Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

Tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos ganharam novo capítulo após declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre possíveis sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Durante audiência no Congresso dos EUA, Rubio afirmou que há uma “grande possibilidade” de aplicação da Lei Global Magnitsky, que pune estrangeiros por violações de direitos humanos ou corrupção, contra o magistrado brasileiro. A declaração gerou reações imediatas no governo brasileiro, que acionou canais diplomáticos para conter o impacto.

A articulação ocorre em sigilo, envolvendo figuras de alto escalão do Itamaraty e do governo federal. O objetivo é evitar uma crise que possa comprometer as relações bilaterais, especialmente no campo comercial, onde os EUA são o segundo maior parceiro do Brasil.

  • Contexto da ameaça: Rubio respondeu a questionamentos do deputado republicano Cory Mills, aliado de Donald Trump, que acusou Moraes de censura e perseguição política.
  • Resposta brasileira: O Itamaraty considera a fala uma interferência na soberania nacional.
  • Relações comerciais: O Brasil busca manter laços econômicos sólidos com os EUA, apesar das divergências políticas.

O governo brasileiro trabalha para esclarecer os limites da jurisdição americana sobre autoridades nacionais, enquanto o STF mantém silêncio oficial sobre o caso.

Reações no Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, viu na declaração de Rubio uma tentativa de ingerência nos assuntos internos do país. Integrantes do alto escalão do governo expressaram preocupação com o tom da fala, que coloca um ministro do STF no centro de um debate internacional. A diplomacia brasileira, no entanto, optou por uma abordagem pragmática, priorizando conversas reservadas com autoridades americanas para evitar uma escalada de tensões.

Fontes do Itamaraty indicam que o Brasil reforçou, em reuniões com representantes dos EUA, a independência do Judiciário nacional e a soberania do país em decisões judiciais. A fala de Rubio foi interpretada como uma pressão política, especialmente por vir de um governo alinhado ideologicamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário declarado do governo Lula.

Origem da Lei Magnitsky

A Lei Global Magnitsky, citada por Rubio, é um instrumento da legislação americana criado em 2012, durante o governo de Barack Obama, para punir autoridades russas envolvidas na morte do advogado Sergei Magnitsky. Ele denunciou esquemas de corrupção estatal e morreu em uma prisão em Moscou, em 2009. Em 2016, a lei foi ampliada para alcançar indivíduos de qualquer nacionalidade acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos, como tortura, execuções extrajudiciais ou prisões arbitrárias.

  • Sanções previstas: Bloqueio de bens e contas em solo americano.
  • Restrições de viagem: Proibição de entrada nos Estados Unidos.
  • Impacto financeiro: Congelamento de ativos em dólares, mesmo fora dos EUA.
  • Aplicação global: Países aliados, como Canadá e Reino Unido, podem adotar medidas semelhantes.

Desde 2017, a lei foi usada contra figuras de diversos países, incluindo magistrados de nações como Rússia, Turquia e Hong Kong, acusados de repressão a opositores ou manipulação judicial. No caso brasileiro, a aplicação da lei contra Moraes enfrenta críticas de especialistas, que apontam falta de evidências robustas para enquadrá-lo nos critérios exigidos.

Contexto político da ameaça

A menção à Lei Magnitsky contra Moraes não surgiu isoladamente. O ministro do STF é alvo frequente de críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o acusam de conduzir processos com motivação política. Moraes é relator de investigações sensíveis, como a que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, na qual Bolsonaro e aliados são réus.

A denúncia, aceita pela Primeira Turma do STF, coloca o ex-presidente como parte central de uma trama para subverter o resultado eleitoral. O processo está na fase de coleta de depoimentos, e Moraes deve apresentar seu voto em breve, que será avaliado por outros quatro ministros. A proximidade desse julgamento intensifica as críticas contra o magistrado, especialmente entre bolsonaristas radicados nos EUA, como o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

supremo tribunal federal justica lei stf
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Articulações de Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, tem desempenhado um papel ativo na internacionalização do embate contra Moraes. Desde que se mudou para os Estados Unidos, o parlamentar licenciado se reuniu com deputados republicanos, como Cory Mills, para articular apoio a sanções contra o ministro. Em postagens nas redes sociais, Eduardo celebrou a fala de Rubio, sugerindo que a pressão sobre Moraes está crescendo no exterior.

