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A onda de frio que castiga Santa Catarina atingiu seu ápice na madrugada desta terça-feira, 24 de junho de 2025, quando Urupema, conhecida como a Capital Nacional do Frio, registrou -8,06°C às 4h, marcando a menor temperatura do ano no estado. A sensação térmica na cidade chegou a impressionantes -29°C, segundo dados da Epagri/Ciram, órgão responsável pelo monitoramento climático. A Defesa Civil estadual confirmou a formação de geada em diversas regiões e a interdição da Serra do Rio do Rastro devido ao congelamento da pista. O fenômeno, impulsionado por uma intensa massa de ar polar, elevou o risco de ocorrências como hipotermia e acidentes em rodovias. O frio extremo, que afeta especialmente a Serra Catarinense, Oeste e Planalto, reflete a terceira onda polar de 2025 no Brasil.

O impacto do frio foi sentido em todo o estado, com temperaturas abaixo de 10°C em todos os pontos monitorados pela Epagri às 6h. Em Florianópolis, no Norte da Ilha, os termômetros marcaram 8,5°C, enquanto Criciúma, no Sul, registrou apenas 2°C ao amanhecer. A combinação de temperaturas negativas e umidade favoreceu a formação de geada branca em áreas como Chapecó e geada negra na Serra, um fenômeno que provoca a morte de vegetação devido ao frio intenso. A interdição da Serra do Rio do Rastro, um ponto turístico emblemático, exigiu a aplicação de sal na pista para conter o gelo, mas a Polícia Militar Rodoviária não informou um prazo para a reabertura.

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As condições climáticas adversas levaram a Defesa Civil a emitir um alerta vermelho para frio intenso, destacando os riscos à saúde, como agravamento de doenças cardiorrespiratórias e hipotermia, especialmente para idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. A onda de frio, que começou a se intensificar no domingo, 22 de junho, após a passagem de uma frente fria, deve persistir até a manhã de quarta-feira, 25, com mínimas ainda mais baixas previstas em algumas regiões.

  • Principais impactos do frio em SC:
    • Interdição de rodovias, como a Serra do Rio do Rastro, por gelo na pista.
    • Formação de geada branca e negra, afetando vegetação e agricultura.
    • Risco elevado de problemas de saúde, como hipotermia e doenças respiratórias.
    • Temperaturas negativas em 30 cidades, com recorde em Urupema.

O recorde de Urupema e a força da massa polar

A temperatura de -8,06°C em Urupema superou a marca anterior de -6,5°C registrada em São Joaquim no dia 11 de junho, consolidando 2025 como um ano de frio excepcional na Serra Catarinense. Segundo meteorologistas da Epagri/Ciram, o Morro das Torres, onde a estação de monitoramento está localizada, pode ter batido um recorde histórico para o mês de junho, embora os dados ainda estejam em verificação. A massa de ar polar, vinda do Sul do continente, é uma das mais intensas dos últimos anos, com potencial para derrubar os termômetros a valores ainda mais extremos em pontos mais altos, como o Morro da Igreja, em Urubici, que está fora da rede de monitoramento.

Outras cidades da Serra também enfrentaram temperaturas negativas. Urubici registrou -6,75°C, enquanto São Joaquim marcou -5,73°C às 4h. Até mesmo regiões menos acostumadas ao frio, como Água Doce, no Oeste, atingiram -4,73°C. A formação de geada foi generalizada, cobrindo campos, carros e telhados com uma fina camada de gelo. Em Bom Jardim da Serra, objetos expostos ao ar livre ficaram envoltos em gelo, criando paisagens típicas de um inverno rigoroso. Apesar das condições extremas, não houve registros de neve nesta terça-feira, ao contrário do evento de 29 de maio, quando a Serra do Rio do Rastro foi coberta por uma nevasca.

Geada no interior de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, nesta terça-feira — Foto: Dete Zandaval/Arquivo Pessoal
Geada no interior de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, nesta terça-feira — Foto: Dete Zandaval/Arquivo Pessoal

Riscos nas rodovias e medidas de segurança

A interdição da Serra do Rio do Rastro, na SC-390, às 5h45, foi uma das consequências mais visíveis do frio extremo. A pista, conhecida por suas curvas sinuosas e altitude de mais de 1.460 metros, ficou escorregadia devido ao congelamento, representando um risco para motoristas. Equipes da Polícia Militar Rodoviária jogaram sal na rodovia para derreter o gelo, mas a reabertura depende das condições climáticas. A Defesa Civil alertou para o risco de acidentes em outras estradas, especialmente nas áreas altas do Planalto Sul e Norte, onde o gelo pode se formar mesmo durante o dia.

