Irã-Israel: Tel Aviv e Jerusalém enfrentam onda de mísseis e população corre para bunkersPor Maria
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Explosões sacudiram Tel Aviv e Jerusalém na noite de quinta-feira, 12 de junho de 2025, quando o Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel, intensificando um conflito que ameaça desestabilizar o Oriente Médio. As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram alertas urgentes, orientando a população a buscar abrigo em bunkers enquanto sistemas de defesa antimísseis entravam em ação. O ataque, segundo o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC), visou bases militares e centros industriais estratégicos, em retaliação a uma ofensiva israelense contra instalações militares iranianas horas antes. A troca de ataques diretos, inédita em escala, ocorre em um momento de fragilidade do regime iraniano, com aliados regionais enfraquecidos e pressões internas crescentes. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu uma resposta severa, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Irã pagará um “preço elevado” pela agressão.
A escalada começou após Israel atacar alvos militares iranianos, incluindo uma usina de enriquecimento de urânio em Natanz, considerada o coração do programa nuclear do país. A ofensiva, batizada de “Nação de Leões”, foi descrita por Netanyahu como uma ação preventiva para deter o avanço nuclear iraniano, que, segundo estimativas israelenses, poderia produzir até 15 ogivas nucleares em poucos dias. A tensão, que já vinha crescendo com ataques anteriores, como o assassinato de líderes do Hezbollah e do Hamas, aliados do Irã, atingiu um novo patamar com a resposta iraniana.
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Os mísseis iranianos, lançados em várias ondas, causaram pelo menos 40 feridos em Israel, conforme relatórios de três hospitais locais. Sirenes ecoaram por todo o território, e imagens de Tel Aviv mostraram colunas de fumaça após impactos. As FDI afirmaram que a maioria dos projéteis foi interceptada, mas a intensidade do ataque expôs a gravidade do confronto.
- Alvos estratégicos: O Irã alega ter atingido centros militares-industriais usados para fabricar mísseis e equipamentos de defesa.
- Resposta imediata: Israel mobilizou 200 aviões de guerra e sistemas de defesa como o Domo de Ferro para conter a ofensiva.
- Impacto inicial: Explosões foram reportadas em áreas urbanas, com danos a infraestruturas em Tel Aviv e Jerusalém.
- População em alerta: Milhares de civis buscaram abrigo em bunkers, seguindo ordens das autoridades.
Fragilidade iraniana exposta
O Irã enfrenta um momento de vulnerabilidade sem precedentes, o que pode ter motivado a resposta agressiva. Nos últimos meses, seus principais aliados regionais sofreram derrotas significativas. O Hezbollah, outrora a mais poderosa força não estatal do Oriente Médio, perdeu sua liderança, incluindo Hassan Nasrallah, e grande parte de seu arsenal em bombardeios israelenses no sul do Líbano. Na Síria, a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, aliada a ataques contra milícias pró-Irã, reduziu a influência de Teerã na região. Em Gaza, o Hamas e a Jihad Islâmica, apoiados financeiramente pelo Irã, continuam enfraquecidos pela guerra contra Israel.
Além disso, a morte de figuras-chave da Guarda Revolucionária, como o general Mohammad Reza Zahedi, em um ataque ao consulado iraniano em Damasco, marcou o início de confrontos diretos entre os dois países. Essas perdas, combinadas com operações de inteligência que eliminaram comandantes da Força Quds, comprometeram a capacidade de coordenação das forças iranianas e de seus aliados.
Internamente, o regime enfrenta desafios crescentes. Sanções internacionais mantêm a economia sob pressão, com alta inflação e protestos esporádicos desde 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini. A repressão governamental não conseguiu sufocar completamente a insatisfação popular, e a infiltração de espiões israelenses, que realizaram ataques cirúrgicos contra alvos militares, expôs fragilidades na segurança iraniana.
Motivações de Israel para o ataque
A decisão de Israel de atacar instalações iranianas reflete um cálculo estratégico. O governo de Netanyahu avaliou que o Irã, com seus aliados regionais dizimados, estava em seu momento mais fraco em décadas. A ofensiva contra Natanz e outros alvos militares foi planejada para explorar essa vulnerabilidade, visando retardar o programa nuclear iraniano, que Israel considera uma ameaça existencial.
A escolha do momento também foi influenciada por fatores políticos. Negociações entre Irã e Estados Unidos, mediadas por Omã, buscavam um novo acordo nuclear, algo que Israel via com desconfiança. Para Netanyahu, um ataque preventivo poderia inviabilizar qualquer pacto que não removesse completamente o urânio enriquecido iraniano, garantindo a segurança do país.
Além disso, a ação militar fortalece a posição de Netanyahu internamente. Enfrentando protestos e investigações por falhas de segurança antes dos ataques do Hamas em outubro de 2023, o premiê usa o conflito para manter apoio doméstico, mesmo que isso signifique arriscar uma escalada regional.
Resposta iraniana e retórica de Khamenei
O Irã, por sua vez, busca reafirmar sua posição no cenário regional. O aiatolá Ali Khamenei, em pronunciamento após os ataques israelenses, declarou que o “regime sionista” enfrentará consequências severas. A retórica de Khamenei reflete a necessidade de projetar força, especialmente após as perdas de aliados como o Hezbollah e o Hamas.