Durante uma audiência no Capitólio, Mills acusou o STF de promover “censura generalizada” e “perseguição política” contra opositores, jornalistas e cidadãos comuns. Ele questionou Rubio diretamente sobre a possibilidade de sanções, reforçando a narrativa de que o Brasil enfrenta um “declínio alarmante dos direitos humanos”. A atuação de Eduardo Bolsonaro é vista como uma estratégia para pressionar o Judiciário brasileiro por meio de aliados no governo Trump.

  • Encontros em Washington: Eduardo se reuniu com Mills e outros republicanos em maio de 2025.
  • Apoio de parlamentares: Deputados como Rich McCormick e María Elvira Salazar também defendem sanções contra Moraes.
  • Foco na Lei Magnitsky: A legislação é vista como uma ferramenta para isolar o ministro financeiramente e diplomaticamente.

Posicionamento do STF

O Supremo Tribunal Federal optou por não comentar oficialmente as declarações de Rubio. No entanto, outros ministros da Corte, como Gilmar Mendes, manifestaram preocupação com a ingerência estrangeira. Em uma postagem nas redes sociais, Mendes destacou a importância da soberania nacional na regulamentação de plataformas digitais e no combate a discursos de ódio, sem citar diretamente Rubio ou Moraes.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio de sua Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, também se pronunciou, classificando a possibilidade de sanções como uma “afronta grave” à independência do Judiciário brasileiro. A OAB enfatizou que qualquer tentativa de punição internacional contra um ministro do STF viola princípios do direito internacional e a autonomia do país.

Relações bilaterais em jogo

As relações entre Brasil e Estados Unidos, apesar das tensões políticas, permanecem estratégicas para ambos os lados. Os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com um comércio bilateral que movimentou mais de 100 bilhões de dólares em 2024. Produtos como soja, carne bovina e minério de ferro são centrais na pauta de exportações do Brasil, enquanto os EUA fornecem tecnologia, máquinas e produtos químicos.

Diplomatas brasileiros destacam que o pragmatismo deve guiar as negociações, mesmo em um cenário de divergências ideológicas. Durante a campanha presidencial americana de 2024, o presidente Lula manifestou apoio à democrata Kamala Harris, enquanto Jair Bolsonaro mantém laços próximos com Donald Trump. Essa polarização política adiciona complexidade às conversas, mas o Itamaraty busca evitar que as ameaças de sanções evoluam para uma crise diplomática.

Críticas à aplicação da Lei Magnitsky

Especialistas em direito internacional questionam a viabilidade de aplicar a Lei Magnitsky contra Moraes. A legislação exige evidências robustas de violações graves, como tortura, execuções extrajudiciais ou detenções arbitrárias, que não se encaixam nas acusações feitas contra o ministro. Críticos apontam que o uso da lei nesse caso pode ser interpretado como uma manobra política, o que comprometeria sua credibilidade global.

Um advogado especialista em relações internacionais afirmou que sanções unilaterais contra um magistrado de um país democrático, como o Brasil, seriam inéditas e poderiam gerar reações negativas de outros países. Além disso, o impacto financeiro de tais medidas seria limitado, já que Moraes não possui bens ou contas declaradas nos Estados Unidos, segundo informações do STF.

  • Limites das sanções: Congelamento de ativos só ocorre em jurisdição americana.
  • Riscos diplomáticos: A aplicação da lei pode tensionar relações com o Brasil.
  • Precedentes raros: Sanções contra juízes ocorreram em regimes autoritários, não em democracias.
  • Soberania nacional: Especialistas alertam que a medida violaria a autonomia brasileira.

Ações judiciais nos EUA

Além das ameaças de sanções, Moraes enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2025, as empresas Trump Media & Technology Group e Rumble Inc. ingressaram com uma ação no Tribunal Distrital da Flórida, alegando que decisões do ministro violam a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão. A ação questiona ordens judiciais brasileiras, como o bloqueio da conta do blogueiro Allan dos Santos, investigado por desinformação.

