A greve de ônibus em Florianópolis, iniciada na madrugada desta quinta-feira, 12 de junho de 2025, suspendeu cerca de 50% das operações do transporte coletivo, com forte impacto na região Norte da cidade. Linhas operadas pelas empresas Transol e Canasvieiras, além de diversas rotas que atendem bairros como Ingleses, Canasvieiras e Rio Vermelho, não funcionaram até pelo menos 9h30. A paralisação, liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb), ocorre após a rejeição de uma proposta salarial apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis (Setuf). Os trabalhadores exigem, entre outros pontos, a volta de cobradores nos coletivos, já que muitos motoristas acumulam funções. A prefeitura anunciou medidas como a autorização de vans privadas para minimizar transtornos, mas até o momento, esses veículos não começaram a operar. O movimento, descrito como uma “jornada de lutas”, pode se estender com paralisações intermitentes ao longo do dia.
A mobilização pegou muitos moradores desprevenidos, especialmente em um período de alta movimentação no comércio local, às vésperas do Dia dos Namorados. A ausência de ônibus em áreas estratégicas gerou longas filas em pontos de embarque e desorientação entre os usuários. A Guarda Municipal foi acionada para organizar o trânsito, enquanto a população busca alternativas para se deslocar.
Os trabalhadores do transporte coletivo, reunidos em assembleia na quarta-feira, 11 de junho, decidiram pela greve após intensas negociações com as empresas. A categoria alega que as condições de trabalho estão sobrecarregadas, com motoristas desempenhando múltiplas funções, o que compromete a segurança e a qualidade do serviço.
- Principais reivindicações dos trabalhadores:
- Retorno dos cobradores para aliviar a carga dos motoristas.
- Ajuste salarial que contemple a inflação e melhores benefícios.
- Melhoria nas condições de trabalho, incluindo pausas adequadas.
- Garantia de manutenção da frota para segurança dos usuários.
O impacto da paralisação se reflete não apenas na mobilidade, mas também na economia local, com lojistas relatando queda no movimento devido à dificuldade de acesso dos clientes.
Origem do movimento grevista
A decisão pela greve foi tomada após uma assembleia marcada por debates acalorados entre os trabalhadores do transporte coletivo. O Sintraturb, representando a categoria, rejeitou a proposta do Setuf, que, segundo as empresas, oferecia “um dos melhores padrões de remuneração do setor no país”. Dionísio Linder, presidente do sindicato, destacou que a paralisação é uma resposta à falta de diálogo efetivo com as empresas e à sobrecarga de trabalho enfrentada pelos motoristas.
A proposta rejeitada incluía um reajuste salarial, mas não atendia à principal demanda da categoria: a recontratação de cobradores. Nos últimos anos, muitas linhas de Florianópolis passaram a operar com motoristas assumindo tanto a condução quanto a cobrança de passagens, prática que os trabalhadores consideram exaustiva e arriscada.
A assembleia, realizada no final da tarde de quarta-feira, contou com a participação de centenas de motoristas e cobradores, que aprovaram a “jornada de lutas” por ampla maioria. A estratégia de paralisações intermitentes, segundo o sindicato, visa pressionar as empresas sem causar um colapso total no sistema de transporte.
Linhas afetadas pela paralisação
A suspensão das operações atingiu principalmente as linhas que conectam o Terminal de Integração de Canasvieiras (TICAN) e outros pontos da região Norte ao centro da cidade. Até as 9h30, pelo menos 60 linhas permaneciam inativas, incluindo rotas convencionais e executivas.
- Linhas paralisadas incluem:
- N-260: Cachoeira do Bom Jesus
- N-264: Santinhos via Ingleses
- N-267: Rio Vermelho
- E-1120: Executivo Canasvieiras
- M-230: TICAN – Gama D’Eça via TITRI
A paralisação também afetou linhas que atendem bairros como Jurerê, Daniela e Vargem Grande, áreas com grande fluxo de turistas e trabalhadores. Usuários relataram dificuldades para acessar o centro da cidade, com muitos recorrendo a aplicativos de transporte, que registraram aumento nos preços devido à alta demanda.
