Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, um dos principais líderes do Comando Vermelho, morreu baleado na noite de domingo, 1º de junho de 2025, no Rio de Janeiro. O traficante, de 37 anos, chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Del Castilho, na Zona Norte, por volta das 21h20, após ser atingido por um disparo na cabeça. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso, considerando a possibilidade de suicídio, conforme relato de uma testemunha que mantinha relação extraconjugal com o criminoso. Foragido desde 2018, Professor era apontado como chefe do tráfico no Complexo do Alemão e responsável pela aquisição de armas e drogas para a facção. A Polícia Militar informou que não havia operação no local no momento do ocorrido. A arma supostamente usada foi entregue à Polícia Civil para perícia.
A morte de Fhillip da Silva Gregório gerou movimentação no Complexo do Alemão, onde ele exercia forte influência. A região, localizada na Zona Norte do Rio, é conhecida como um dos principais redutos do Comando Vermelho. Autoridades agora buscam esclarecer os detalhes do caso.
O episódio levanta questões sobre a dinâmica do tráfico na área:
- Professor controlava a favela da Fazendinha, uma das mais estratégicas do complexo.
- Ele coordenava a distribuição de armas e drogas vindas de países como Paraguai e Colômbia.
- Investigado por homicídio e corrupção, tinha 65 anotações criminais.
Perfil de Fhillip da Silva Gregório
Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, tinha 37 anos e era natural do Rio de Janeiro. Foragido desde 23 de setembro de 2018, quando não retornou de uma saída temporária do presídio de Bangu 3, no Complexo Penitenciário de Gericinó, ele se escondia no Complexo do Alemão. Preso pela primeira vez em 2015 pela Polícia Federal, enfrentava acusações de tráfico internacional de drogas e armas. Sua ascensão no Comando Vermelho ocorreu nos últimos cinco anos, período em que assumiu papel central na expansão da facção, especialmente na Zona Oeste da cidade. Com 65 anotações criminais, ele era alvo de investigações por homicídio, associação ao tráfico e pagamento de propinas a policiais.
Trajetória no crime
Professor ingressou no crime ainda jovem, mas sua notoriedade cresceu a partir de 2012, quando foi preso em flagrante com comprovantes de depósitos bancários para traficantes da favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Na ocasião, a polícia encontrou cadernos com anotações contábeis detalhando transações do tráfico. Após a prisão, ele passou a responder também por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Em 2015, a Polícia Federal o capturou novamente, desta vez por tráfico internacional, mas ele fugiu três anos depois. Desde então, fixou base na Fazendinha, uma área estratégica do Complexo do Alemão, com acesso a vias importantes e usada como corredor logístico para o tráfico.
Nos anos seguintes, Professor se consolidou como peça-chave do Comando Vermelho. Ele coordenava a chegada de armamento e entorpecentes, mantendo contatos com fornecedores no Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia. Fuzis e pistolas de origem europeia, como da Turquia e Croácia, também eram negociados por ele, segundo investigações.
Operação Dakovo e compra de armas
A Polícia Federal, em dezembro de 2023, deflagrou a Operação Dakovo, que revelou a rede de tráfico de armas liderada por Professor. A ação investigou a compra de 43 mil armas e munições, adquiridas legalmente pelo argentino Diego Hernan Dirísio e repassadas a intermediários em Ciudad del Leste, na fronteira do Brasil com o Paraguai. De lá, o armamento era distribuído para facções no Rio de Janeiro e em São Paulo. Professor era apontado como o principal responsável pelas negociações no braço carioca da operação.
A operação resultou em:
- 14 prisões no Paraguai.
- 5 prisões no Rio de Janeiro.
- 38 mandados de busca e apreensão.
- Bloqueio de R$ 66 milhões em bens e valores.
Negociações com policiais
Investigações da Polícia Federal, divulgadas em abril de 2025, expuseram a relação de Professor com policiais militares. Mensagens interceptadas mostraram acordos para evitar patrulhamento em áreas controladas pelo tráfico no Complexo do Alemão. Em uma das trocas, o traficante cobrava a retirada de blindados da comunidade, enquanto policiais negociavam quais regiões poderiam ser patrulhadas. Um oficial da UPP da Fazendinha, em 22 de novembro de 2022, informou a Professor que seria transferido para Manguinhos, passando o contato do novo comandante.