A juíza Mary Scriven, do Distrito Central da Flórida, negou um pedido de liminar das empresas, argumentando que o caso ainda não está pronto para revisão judicial. A magistrada apontou falhas na formalização dos documentos apresentados, que não atenderam às exigências da Convenção da Haia ou do Tratado de Assistência Jurídica Mútua entre Brasil e EUA. Apesar do revés, as empresas prometem continuar a batalha legal.

Projetos de lei nos EUA

Paralelamente às discussões sobre a Lei Magnitsky, tramita na Câmara dos Representantes dos EUA um projeto de lei intitulado “No Censors on Our Shores Act”, proposto pelos deputados republicanos María Elvira Salazar e Darrell Issa. O texto busca proibir a entrada de autoridades estrangeiras que violem a liberdade de expressão de cidadãos americanos. Embora não mencione Moraes diretamente, o projeto foi inspirado nas tensões envolvendo o ministro e a plataforma X, de Elon Musk.

A proposta já foi aprovada pelo Comitê Judiciário da Câmara e aguarda votação no plenário. Se aprovada, pode reforçar as pressões contra Moraes, especialmente por sua atuação na regulação de redes sociais no Brasil. Parlamentares republicanos, como Rich McCormick, também enviaram cartas a Trump e Rubio, pedindo sanções diretas contra o ministro.

Envolvimento de Elon Musk

Elon Musk, dono da plataforma X e aliado de Trump, tem desempenhado um papel central na escalada das críticas contra Moraes. Em 2024, Musk protagonizou um embate com o ministro após ordens judiciais para bloquear contas no Brasil, o que levou à suspensão temporária da plataforma no país. Musk cedeu às exigências para restabelecer o funcionamento do X, mas continuou criticando Moraes publicamente.

Em postagens nas redes sociais, o bilionário questionou se o ministro possui bens nos EUA, sugerindo que isso poderia facilitar a aplicação da Lei Magnitsky. Especialistas, no entanto, esclarecem que a posse de ativos no exterior não é um requisito para sanções, já que o congelamento de bens pode afetar transações em dólares globalmente.

  • Embate com o X: A suspensão da plataforma no Brasil ocorreu em 2024.
  • Críticas de Musk: O bilionário acusa Moraes de censura e abuso de poder.
  • Apoio a Trump: Musk é uma figura influente no governo americano.
  • Impacto financeiro: Sanções poderiam limitar transações em dólares de Moraes.

Resposta do governo Lula

O governo brasileiro intensificou os esforços para conter as tensões com os EUA. Além das conversas reservadas, o Itamaraty planeja reforçar a defesa da soberania nacional em fóruns internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA). A estratégia inclui destacar o papel do STF no combate à desinformação e aos ataques à democracia, como os atos de 8 de janeiro de 2023.

Autoridades brasileiras também monitoram as articulações de bolsonaristas nos EUA, que buscam apoio de parlamentares republicanos para pressionar o Judiciário nacional. O governo Lula avalia que a narrativa de “perseguição política” é uma tentativa de deslegitimar as investigações contra Bolsonaro e aliados, que avançam no STF.

Papel do Congresso americano

A pressão contra Moraes no Congresso dos EUA não se limita à fala de Rubio. Deputados como Cory Mills, Rich McCormick e María Elvira Salazar têm liderado iniciativas para questionar a atuação do STF. Em maio de 2024, uma audiência na Câmara americana discutiu a liberdade de expressão no Brasil, com críticas diretas a Moraes.

O deputado Mills, veterano de guerra e dono de empresas do setor de armas, acusou o STF de promover uma “repressão que se estende além das fronteiras do Brasil”. Ele também presenteou colegas com granadas desativadas com o símbolo do Partido Republicano, gesto que gerou controvérsia nos EUA. A atuação de Mills reflete o alinhamento de setores republicanos com a agenda bolsonarista.