Além da Serra do Rio do Rastro, outras rodovias estaduais enfrentaram problemas. Em Lages, motoristas relataram dificuldades devido à baixa visibilidade causada por nevoeiros densos, um fenômeno comum durante o inverno catarinense. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil recomendou que os motoristas redobrem a atenção e evitem viagens desnecessárias nas primeiras horas da manhã, quando as temperaturas são mais baixas.

  • Medidas para enfrentar o frio nas estradas:
    • Reduzir a velocidade em trechos com gelo ou nevoeiro.
    • Verificar as condições dos pneus e sistemas de aquecimento do veículo.
    • Consultar atualizações da Polícia Militar Rodoviária antes de viajar.
    • Evitar dirigir em horários de maior risco, como madrugada e amanhecer.

Impactos na agricultura e na saúde

O frio intenso trouxe desafios para a agricultura, especialmente na Serra Catarinense, onde a geada negra danificou plantações. Esse fenômeno, que ocorre quando o frio é tão severo que impede a formação de cristais de gelo visíveis, causou a morte de vegetais em cidades como São Joaquim e Urupema. Produtores locais, que cultivam maçãs, uvas e hortaliças, já começaram a avaliar os prejuízos, que podem impactar a safra de 2025. No Oeste, a geada branca também afetou pastagens, preocupando pecuaristas.

Na saúde, o alerta da Defesa Civil destacou a vulnerabilidade de grupos como idosos, crianças e pessoas em situação de rua. Hospitais em cidades como Lages e Florianópolis registraram um aumento na procura por atendimento devido a problemas respiratórios agravados pelo frio. A recomendação é manter ambientes aquecidos, usar roupas adequadas e evitar exposição prolongada ao ar livre. Para pessoas em situação de vulnerabilidade, prefeituras de cidades como Urupema e São Joaquim abriram abrigos temporários, oferecendo cobertores e refeições quentes.

Previsão para os próximos dias

Meteorologistas preveem que o frio intenso deve persistir até a manhã de quarta-feira, 25 de junho, com mínimas entre -4°C e -6°C nas regiões do Oeste, Planalto e Alto Vale do Itajaí. No Litoral, as temperaturas ficarão próximas de 0°C, com chance de nevoeiros densos. A partir de quinta-feira, 26, a massa polar começa a perder força, e as máximas podem alcançar 15°C em algumas áreas. No entanto, uma nova onda de frio está prevista para o início de julho, mantendo o inverno de 2025 entre os mais rigorosos dos últimos anos.

A Epagri/Ciram destacou que o inverno deste ano tem sido marcado por episódios curtos, mas muito intensos, de frio, alternados com períodos mais amenos. A neutralidade climática, sem influência de El Niño ou La Niña, favorece a chegada de massas polares mais fortes, especialmente em junho e julho. Para os próximos dias, a recomendação é que a população acompanhe os boletins meteorológicos e se prepare para temperaturas ainda baixas.

  • Precauções contra o frio extremo:
    • Usar roupas quentes em camadas para manter o calor corporal.
    • Proteger extremidades, como mãos e pés, com luvas e meias grossas.
    • Evitar o uso inadequado de aquecedores para prevenir acidentes domésticos.
    • Garantir hidratação, mesmo com temperaturas baixas, para evitar desidratação.
    • Acompanhar alertas da Defesa Civil via SMS (enviando o CEP para 40199).

Histórico de frio em Santa Catarina

Santa Catarina é conhecida por registrar algumas das temperaturas mais baixas do Brasil. Em 1952, Caçador, no Meio-Oeste, marcou -14°C, a menor temperatura já registrada no país. Mais recentemente, em 30 de junho de 2024, Urupema atingiu -7,2°C, consolidando sua fama como a cidade mais fria do Brasil. O inverno de 2025, no entanto, já se destaca pela frequência de temperaturas negativas, com 30 cidades registrando valores abaixo de zero nesta terça-feira.

A combinação de altitude, localização geográfica e influência de massas polares faz da Serra Catarinense uma região propensa a recordes de frio. Cidades como Urupema, São Joaquim e Urubici atraem turistas em busca de paisagens geladas, mas também enfrentam desafios logísticos e sociais durante o inverno. A infraestrutura local, incluindo redes elétricas e abastecimento de água, frequentemente sofre com o congelamento, exigindo esforços das autoridades para minimizar impactos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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