Os professores da rede pública do Distrito Federal iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira, 2 de junho de 2025, exigindo reestruturação da carreira e aumento do salário base. A decisão, aprovada em assembleia pelo Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), ocorre apesar de uma determinação judicial que impõe multa diária de R$ 1 milhão ao sindicato e autoriza o corte de ponto dos grevistas. A paralisação reflete a insatisfação da categoria com a falta de diálogo do governo, que encerrou negociações antes da assembleia. O movimento busca dobrar o vencimento-base e valorizar a progressão de carreira, impactando escolas públicas em todo o DF.
A mobilização começou após meses de tentativas frustradas de negociação com o governo local. A categoria alega que as condições salariais e de trabalho não acompanham a inflação e as demandas do setor educacional.
- Principais reivindicações incluem aumento do salário base.
- Professores pedem valorização da progressão horizontal.
- Contratados temporários buscam enquadramento por tempo de serviço.
O movimento promete manter a paralisação até que haja avanços concretos nas negociações.
Decisão judicial e reações
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou, antes do início da greve, uma multa de R$ 1 milhão por dia de paralisação ao Sinpro-DF. A decisão também permite que o governo corte o ponto dos servidores que aderirem ao movimento. A medida foi classificada como desproporcional por representantes do sindicato, que destacaram o direito constitucional à greve.
Samuel Fernandes, diretor do Sinpro-DF, afirmou que a decisão judicial não intimidará a categoria. Ele destacou que a paralisação só será encerrada por decisão em assembleia. A categoria organiza atos públicos e assembleias regulares para manter a mobilização.
Histórico de negociações
As negociações entre o Sinpro-DF e o governo do Distrito Federal começaram no início de 2025, mas não avançaram. Cleber Soares, da Comissão de Negociação do Sinpro, relatou que o governo interrompeu o diálogo antes da assembleia que aprovou a greve. A categoria apresentou uma pauta com demandas estruturais, como a reestruturação da carreira, mas não obteve respostas concretas.
- Reuniões ocorreram entre janeiro e maio de 2025.
- Governo não apresentou propostas para aumento salarial.
- Negociações foram encerradas unilateralmente pelo governo.
A falta de avanço nas tratativas levou à decisão pela paralisação, com ampla adesão dos professores.
Demanda por salário base
A principal reivindicação dos professores é o aumento do salário base, que, segundo o Sinpro-DF, está defasado. A proposta é dobrar o vencimento inicial, garantindo maior atratividade à profissão. Atualmente, o salário base de professores em início de carreira no DF é um dos mais altos do país, mas a categoria argumenta que ele não reflete o custo de vida na capital.
Além disso, os professores pedem ajustes na progressão de carreira, com maior valorização de especializações, mestrados e doutorados. A ampliação dos percentuais de aumento por padrão também está na pauta.
Impacto nas escolas públicas
A greve afeta diretamente o funcionamento das escolas públicas do Distrito Federal. Com a paralisação, aulas foram suspensas em diversas unidades, e pais de alunos buscam informações sobre a reposição de conteúdos. O governo ainda não divulgou um plano oficial para minimizar os impactos no calendário escolar.
Algumas escolas tentam manter atividades com professores que não aderiram à greve, mas a adesão ao movimento é significativa. O Sinpro-DF estima que milhares de professores participam da paralisação, especialmente nas regiões administrativas mais populosas.
- Escolas em Ceilândia, Taguatinga e Samambaia têm alta adesão.
- Governo estuda medidas para manter aulas em algumas unidades.
- Pais aguardam posicionamento sobre reposição de aulas.
Valorização de professores temporários
Outra demanda central é a inclusão do tempo de serviço de professores contratados temporariamente no enquadramento de carreira após a efetivação. Atualmente, o tempo trabalhado como temporário não é contabilizado para progressão nos padrões salariais, o que gera perdas financeiras para esses profissionais.
A categoria também reivindica maior percentual de aumento a cada mudança de padrão, o que tornaria a carreira mais atrativa. Essa medida visa reduzir a rotatividade de professores e melhorar a qualidade do ensino.
Mobilizações e atos públicos
Os professores planejam uma série de atos públicos para pressionar o governo. Assembleias estão marcadas ao longo da semana, com concentrações em pontos estratégicos de Brasília. O Sinpro-DF organiza caravanas de professores de regiões administrativas para participar das mobilizações no centro da capital.
- Ato principal está previsto para a Esplanada dos Ministérios.
- Professores planejam paralisações em rodovias locais.
- Assembleias diárias avaliarão os rumos da greve.
A categoria busca apoio de outros sindicatos e da população para ampliar a visibilidade do movimento.
Condições de trabalho na educação
Além das questões salariais, os professores apontam problemas estruturais na rede pública de ensino. Muitas escolas enfrentam falta de materiais didáticos, infraestrutura precária e superlotação de salas. Esses fatores, segundo o Sinpro-DF, comprometem a qualidade da educação e sobrecarregam os profissionais.
Relatos de professores indicam que algumas unidades não têm condições adequadas de ventilação ou equipamentos para aulas práticas. A categoria defende que as reivindicações salariais devem vir acompanhadas de investimentos na infraestrutura escolar.
Posicionamento do governo
O governo do Distrito Federal ainda não apresentou uma proposta formal para atender às demandas dos professores. Em comunicados oficiais, a Secretaria de Educação destacou a importância de manter o diálogo, mas não detalhou medidas concretas para resolver o impasse.
A decisão judicial favorável ao governo reforça a estratégia de pressionar o sindicato a encerrar a greve. No entanto, a mobilização dos professores indica que a paralisação pode se prolongar, caso não haja avanços nas negociações.
Histórico de greves no DF
Greves de professores no Distrito Federal não são novidade. Nos últimos anos, a categoria realizou paralisações em 2019 e 2022, também motivadas por questões salariais e condições de trabalho. Em 2022, uma greve de duas semanas resultou em avanços parciais, como a promessa de reajuste escalonado, mas parte das demandas permaneceu sem solução.
- Greve de 2019 durou 10 dias e focou em reajustes.
- Paralisação de 2022 envolveu professores e outros servidores.
- Acordos anteriores não atenderam todas as reivindicações.
O histórico de mobilizações reforça a disposição da categoria em manter a pressão por mudanças estruturais.
Apoio de outros setores
A greve dos professores conta com o apoio de outros sindicatos de servidores públicos, como os da saúde e da segurança. Representantes dessas categorias participaram de assembleias e atos conjuntos, destacando a importância de valorizar o serviço público.
Estudantes e associações de pais também manifestaram solidariedade, embora expressem preocupação com os impactos no ano letivo. Movimentos sociais planejam se unir aos professores em atos futuros, ampliando a visibilidade da paralisação.