O IRGC afirmou que os mísseis lançados atingiram “alvos estratégicos” com precisão, baseando-se em imagens de satélite e inteligência interceptada. No entanto, analistas questionam a eficácia dos ataques, já que os sistemas de defesa de Israel, como o Domo de Ferro, interceptaram a maioria dos projéteis. Ainda assim, a capacidade do Irã de lançar múltiplas ondas de mísseis demonstra que seu programa de mísseis balísticos, considerado o maior do Oriente Médio, segue operacional, apesar das sanções e sabotagens.
- Arsenal iraniano: O país possui mais de 3.000 mísseis balísticos, incluindo modelos de longo alcance capazes de atingir Israel.
- Alvos declarados: Centros militares-industriais e bases aéreas foram prioritários, segundo o IRGC.
- Limitações defensivas: As defesas aéreas iranianas mostraram fragilidades, permitindo que aviões israelenses operassem com relativa liberdade.
- Retaliação prometida: Khamenei enfatizou que a resposta iraniana será “significativa” e coordenada.
Reações internacionais
A comunidade internacional acompanha a escalada com preocupação. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, declararam que o ataque israelense foi uma decisão unilateral, mas reafirmaram seu compromisso com a segurança do país. A evacuação de pessoal não essencial da embaixada americana em Bagdá e alertas para cidadãos americanos deixarem a região indicam temores de retaliações iranianas contra alvos ocidentais.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que a usina de Natanz foi atingida, mas não registrou contaminação química ou aumento nos níveis de radiação. O chefe da AIEA, Rafael Grossi, pediu moderação para evitar um desastre nuclear. Países como Rússia e China, aliados do Irã, condenaram a ação israelense, enquanto potências europeias apelaram por negociações para conter o conflito.
Danos e impacto imediato
Os ataques mútuos deixaram marcas em ambos os lados. Em Israel, os 40 feridos relatados incluem civis atingidos por estilhaços e destroços. Prédios em Tel Aviv e Jerusalém sofreram danos, mas a rápida resposta das FDI minimizou perdas maiores. A população, embora acostumada a alertas de sirenes, enfrenta crescente ansiedade, com muitos estocando suprimentos em antecipação a novos ataques.
No Irã, a ofensiva israelense causou a morte de figuras-chave, incluindo Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária, e Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. A perda desses líderes é um golpe significativo para o regime, que já lidava com a eliminação de cientistas nucleares, como Fereydoon Abbasi, ex-chefe da agência nuclear iraniana.
Programa nuclear no centro do conflito
O programa nuclear iraniano permanece no epicentro da crise. Iniciado nos anos 1950 com apoio ocidental, o programa ganhou contornos militares após a Revolução Islâmica de 1979. Apesar de Teerã negar intenções bélicas, a AIEA relatou que o Irã possui urânio enriquecido a 60%, próximo do nível necessário para armas nucleares (90%). A usina de Natanz, principal alvo israelense, abriga centrífugas avançadas, e sua destruição parcial pode atrasar o enriquecimento por meses, segundo especialistas.
Outras instalações, como Fordow, escavada em uma montanha, são mais protegidas e continuam operando. A AIEA estima que o Irã poderia produzir material para quatro a seis bombas rudimentares em semanas, caso decidisse militarizar seu programa. Essa possibilidade alimenta a urgência de Israel em agir, mesmo enfrentando críticas internacionais.
Vulnerabilidades de defesa
A ofensiva israelense expôs fraquezas nas defesas aéreas iranianas. Analistas apontam que a ausência de caças modernos, como os Sukhoi Su-35 prometidos pela Rússia, e a dependência de sistemas antiaéreos obsoletos dificultaram a resposta de Teerã. Israel, por outro lado, conta com aviões F-35 furtivos e um robusto sistema de defesa, o que lhe confere superioridade aérea.
- Defesas iranianas: Sistemas como o S-300 mostraram-se insuficientes contra os ataques precisos de Israel.
- Superioridade israelense: Aviões furtivos e drones avançados permitiram ataques com mínima resistência.
- Apoio ocidental: A colaboração com os EUA reforça a capacidade defensiva de Israel.
Tensões regionais ampliadas
O conflito direto entre Irã e Israel reacende temores de uma guerra regional. A dizimação de grupos como o Hezbollah e o Hamas, aliados do Irã, reduz a capacidade de Teerã de operar por meio de proxies, forçando-o a confrontos diretos. A Síria, agora sem Assad, tornou-se um vácuo de poder, complicando ainda mais a estratégia iraniana.
Enquanto isso, países vizinhos, como Jordânia e Arábia Saudita, que auxiliaram Israel na interceptação de mísseis, sinalizam um realinhamento de alianças no Oriente Médio. Essa coalizão informal contra o Irã fortalece a posição de Israel, mas também aumenta o risco de polarização regional.
Preparativos civis em Israel
Em Israel, a vida cotidiana foi novamente interrompida. Escolas suspenderam aulas, e o espaço aéreo foi temporariamente fechado. A população, orientada a permanecer perto de abrigos, revive memórias de conflitos anteriores, como a guerra de 2006 com o Hezbollah. A resiliência dos israelenses é testada, mas o medo de uma escalada prolongada cresce.
No Irã, a situação não é diferente. A mídia estatal minimiza os danos, mas imagens de fumaça em Teerã e a morte de líderes militares alimentam a indignação popular. A promessa de retaliação por parte do governo mantém a população em alerta, enquanto a crise econômica agrava as tensões internas.