Repercussões no Brasil

No Brasil, a possibilidade de sanções contra Moraes gerou reações de diferentes setores. A OAB emitiu uma nota de repúdio, classificando a ameaça como uma violação ao direito internacional. Líderes políticos alinhados ao governo Lula, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defenderam a independência do STF e criticaram tentativas de interferência externa.

Por outro lado, aliados de Bolsonaro celebraram a fala de Rubio, vendo-a como uma validação de suas críticas ao Judiciário. Nas redes sociais, parlamentares da oposição compartilharam trechos da audiência no Congresso americano, ampliando a narrativa de que Moraes representa uma ameaça à liberdade de expressão.

  • Defesa do STF: A Corte é vista como pilar na proteção da democracia brasileira.
  • Apoio da OAB: A entidade reforçou a soberania do Judiciário nacional.
  • Reação da oposição: Bolsonaristas intensificaram críticas ao ministro.
  • Debate nas redes: A polarização política ganhou força com a discussão.

Histórico de sanções da Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky já foi aplicada contra mais de 650 indivíduos e entidades até 2023, segundo dados do governo americano. Entre os alvos estão figuras como Alyaksandr Lukashenka, presidente de Belarus, e Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai, acusados de corrupção e violações de direitos humanos.

No contexto latino-americano, a lei foi usada em 2017 contra autoridades da Nicarágua, Guatemala e República Dominicana. Esses casos envolveram acusações de fraude eleitoral, suborno e repressão a opositores, o que reforça a percepção de que a aplicação contra Moraes seria um precedente incomum, dado o contexto democrático do Brasil.

Ações do Itamaraty

O Itamaraty tem trabalhado para evitar que as ameaças de sanções evoluam para medidas concretas. Em maio de 2025, uma comitiva do Departamento de Estado americano, liderada por David Gamble, visitou o Brasil para discutir temas relacionados a sanções internacionais. Embora o encontro não tenha mencionado Moraes diretamente, especulações sobre o tema surgiram após postagens de Eduardo Bolsonaro.

A diplomacia brasileira busca reforçar a imagem do Brasil como uma democracia sólida, destacando o papel do STF na proteção das instituições. O governo também monitora iniciativas no Congresso americano, como o projeto “No Censors on Our Shores Act”, que pode impactar as relações bilaterais.

Debate sobre liberdade de expressão

A atuação de Moraes na regulação de redes sociais tem sido um ponto central nas críticas contra ele. O ministro é responsável por decisões que determinaram a remoção de conteúdos e o bloqueio de contas em plataformas como o X, alegando desinformação e ameaças à democracia. Essas medidas geraram embates com empresas de tecnologia, como a plataforma de Musk, e alimentaram acusações de censura.

Defensores do STF argumentam que as ações de Moraes visam combater a disseminação de fake news e proteger as instituições democráticas, especialmente após os ataques de 8 de janeiro de 2023. Críticos, por outro lado, alegam que as decisões do ministro extrapolam os limites constitucionais e cerceiam a liberdade de expressão.

  • Combate à desinformação: Moraes lidera inquéritos contra fake news no STF.
  • Críticas de censura: Bolsonaristas acusam o ministro de abusar de seu poder.
  • Apoio às instituições: O STF é defendido como guardião da democracia.
  • Tensões com big techs: Empresas como o X resistem às ordens judiciais brasileiras.

Reações internacionais

A possibilidade de sanções contra Moraes também gerou reações em organismos internacionais. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) monitora o caso, mas não se pronunciou oficialmente. Parlamentares brasileiros, contrários às ações do STF, protocolaram denúncias na CIDH, alegando abusos judiciais por parte de Moraes.

Países aliados dos EUA, como Canadá e Reino Unido, que possuem legislações semelhantes à Lei Magnitsky, acompanham o caso de longe. Especialistas alertam que a aplicação de sanções contra um juiz de um país democrático poderia desencadear críticas de outras nações, afetando a credibilidade dos EUA no cenário global.

Monitoramento do governo brasileiro

O governo Lula mantém um grupo de trabalho para acompanhar as movimentações nos EUA. Além do Itamaraty, o Ministério da Justiça e Segurança Pública está envolvido nas discussões, monitorando as implicações legais das ameaças de sanções. A estratégia inclui a elaboração de relatórios para defender a atuação do STF em fóruns internacionais.