Atuação no Complexo do Alemão
Professor raramente deixava o Complexo do Alemão, onde construiu uma casa de luxo. A região da Fazendinha servia como sua base operacional, facilitando a logística de armas e drogas. Ele controlava a distribuição para outras favelas dominadas pelo Comando Vermelho, reforçando o poder da facção. A área é marcada por barricadas e forte presença de traficantes armados, o que dificultava ações policiais.
A influência de Professor ia além do tráfico:
- Distribuía brinquedos para crianças da comunidade.
- Pagava médicos e remédios para moradores.
- Financiava bailes funk e shows de pagode.
Procedimentos estéticos e vida reclusa
Vaidoso, Fhillip da Silva Gregório passou por procedimentos estéticos dentro do Complexo do Alemão. Ele realizou implante capilar, lipoaspiração e clareamento dentário, com profissionais atendendo-o em casa. Em 16 de janeiro de 2022, o traficante relatou a um comparsa ter retirado estilhaços de bala da cabeça, remanescentes de confrontos anteriores. A reclusão na favela era parte de sua estratégia para evitar prisões.
Circunstâncias da morte
Na noite de 1º de junho de 2025, Fhillip da Silva Gregório chegou baleado à UPA de Del Castilho. A Polícia Militar foi acionada às 21h20 pelo Centro de Operações para verificar a entrada de um homem ferido. No local, os agentes encontraram Gabriele de Almeida Rangel, esposa de Professor, e o advogado Eli Florêncio da Luz, que confirmaram a identidade do traficante. A direção da UPA informou que ele já chegou sem vida, com um disparo na têmpora.
A Delegacia de Homicídios da Capital assumiu o caso. Uma mulher, que mantinha relação extraconjugal com Professor, apresentou-se à polícia e entregou a arma supostamente usada. Ela afirmou que o traficante cometeu suicídio. A Polícia Civil investiga se a morte ocorreu por confronto com rivais, crime passional ou, de fato, suicídio.
Histórico criminal
Fhillip da Silva Gregório acumulava 65 anotações criminais, incluindo:
- Tráfico de drogas.
- Associação ao tráfico.
- Homicídio qualificado.
- Lavagem de dinheiro.
- Ocultação de bens.
Ele também foi investigado por incentivar saques a supermercados em Inhaúma, na Zona Norte, em 2022, e por ordenar a morte de um homem no baile funk da Fazendinha, após um incidente envolvendo uma criança.
Papel na facção
Professor era considerado o terceiro homem mais influente do Comando Vermelho fora do sistema penitenciário. Nos últimos cinco anos, ele ganhou destaque ao assumir o fornecimento de armas para a expansão da facção na Zona Oeste. Sua base na Fazendinha era crucial para a logística do tráfico, conectando o Complexo do Alemão a outras áreas dominadas pela quadrilha.
Movimentação após o ocorrido
A morte de Professor gerou alerta entre as autoridades. A Polícia Militar reforçou o patrulhamento no Complexo do Alemão, embora não tenha realizado operações na noite do fato. A Polícia Civil segue com diligências para esclarecer o caso, com peritos analisando a arma entregue e o local onde o disparo ocorreu. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames.
Rede de contatos internacionais
Professor mantinha conexões com fornecedores de armas e drogas em diversos países. Armas de origem europeia, como fuzis da Turquia e pistolas da República Tcheca, eram negociadas por ele. A logística envolvia:
- Compra de armamento por intermediários em Ciudad del Leste.
- Transporte pela fronteira Brasil-Paraguai.
- Distribuição para favelas do Rio e São Paulo.
Ele também coordenava o envio de drogas de nações vizinhas, como Bolívia e Colômbia, para o Comando Vermelho.
Outras ações atribuídas
Além do tráfico, Professor era investigado por ordenar execuções dentro do Complexo do Alemão. Em 2021, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando fuzis com o nome “Professor”, evidenciando seu poder na facção. Ele também foi associado ao homicídio de um amigo de uma vítima, morto após questionar o paradeiro de um homem executado no baile da Fazendinha.

