Adalberto Amarilio dos Santos Junior, empresário de 35 anos, foi assassinado por asfixia no Autódromo de Interlagos, São Paulo, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML) divulgado em 17 de junho de 2025. Desaparecido desde 30 de maio, após participar do Festival Interlagos 2025: Edição Moto, seu corpo foi encontrado em 3 de junho, em um buraco de obra próximo ao kartódromo. A Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), passou a investigar o caso como homicídio após a perícia indicar escoriações no pescoço, sugerindo esganadura ou compressão torácica. O crime, ocorrido entre 24 e 48 horas antes da descoberta, intriga pela ausência de sinais de luta e pela peculiaridade do local. A investigação foca em seguranças do evento e um amigo, Rafael Aliste, que relatou consumo de álcool e maconha, contradito pelo laudo toxicológico.
O empresário, dono de óticas em Osasco e Barueri, era tricampeão paulista de kart e participava do campeonato amador Grakar. Sua morte chocou familiares e amigos, que o descrevem como reservado e sem inimigos. A polícia analisa manchas de sangue no carro da vítima e busca imagens de câmeras para esclarecer o caso.
- Fatos iniciais do caso:
- Corpo encontrado em buraco de obra em 3 de junho.
- Desaparecimento após evento de motos em 30 de maio.
- Laudo do IML aponta asfixia como causa da morte.
- Investigação agora tratada como homicídio pelo DHPP.
A ausência de drogas ou álcool no organismo de Adalberto diverge do depoimento de Rafael, intensificando as suspeitas.
Escoriações e causa da morte
O laudo do IML revelou que Adalberto sofreu asfixia, com escoriações no pescoço compatíveis com esganadura ou compressão torácica, possivelmente por um golpe como o “mata-leão” ou pressão com o joelho. A ausência de fraturas ou traumas evidentes sugere que o empresário foi colocado no buraco já inconsciente ou morto. A compressão torácica, causada pelo espaço reduzido do buraco de 2 a 3 metros de profundidade e 40 cm de diâmetro, pode ter contribuído para a morte.
O exame toxicológico não detectou álcool ou drogas, contrariando o relato de Rafael Aliste, que afirmou que Adalberto consumiu cerveja e maconha durante o evento. A delegada Ivalda Aleixo, do DHPP, considerou o depoimento de Rafael inconsistente, destacando que substâncias depressoras como maconha não explicam a “euforia” descrita. A perícia também não encontrou esperma ou sinais de violência sexual, mas identificou uma lesão superficial no joelho, cuja origem ainda é investigada.
A análise de material sob as unhas de Adalberto, que poderia indicar luta, está pendente, assim como o exame de DNA do sangue encontrado no carro da vítima, em pontos como a porta, o assoalho e os bancos. A polícia estima que o crime ocorreu entre 24 e 48 horas antes da descoberta do corpo, com base no estado de decomposição.
- Detalhes do laudo:
- Asfixia confirmada como causa da morte.
- Escoriações no pescoço sugerem esganadura ou compressão.
- Sem álcool ou drogas no organismo de Adalberto.
- Lesão superficial no joelho, origem sob investigação.
- Exames de DNA e unhas ainda pendentes.
Circunstâncias do crime
Adalberto desapareceu após o Festival Interlagos 2025, realizado entre 29 de maio e 1º de junho. Ele chegou ao autódromo por volta das 12h30 de 30 de maio, vestindo boné, camiseta preta, calça jeans e tênis, conforme imagens de câmeras. Às 19h48, enviou uma mensagem à esposa, Fernanda Dândalo, dizendo que jantaria em casa, mas não respondeu à réplica dela às 21h12, indicando que seu celular já estava desligado.
O empresário foi encontrado sem calça, tênis ou meias, mas com capacete, celular e carteira, que continha dinheiro e cartões, descartando latrocínio. A jaqueta, avaliada em R$ 3.000, permaneceu com o corpo, enquanto uma câmera GoPro acoplada ao capacete desapareceu, levantando suspeitas de que poderia conter imagens do crime. A calça encontrada nas proximidades não pertencia a Adalberto, conforme confirmado pela esposa.
O buraco, parte de uma obra da Prefeitura de São Paulo, estava isolado por tapumes e barreiras, sugerindo que quem colocou o corpo conhecia o local. A polícia acredita que Adalberto foi carregado até o buraco, já que seus pés e cueca estavam limpos, sem sinais de arrasto ou terra.
Investigação focada em seguranças
A principal linha de investigação aponta para um confronto com seguranças do evento. Adalberto teria tentado acessar uma área restrita para chegar ao seu carro, estacionado irregularmente no kartódromo, possivelmente para evitar pagar o estacionamento oficial. A polícia suspeita que uma discussão evoluiu para violência, com o empresário sofrendo um golpe que causou compressão torácica, como pressão no tórax ou um “mata-leão”.
Sete seguranças, entre os 188 que trabalharam no evento, já foram ouvidos, mas a polícia planeja interrogar pelo menos metade do grupo. A área restrita, próxima ao kartódromo, era vigiada, e o conhecimento do local pelo agressor é uma pista crucial. A reconstituição do trajeto de Adalberto, com croquis em 3D e análise de câmeras, indica que ele não chegou ao carro, reforçando a tese de que o crime ocorreu no caminho.