Autoridades brasileiras também avaliam a possibilidade de retaliar diplomaticamente, caso as sanções sejam aplicadas. Medidas como restrições a vistos para autoridades americanas ou revisão de acordos comerciais estão sendo estudadas, embora o governo prefira evitar esse cenário.

Papel das big techs

As grandes empresas de tecnologia, como o X e a Trump Media, têm desempenhado um papel ativo no embate contra Moraes. A resistência dessas plataformas em cumprir ordens judiciais brasileiras, como a remoção de conteúdos, intensificou as tensões com o STF. O caso do X, que chegou a ser suspenso no Brasil, é um exemplo claro do conflito entre a regulação nacional e os interesses das big techs.

Elon Musk, em particular, tornou-se uma figura central nesse debate, usando sua influência para amplificar críticas ao Judiciário brasileiro. A proximidade de Musk com Trump reforça a percepção de que as ameaças de sanções têm motivação política, alinhada aos interesses de aliados do ex-presidente americano.

Perspectiva do STF

Embora o STF mantenha silêncio oficial, a Corte tem reforçado sua atuação no combate à desinformação e aos ataques às instituições democráticas. Moraes, como relator de inquéritos sensíveis, continua no centro das atenções, mas conta com o apoio de outros ministros, que veem suas decisões como essenciais para proteger a democracia brasileira.

A possibilidade de sanções internacionais não alterou o ritmo das investigações conduzidas pelo ministro. O processo contra Jair Bolsonaro e aliados avança, com depoimentos de testemunhas sendo coletados e novas provas sendo analisadas. A Primeira Turma do STF deve julgar o caso nos próximos meses, sob forte pressão política.

Pressões no Congresso americano

A atuação de deputados republicanos, como Cory Mills e María Elvira Salazar, reflete o alinhamento de setores do Partido Republicano com a agenda bolsonarista. Além do projeto “No Censors on Our Shores Act”, outras iniciativas no Congresso americano buscam pressionar o Brasil por supostas violações à liberdade de expressão.

Em fevereiro de 2025, uma carta assinada por McCormick e Salazar pediu a Trump e Rubio a aplicação imediata da Lei Magnitsky contra Moraes. O documento acusa o ministro de transformar o Judiciário brasileiro em uma “arma política”, alegação que ecoa as críticas feitas por bolsonaristas no Brasil.

Impacto nas redes sociais

As redes sociais, especialmente o X, tornaram-se um campo de batalha no embate entre Moraes e seus críticos. Postagens de Eduardo Bolsonaro, Elon Musk e parlamentares americanos amplificaram a narrativa de que o ministro representa uma ameaça à liberdade de expressão. Hashtags relacionadas ao caso, como #SançõesMoraes e #LiberdadeNoBrasil, ganharam tração entre apoiadores de Bolsonaro.

Por outro lado, defensores do STF usaram as redes para rebater as acusações, destacando o papel do Judiciário no combate à desinformação. A polarização digital reflete o clima político no Brasil, com双方 intensificando suas narrativas em busca de apoio público.

  • Hashtags populares: #SançõesMoraes e #LiberdadeNoBrasil lideram as discussões.
  • Apoio a Moraes: Usuários destacam a importância do STF na proteção da democracia.
  • Críticas ao ministro: Bolsonaristas acusam Moraes de censura e abuso de poder.
  • Engajamento online: Milhares de postagens debatem o caso diariamente.

Posicionamento da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil reiterou seu apoio à independência do Judiciário brasileiro. Em nota, a entidade classificou as ameaças de sanções como uma tentativa de desestabilizar as instituições democráticas do país. A OAB também destacou que o STF tem atuado dentro dos limites constitucionais, especialmente no combate a ameaças à democracia.

A nota da OAB foi endossada por diversas entidades jurídicas, que reforçaram a necessidade de proteger a soberania nacional. O posicionamento da entidade reflete a preocupação com o impacto de pressões externas sobre o funcionamento do Judiciário brasileiro.

