O Sport Club do Recife anunciou, na manhã desta quarta-feira, 4 de junho de 2025, a demissão do técnico português António Oliveira, após uma passagem de apenas quatro jogos no comando da equipe na Série A do Campeonato Brasileiro. A decisão foi tomada em reuniões com a diretoria de futebol, em meio à crise do clube, que permanece na lanterna da competição, sem nenhuma vitória e com apenas três pontos em 11 rodadas. Oliveira, contratado em maio para substituir o também português Pepa, deixa o Leão com um empate e três derrotas, em uma trajetória marcada por críticas da torcida e resultados aquém do esperado. A mudança reflete a urgência do clube em reverter a situação e evitar o rebaixamento à Série B. A parada de 40 dias para a Copa do Mundo de Clubes é vista como uma oportunidade para ajustes no elenco e na comissão técnica. O nome do próximo treinador ainda não foi definido, mas a pressão por resultados imediatos cresce na Ilha do Retiro.
A demissão de Oliveira ocorre em um momento delicado para o Sport, que enfrenta dificuldades dentro e fora de campo. A diretoria busca um novo rumo para a equipe, enquanto torcedores manifestam insatisfação com o desempenho na competição. A rápida passagem do treinador português não conseguiu trazer a estabilidade esperada, aumentando a instabilidade no clube pernambucano.
- Resultados de Oliveira no Sport: Um empate contra o Internacional e derrotas para Cruzeiro (4 a 0), Ceará (2 a 0) e Mirassol (1 a 0).
- Posição do Sport: Lanterna da Série A, com três pontos em 11 jogos, única equipe sem vitórias.
- Próximos passos: A diretoria avalia nomes para o comando técnico durante a pausa do Brasileirão.
A crise no Sport não é novidade, mas a saída de Oliveira reforça a necessidade de mudanças estruturais. O clube, que retornou à elite do futebol brasileiro em 2024, enfrenta desafios para se manter na Série A, com a torcida cobrando soluções rápidas.
Passagem relâmpago de António Oliveira
A chegada de António Oliveira ao Sport, em maio de 2025, foi cercada de expectativas. Com experiência em clubes como Corinthians, Cuiabá e Athletico, o treinador de 42 anos era visto como uma aposta para organizar o time e tirá-lo da zona de rebaixamento. No entanto, sua estreia contra o Cruzeiro, marcada por uma goleada de 4 a 0 na Ilha do Retiro, já sinalizava dificuldades. A torcida, frustrada, chegou a chamar o técnico de “burro” aos 20 minutos do primeiro tempo, em uma reação que refletiu a insatisfação imediata com suas escolhas táticas.
Nos jogos seguintes, o desempenho não melhorou. A derrota por 2 a 0 para o Ceará, no Castelão, expôs problemas na saída de bola e na criação ofensiva. Contra o Internacional, o empate sem gols foi o único resultado positivo, mas insuficiente para aliviar a pressão. A gota d’água veio na derrota por 1 a 0 para o Mirassol, em um jogo decidido por um pênalti cometido pelo lateral Igor Cariús. Oliveira, em sua última coletiva, afirmou que “só ficaria no time quem estivesse comprometido com a causa”, mas não resistiu à sequência negativa.
Histórico de instabilidade no comando técnico
O Sport vive um 2025 turbulento no que diz respeito à comissão técnica. António Oliveira foi o segundo treinador demitido em apenas 11 rodadas da Série A. Antes dele, Pepa, também português, deixou o cargo em maio, após cinco derrotas em sete jogos. A constante troca de treinadores reflete a dificuldade da diretoria em encontrar um projeto consistente para a temporada.
- Pepa (até maio 2025): 45 jogos desde 2024, com 21 vitórias, 10 empates e 14 derrotas (55,5% de aproveitamento).
- António Oliveira (maio a junho 2025): Quatro jogos, com um empate e três derrotas (8,3% de aproveitamento).
- Técnicos no ano: Dois demitidos, com a possibilidade de um terceiro nome assumir antes da retomada do Brasileirão.
A instabilidade no comando técnico é agravada por problemas no elenco, que sofreu com baixo rendimento de peças-chave e erros individuais, como os apontados por Oliveira após o jogo contra o Mirassol. A diretoria, pressionada, busca um treinador capaz de aproveitar a pausa do campeonato para ajustar o time.
Reações da torcida e da diretoria
A torcida do Sport, conhecida por sua paixão, não poupou críticas a António Oliveira. Além dos protestos durante a goleada para o Cruzeiro, as redes sociais do clube foram inundadas com mensagens de insatisfação. A escolha de jogadores contestados, como o lateral Matheus Alexandre, alimentou a revolta dos rubro-negros, que cobram uma postura mais agressiva da diretoria.
A direção do Sport, liderada pelo presidente Yuri Romão, optou pela demissão de Oliveira após reuniões na manhã de 4 de junho. A decisão foi comunicada oficialmente pelo clube, que destacou a “necessidade de um ajuste de rota no comando técnico”. A saída do treinador português também foi acompanhada pelo desligamento de sua comissão técnica, composta por auxiliares trazidos de sua passagem anterior pelo Corinthians.
