Governo lança Crédito do Trabalhador com juros reduzidos e garantia do FGTS
Em 12 de março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória que institui o programa Crédito do Trabalhador, uma linha de empréstimos consignados com juros mais baixos destinada a trabalhadores do setor privado com carteira assinada. A iniciativa, lançada no Palácio do Planalto, em Brasília, permite que profissionais, incluindo empregados domésticos, rurais e assalariados de Microempreendedores Individuais (MEIs), contratem crédito diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), utilizando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia. O programa, que envolve descontos automáticos na folha de pagamento via eSocial, busca reduzir o superendividamento e oferecer taxas até 50% menores que as praticadas no crédito pessoal. A medida abrange cerca de 47 milhões de trabalhadores, com operação inicial prevista para 21 de março de 2025. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esteve presente na cerimônia e destacou o potencial transformador da iniciativa.
O programa foi desenhado para facilitar o acesso ao crédito em condições mais vantajosas. A contratação ocorre de forma digital, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e as instituições financeiras habilitadas oferecem propostas em até 24 horas.
- Público-alvo: Trabalhadores com carteira assinada, incluindo rurais, domésticos e MEIs.
- Garantia: Até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória em caso de demissão.
- Operação: Início em 21 de março de 2025, com portabilidade a partir de junho.
A medida visa atender uma demanda antiga por crédito acessível, especialmente para grupos historicamente excluídos do consignado privado.
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Funcionamento do programa
O Crédito do Trabalhador opera por meio de um sistema integrado que conecta a CTPS Digital, o FGTS Digital e o eSocial. O trabalhador interessado acessa o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, autoriza o compartilhamento de dados como nome, CPF, margem consignável do salário e tempo de vínculo empregatício. Após a autorização, as instituições financeiras, previamente habilitadas pelo Ministério do Trabalho, enviam propostas de crédito em até 24 horas. O trabalhador avalia as ofertas e finaliza a contratação diretamente nos canais eletrônicos do banco escolhido.
A margem consignável é limitada a 35% do salário, e as parcelas são descontadas mensalmente na folha de pagamento pelo eSocial. Esse mecanismo reduz o risco para os bancos, permitindo taxas de juros mais competitivas. A partir de 25 de abril de 2025, os trabalhadores também poderão iniciar contratações diretamente pelos canais dos bancos, ampliando as opções de acesso.
- Autorização de dados: Nome, CPF, margem consignável e tempo de empresa.
- Prazo para ofertas: Até 24 horas após a solicitação.
- Desconto das parcelas: Mensal, via eSocial, com limite de 35% do salário.
- Acompanhamento: Atualizações mensais disponíveis no aplicativo.
O sistema foi desenvolvido pela Dataprev, empresa pública de tecnologia, garantindo integração e segurança no processo.
Público beneficiado
A iniciativa abrange cerca de 47 milhões de trabalhadores do setor privado, incluindo grupos que enfrentam dificuldades para acessar crédito em condições favoráveis. Entre os beneficiados, estão 2,2 milhões de empregados domésticos, 4 milhões de trabalhadores rurais e assalariados de MEIs. Esses grupos, muitas vezes excluídos do consignado privado, agora terão acesso a uma linha de crédito com taxas reduzidas.
Segundo estimativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o programa pode alcançar 19 milhões de celetistas em até quatro anos, movimentando mais de R$ 120 bilhões em empréstimos. A possibilidade de usar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia aumenta a segurança para as instituições financeiras, o que contribui para a redução das taxas.
Taxas de juros e superendividamento
A nova linha de crédito busca combater os altos juros praticados no mercado, que, em muitos casos, ultrapassam 5% ao mês no crédito pessoal. Com o Crédito do Trabalhador, as taxas podem cair pela metade, segundo projeções do Ministério da Fazenda. O programa também oferece a possibilidade de migrar dívidas mais caras, como as de crédito direto ao consumidor (CDC), para o novo modelo, a partir de 25 de abril de 2025.