Cronologia do caso

As tensões envolvendo Moraes e as ameaças de sanções têm raízes em eventos recentes. Abaixo, uma linha do tempo com os principais marcos:

  • 2012: A Lei Magnitsky é criada nos EUA para punir autoridades russas.
  • 2016: A lei é ampliada para alcançar violações globais de direitos humanos.
  • 2024: Moraes entra em conflito com o X, de Elon Musk, por ordens de remoção de conteúdo.
  • Fevereiro de 2025: Parlamentares republicanos pedem sanções contra o ministro.
  • Maio de 2025: Rubio menciona “grande possibilidade” de aplicação da Lei Magnitsky.

Relações comerciais Brasil-EUA

O comércio entre Brasil e EUA é um pilar das relações bilaterais. Em 2024, as exportações brasileiras para os EUA ultrapassaram 40 bilhões de dólares, com destaque para produtos agrícolas e minerais. Qualquer escalada nas tensões diplomáticas poderia afetar acordos comerciais, como os relacionados à importação de tecnologia americana pelo Brasil.

O governo Lula busca manter canais abertos com os EUA, mesmo diante das divergências políticas. A visita de uma comitiva americana ao Brasil, em maio de 2025, foi vista como uma oportunidade para esclarecer mal-entendidos e reforçar a cooperação econômica.

Reações de especialistas

Juristas e analistas internacionais acompanham o caso com atenção. Um professor de direito constitucional destacou que a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes seria um precedente perigoso, especialmente por envolver um juiz de um país democrático. A medida poderia ser interpretada como uma tentativa de politizar uma legislação destinada a combater violações graves em regimes autoritários.

Outro especialista em relações internacionais apontou que o Brasil tem instrumentos para responder a eventuais sanções, como recorrer a organismos multilaterais, como a OEA ou a ONU. A estratégia do governo Lula, no entanto, parece focada em evitar o confronto direto, priorizando o diálogo nos bastidores.

Papel de Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro, embora não esteja diretamente envolvido nas articulações nos EUA, é uma figura central no debate. As investigações conduzidas por Moraes no STF, especialmente a que apura a tentativa de golpe de 2022, colocam Bolsonaro como réu em um processo que pode resultar em sua prisão.

A proximidade de Bolsonaro com Trump e o apoio de aliados republicanos nos EUA reforçam a narrativa de que as sanções contra Moraes têm motivação política. O ex-presidente tem evitado comentar diretamente o caso, mas sua base de apoiadores no Brasil e no exterior segue ativa na pressão contra o STF.

Monitoramento internacional

Organismos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) acompanham as denúncias contra Moraes, embora não haja decisões oficiais. Parlamentares brasileiros opositores do STF protocolaram queixas na CIDH, alegando abusos judiciais, mas as denúncias ainda estão em fase inicial de análise.

Países com legislações semelhantes à Lei Magnitsky, como Canadá e Reino Unido, não manifestaram intenção de seguir os EUA em eventuais sanções. A comunidade internacional observa o caso como um teste para as relações entre democracias e o uso de instrumentos legais em disputas políticas.

Esforços do Itamaraty

O Itamaraty continua a liderar as negociações com os EUA, buscando evitar que as ameaças de sanções se concretizem. A diplomacia brasileira tem destacado a importância do respeito mútuo entre nações e a independência do Judiciário nacional. Em encontros com autoridades americanas, o Brasil reforçou que decisões judiciais no país seguem a Constituição e os princípios democráticos.

A estratégia também inclui a mobilização de aliados em fóruns internacionais para contrapor a narrativa de que o STF viola direitos humanos. O governo Lula aposta no diálogo para evitar uma crise que possa prejudicar as relações bilaterais.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  2. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  3. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  4. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  5. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  6. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  7. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

  8. Benefícios

    13º salário 2026: empresas devem pagar 1ª parcela até 30 de novembro no Brasil com metade do rendimento sem desconto

  9. EUA

    Eleição para governador nos EUA: Keisha Lance Bottoms vence na Geórgia e Byron Donalds fatura a Flórida

  10. EUA

    Donald Trump vai deixar a presidência dos EUA? derrota republicana no Congresso não cassa o mandato do presidente

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.