Desafios do elenco na Série A
O desempenho do Sport na Série A expõe fragilidades no elenco montado para 2025. Apesar do acesso conquistado na Série B de 2024, o time não conseguiu repetir o mesmo nível de competitividade na elite. Jogadores como Igor Cariús, Carlos Alberto e Matheus Alexandre foram alvos de críticas por erros em momentos decisivos. A diretoria, ciente das limitações, planeja contratações na janela de transferências de junho, que vai de 2 a 10, aproveitando a pausa para o Mundial de Clubes.
- Saídas confirmadas: Laterais Matheus Alexandre e Di Plácido, além dos atacantes Lenny Lobato e Gustavo Maia, estão fora dos planos.
- Reforços esperados: Pelo menos quatro contratações, com possibilidade de até seis, para reforçar o elenco.
- Prioridades: Melhorar a saída de bola, a criação ofensiva e a solidez defensiva, pontos fracos na era Oliveira.
A pausa de 40 dias no Brasileirão, motivada pela Copa do Mundo de Clubes, é vista como uma janela crucial para reestruturar o time. A diretoria trabalha para trazer peças que elevem o nível técnico e recuperem a confiança do grupo.
Pressão por resultados imediatos
A lanterna do Brasileirão, com apenas três pontos em 11 rodadas, coloca o Sport em uma situação crítica. A distância para o 16º colocado, atualmente o São Paulo com 10 pontos, é de sete pontos, o que torna a recuperação uma tarefa árdua. A torcida, que lota a Ilha do Retiro mesmo em momentos difíceis, exige mudanças rápidas para evitar o rebaixamento.
O próximo treinador terá a missão de unir o elenco e implementar um estilo de jogo que maximize os pontos fortes do time. A diretoria avalia nomes com experiência no futebol brasileiro, mas ainda não há confirmação sobre o substituto de Oliveira. A pressão por resultados imediatos será um desafio adicional para quem assumir o comando.
Mudanças além do comando técnico
Além da demissão de António Oliveira, o Sport passou por outras mudanças recentes. No início de junho, o clube dispensou o preparador de goleiros William Castro e o coordenador de performance Luiz Fernando, ambos contratados em 2024. Em maio, o executivo de futebol André Figueiredo também foi desligado, sendo substituído por Thiago Gasparino, ex-Santos e Corinthians.
- Novos gestores: Thiago Gasparino assumiu como executivo de futebol, com a missão de reestruturar o departamento.
- Saídas no staff: O head scout Odair Dal Molin também deixou o clube, impactando o planejamento de contratações.
- Foco na gestão: A diretoria busca maior alinhamento entre elenco, comissão técnica e departamento de futebol.
Essas mudanças refletem a tentativa do Sport de reorganizar sua estrutura interna, mas os resultados em campo seguem como prioridade absoluta.
Números da crise rubro-negra
O desempenho do Sport em 2025 é o pior desde que o Brasileirão adotou o formato de 20 clubes, em 2006. A equipe é a única sem vitórias após 11 rodadas, um recorde negativo na história do clube. A média de gols sofridos (2,1 por jogo) e a baixa produção ofensiva (média de 0,5 gol por partida) evidenciam os problemas enfrentados pela equipe.
A última vitória do Sport na Série A foi em 2024, ainda na reta final da temporada passada, o que aumenta a ansiedade por um resultado positivo. A pausa no campeonato pode ser um divisor de águas, mas o tempo é curto para ajustes profundos.
Expectativas para a retomada do Brasileirão
Com a Série A paralisada até meados de julho, o Sport tem cerca de 40 dias para trabalhar na recuperação. A diretoria planeja intensificar os treinamentos e realizar amistosos para testar novas formações. A chegada de reforços é outro ponto central, com o clube buscando jogadores experientes para suprir as carências do elenco.
A escolha do novo treinador será decisiva. Nomes como Fábio Carille, que esteve em negociação com o Sport em maio, podem voltar à pauta, mas a diretoria mantém cautela nas tratativas. O objetivo é claro: sair da lanterna e garantir a permanência na Série A, uma tarefa que exige união entre jogadores, comissão técnica e torcida.
A torcida como fator decisivo
A torcida do Sport, mesmo em meio à crise, continua sendo um dos maiores trunfos do clube. A Ilha do Retiro, com média de público superior a 20 mil torcedores por jogo, é um caldeirão que pode fazer a diferença na luta contra o rebaixamento. A paixão dos rubro-negros, demonstrada em apoio e cobranças, será fundamental para o próximo capítulo da temporada.
O clube, ciente do peso da torcida, trabalha para reconquistar a confiança dos torcedores. A demissão de António Oliveira é apenas o primeiro passo em um processo que exige resultados concretos dentro de campo. A retomada do Brasileirão, em julho, será um teste crucial para o futuro do Leão na elite do futebol brasileiro.