Outra hipótese, menos provável, sugere um golpe “boa noite, Cinderela” aplicado no veículo, mas a presença de sangue em quatro pontos do carro – porta, assoalho e bancos – ainda não foi vinculada ao crime, aguardando exames de DNA.
Depoimento de Rafael Aliste
Rafael Aliste, amigo que acompanhou Adalberto no evento, é uma testemunha-chave. Ele relatou que se despediu do empresário por volta das 21h, após consumirem cerveja e maconha, e chegou ao seu condomínio às 23h, conforme imagens de segurança. No entanto, a delegada Ivalda Aleixo apontou “falhas e lacunas” no depoimento inicial, levando Rafael a prestar uma nova oitiva de seis horas em 12 de junho, submetido a perfilamento criminal.
Apesar das inconsistências, a polícia não considera Rafael suspeito, mas acredita que ele omitiu informações relevantes. A contradição entre seu relato de consumo de substâncias e o laudo toxicológico intensificou as suspeitas. A análise comportamental, realizada pelo Núcleo de Análise do DHPP, busca esclarecer o que Rafael pode estar escondendo.
Perfil de Adalberto Junior
Adalberto era dono da rede Óticas Angela, com unidades em Osasco e Barueri, e se apresentava como optometrista e empreendedor. Apaixonado por automobilismo, era tricampeão paulista de kart e competia no campeonato amador Grakar, ocupando a 18ª posição com 78 pontos após quatro rodadas em 2025. Nas redes sociais, compartilhava fotos de corridas, motos e viagens com a esposa, Fernanda Dândalo.
Familiares e amigos o descreviam como reservado, sem inimigos ou dívidas, e dedicado a causas sociais, como arrecadações para instituições. Em 2024, Adalberto e Fernanda foram ameaçados com uma faca por um vizinho em Alphaville, Barueri, registrando um boletim de ocorrência. A polícia investiga se o incidente tem relação com o crime, embora não haja evidências claras.
Manchas de sangue no carro
A descoberta de sangue no carro de Adalberto, em 7 de junho, é uma pista central. As manchas, encontradas na porta, no assoalho traseiro, atrás do banco do passageiro e no banco de trás, são humanas, mas ainda não foram identificadas como pertencentes à vítima. A polícia solicitou um exame de DNA para confirmar a origem, mas os resultados seguem pendentes.
O veículo, estacionado no kartódromo, não apresentou sinais de movimentação após o desaparecimento, sugerindo que Adalberto não chegou a ele. A presença de sangue reforça a tese de que o crime ocorreu fora do carro, com o corpo sendo transportado posteriormente. A ausência de sinais de luta no corpo da vítima complica a ligação direta com as manchas.
Local do crime e festival Interlagos
O Festival Interlagos 2025: Edição Moto, realizado entre 29 de maio e 1º de junho, atraiu milhares de pessoas ao autódromo. Adalberto participou de test rides e shows, interagindo com amigos e desconhecidos até as 21h15, quando se despediu para buscar o carro. O evento contava com 188 seguranças, incluindo profissionais do autódromo, kartódromo e contratados.
A obra onde o corpo foi encontrado, na Avenida Jacinto Júlio, era isolada e ficava a 200 metros do estacionamento. A Prefeitura de São Paulo confirmou que o local estava sinalizado, dificultando o acesso casual. A polícia usa drones e scanners 3D para mapear o trajeto de Adalberto, mas a ausência de câmeras no trecho final limita a investigação.
Depoimentos e testemunhas
Além de Rafael, a polícia ouviu 15 testemunhas, incluindo a esposa de Adalberto, três organizadores do evento e cinco seguranças. Fernanda Dândalo relatou o último contato às 19h48 e a tentativa de rastrear o celular, que indicava o autódromo. Os organizadores forneceram imagens de câmeras dos portões, mas não capturaram o momento do crime.
A polícia também investiga um incidente anterior, em 18 de março de 2024, quando Adalberto e Fernanda foram ameaçados por um vizinho em Alphaville. Embora o caso tenha gerado um boletim de ocorrência, não há indícios de conexão direta com o homicídio.
Avanços periciais pendentes
A investigação aguarda três laudos cruciais: o toxicológico, já concluído, que descartou substâncias; o necroscópico, que confirmou asfixia; e o de DNA do sangue no carro. O exame subungueal, que analisa material sob as unhas, pode indicar luta, mas ainda não foi finalizado. A perícia também analisa uma segunda calça encontrada em 5 de junho, que não pertence à vítima.
A polícia usa técnicas avançadas, como perfilamento criminal e croquis 3D, para reconstruir o crime. A ausência de sinais de luta e a posição do corpo – em pé, com mãos para cima – sugerem que Adalberto foi colocado no buraco sem resistência, reforçando a tese de inconsciência prévia.
- Laudos pendentes:
- Exame de DNA do sangue no carro.
- Análise subungueal para sinais de luta.
- Perícia da segunda calça encontrada.
- Croquis 3D do trajeto de Adalberto.