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Atualmente, o consignado do setor privado registra cerca de 4,4 milhões de operações, totalizando R$ 40,4 bilhões em recursos. A expectativa é que a nova linha atraia trabalhadores que buscam alternativas para reduzir o custo de suas dívidas. A portabilidade entre bancos, disponível a partir de 6 de junho de 2025, permitirá que os trabalhadores escolham instituições com condições mais vantajosas.
- Taxas atuais: Acima de 5% ao mês no crédito pessoal.
- Redução estimada: Até 50% com o novo programa.
- Migração de dívidas: Disponível a partir de 25 de abril de 2025.
- Portabilidade: A partir de 6 de junho de 2025.
Integração tecnológica
A implementação do Crédito do Trabalhador contou com o desenvolvimento de um sistema robusto pela Dataprev. A plataforma integra a CTPS Digital, o FGTS Digital e o eSocial, garantindo que o processo de solicitação, análise e contratação seja ágil e seguro. A autorização de dados segue as normas da LGPD, limitando o acesso das instituições financeiras às informações estritamente necessárias para a elaboração das propostas.
A partir de 25 de abril de 2025, os bancos poderão oferecer contratações diretamente em seus canais eletrônicos, complementando o acesso via CTPS Digital. Mais de 80 instituições financeiras devem ser habilitadas para operar o programa, ampliando a concorrência e beneficiando os trabalhadores com melhores condições.
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Regras em caso de demissão
Em situações de desligamento, o programa prevê mecanismos para proteger tanto o trabalhador quanto a instituição financeira. As parcelas pendentes são descontadas das verbas rescisórias, respeitando os limites legais. A garantia de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória reduz o risco de inadimplência, o que contribui para a sustentabilidade do programa.
Os trabalhadores que já possuem consignados ativos podem migrar para o Crédito do Trabalhador a partir de 25 de abril de 2025, mantendo a flexibilidade para ajustar suas dívidas às novas condições.
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- Desconto em demissão: Sobre verbas rescisórias, dentro dos limites legais.
- Garantias: 10% do FGTS e 100% da multa rescisória.
- Migração de consignados: A partir de 25 de abril de 2025.
Cronologia de implementação
O programa seguirá um calendário estruturado para garantir a adesão gradual de trabalhadores e instituições financeiras. A operação começa em 21 de março de 2025, com contratações iniciais exclusivamente pela CTPS Digital. A partir de 25 de abril, os bancos poderão oferecer o crédito diretamente em seus canais. A portabilidade entre instituições financeiras estará disponível a partir de 6 de junho de 2025, permitindo maior mobilidade para os trabalhadores.
Objetivos do programa
O Crédito do Trabalhador foi concebido para promover inclusão produtiva e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A iniciativa busca oferecer crédito para necessidades como reformas residenciais, educação, saúde e aquisição de bens, reduzindo a dependência de empréstimos com juros abusivos. O programa não substitui o Saque-Aniversário do FGTS, que continua em vigor.
Participação das instituições financeiras
Mais de 80 instituições financeiras devem participar do programa, segundo estimativas do governo. A habilitação começou com a publicação da Medida Provisória, e os bancos interessados passam por um processo de credenciamento junto ao Ministério do Trabalho. A concorrência entre as instituições deve beneficiar os trabalhadores, que poderão comparar propostas e escolher as mais vantajosas.
- Instituições habilitadas: Mais de 80 bancos, públicos e privados.
- Habilitação: Iniciada com a publicação da MP.
- Concorrência: Propostas enviadas em até 24 horas via CTPS Digital.
Dados do mercado de crédito
O mercado de consignado privado movimenta atualmente R$ 40,4 bilhões, com 4,4 milhões de operações. A expectativa é que o Crédito do Trabalhador amplie significativamente esse volume, alcançando R$ 120 bilhões em até quatro anos. A inclusão de grupos como trabalhadores rurais e domésticos deve impulsionar a adesão, especialmente em regiões onde o acesso ao crédito é limitado.

















