pode gerar atrasos em alguns casos, especialmente para valores em contas antigas ou consórcios encerrados.
O Banco Central tem trabalhado para ampliar a participação das instituições, mas a adesão não é obrigatória. Para os cidadãos, a recomendação é verificar se a instituição financeira associada aos valores esquecidos está no acordo de devolução via Pix antes de configurar a solicitação automática. Essa etapa garante que o processo ocorra sem contratempos.
Alerta contra golpes financeiros
Golpes relacionados ao SVR têm sido uma preocupação constante. O Banco Central reitera que o serviço é gratuito e que o órgão não envia links, e-mails ou mensagens solicitando dados pessoais. Links suspeitos recebidos por WhatsApp, SMS ou Telegram devem ser ignorados, e qualquer cobrança para acessar valores é considerada fraudulenta. O site valoresareceber.bcb.gov.br é o único canal oficial para consultas e solicitações.
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- Canais oficiais: Apenas o site do Banco Central deve ser usado.
- Sem contato direto: O BC não liga ou envia mensagens aos cidadãos.
- Gratuidade total: Nenhuma taxa deve ser paga para acessar os valores.
- Denúncias de golpes: Suspeitas devem ser reportadas às autoridades.
A recomendação é que os usuários mantenham seus dados pessoais protegidos e evitem compartilhar informações sensíveis, como senhas ou números de protocolo, com terceiros. A verificação em duas etapas na conta Gov.br é um recurso adicional para garantir a segurança.
Ampliação da segurança no sistema financeiro
A partir de dezembro de 2025, o Banco Central implementará um sistema para bloquear a abertura de contas não autorizadas. Os cidadãos poderão registrar, no portal Meu BC, a intenção de não permitir a criação de novas contas em seu nome. Essa medida complementa a solicitação automática do SVR, reforçando a proteção contra fraudes financeiras. As instituições serão obrigadas a consultar o sistema antes de abrir contas, reduzindo o risco de golpes.
A Resolução BCB nº 476, de 2025, atualiza as regras para contas de pagamento, enquanto a Resolução CMN nº 5.218 regula a abertura e manutenção de contas bancárias. Essas mudanças refletem o compromisso do Banco Central em modernizar o sistema financeiro, garantindo maior segurança e acessibilidade para os cidadãos. O registro no portal Meu BC será reversível, permitindo que o usuário altere sua decisão quando necessário.
Futuras atualizações do SVR
O Banco Central planeja continuar aprimorando o SVR, incorporando novas fontes de recursos e facilitando o acesso para diferentes públicos. A automação do resgate é apenas uma das etapas desse processo, que busca tornar o sistema mais eficiente e inclusivo. A possibilidade de consultar valores de pessoas falecidas, por exemplo, já ampliou o alcance do programa, beneficiando herdeiros que antes enfrentavam dificuldades para acessar esses recursos.
A ausência de prazo final para resgates, confirmada pelo Ministério da Fazenda, garante que os cidadãos possam acessar os valores a qualquer momento. Essa flexibilidade é um diferencial do programa, que se mantém como uma ferramenta essencial para a devolução de recursos esquecidos. O Banco Central segue monitorando o desempenho do sistema, com atualizações previstas para os próximos anos.

