Resposta da prefeitura e medidas emergenciais
A Prefeitura de Florianópolis informou que está acompanhando a situação e trabalha para reduzir os impactos da greve. Uma das medidas anunciadas é a liberação de vans privadas para operar como transporte alternativo. No entanto, até o final da manhã, essas vans ainda não estavam em circulação, o que gerou críticas de moradores nas redes sociais.
A Guarda Municipal foi mobilizada para gerenciar o trânsito em pontos críticos, como a SC-401, onde o fluxo de veículos particulares aumentou significativamente. A administração municipal também informou que está em contato com o Setuf e o Sintraturb para mediar as negociações e buscar uma solução rápida para o impasse.
Histórico de paralisações em Florianópolis
Greves no transporte coletivo de Florianópolis não são frequentes, mas têm histórico de causar transtornos significativos. A última paralisação de grande porte ocorreu há seis anos, em 2019, quando os trabalhadores também reivindicavam melhores condições salariais e de trabalho. Na ocasião, a greve durou dois dias e foi encerrada após um acordo mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho.
Diferentemente de outros movimentos, a paralisação de 2025 adota um modelo de suspensões intermitentes, o que dificulta a previsão de horários e linhas afetadas. Essa estratégia, segundo analistas, aumenta a pressão sobre as empresas, mas também gera incertezas para os usuários do transporte público.
Impacto econômico e social
A paralisação ocorre em um momento delicado para o comércio de Florianópolis, que se prepara para o Dia dos Namorados, uma das datas mais importantes para o varejo. Lojistas do centro e de shoppings na região Norte relatam queda no movimento, já que muitos consumidores dependem do transporte coletivo para se deslocar.
Além disso, trabalhadores de setores como saúde e educação enfrentam dificuldades para chegar aos locais de trabalho. Em hospitais, por exemplo, houve relatos de atrasos de funcionários, embora os serviços essenciais tenham sido mantidos.
- Setores mais afetados:
- Comércio varejista, com redução no fluxo de clientes.
- Turismo, devido à dificuldade de acesso a praias e hotéis.
- Serviços essenciais, com atrasos de trabalhadores.
Negociações em andamento
As negociações entre o Sintraturb e o Setuf continuam, mas não há previsão para um acordo. O sindicato dos trabalhadores afirmou que novas assembleias serão realizadas ao longo do dia para avaliar os próximos passos do movimento. Enquanto isso, as empresas de transporte insistem que a proposta apresentada é competitiva e pedem a retomada das operações.
A prefeitura, por sua vez, informou que acionará a Justiça, se necessário, para garantir o funcionamento mínimo do transporte coletivo, conforme determina a legislação. A Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989) exige que pelo menos 30% do serviço seja mantido em atividades essenciais, mas o cumprimento dessa regra ainda não foi verificado na manhã desta quinta-feira.
Alternativas para os usuários
Com a paralisação, muitos moradores têm buscado opções para se deslocar. Aplicativos de transporte, como Uber e 99, registraram alta demanda, mas os preços elevados tornaram essa alternativa inviável para parte da população. Outros optaram por caronas ou bicicletas, embora a infraestrutura cicloviária da cidade ainda seja limitada em algumas áreas.
- Opções de deslocamento:
- Caronas organizadas entre colegas de trabalho.
- Uso de bicicletas em trechos com ciclovias.
- Caminhadas para destinos próximos.
A falta de informações claras sobre a retomada das linhas tem gerado frustração entre os usuários, que cobram maior transparência do Consórcio Fênix e da prefeitura.
Cenário para as próximas horas
A expectativa é que novas paralisações ocorram ao longo do dia, conforme anunciado pelo Sintraturb. Dionísio Linder reforçou que o movimento pode se intensificar caso as empresas não apresentem uma proposta que atenda às demandas da categoria. Enquanto isso, os moradores de Florianópolis seguem acompanhando as atualizações para planejar seus deslocamentos.
A Guarda Municipal permanecerá nas ruas para orientar o trânsito, e a prefeitura prometeu divulgar novas medidas para mitigar os impactos. Até o momento, a normalização do transporte coletivo segue sem prazo definido.
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