Padrasto confessa assassinato de Larissa Manuela com 16 facadas em São Paulo

Em Barueri, na Grande São Paulo, Diego Sanches, padrasto de Larissa Manuela, de 10 anos, confessou ter assassinado a menina com 16 facadas no dia 12 de junho de 2025. O crime, que chocou a população local, ocorreu dentro da casa da família, no bairro Jardim Tupã. A confissão foi feita na segunda-feira, 23 de junho, após a Polícia Civil apresentar novas evidências. Larissa foi encontrada morta pela mãe, com ferimentos no pescoço e tórax, em um caso que mobilizou investigações intensas. A motivação, segundo o delegado, estaria ligada a desavenças pessoais, incluindo um xingamento feito pela menina.

A tragédia abalou a comunidade de Barueri, cidade conhecida por sua tranquilidade relativa na região metropolitana. O caso ganhou destaque pela brutalidade e pela relação familiar entre vítima e agressor. Diego, que inicialmente negou envolvimento, foi pressionado por provas como imagens de câmeras de segurança e um bilhete de pedido de perdão à mãe da vítima.

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As investigações revelaram detalhes que apontavam para Diego desde o início. A ausência de sinais de arrombamento na residência reforçou a hipótese de que o criminoso tinha acesso à casa. Além disso, a faca usada no crime, que pertencia à família, desapareceu, sugerindo premeditação.

  • Principais evidências levantadas pela polícia:
    • Imagens de câmeras de segurança mostrando Diego nas proximidades do local do crime.
    • Um bilhete escrito pelo padrasto pedindo perdão à mãe de Larissa.
    • Apreensão de chinelos e celular do suspeito para perícia.
    • Relatos de ameaças prévias feitas por Diego contra a menina.

Cronologia de um crime brutal
O assassinato de Larissa Manuela ocorreu em um contexto de tensão familiar. No dia 12 de junho, a menina estava sozinha em casa, já que a mãe trabalhava e o irmão mais velho, de 19 anos, estava em viagem a Sorocaba. Por volta das 17h, a mãe encontrou o corpo da filha ao lado da cama, com 16 perfurações no pescoço e tórax. A perícia descartou violência sexual, mas confirmou a extrema violência do ataque.

Diego Sanches foi detido temporariamente durante o velório da menina, no dia 13 de junho, mas liberado após prestar depoimento. Na ocasião, ele alegou estar trabalhando no momento do crime. No entanto, contradições em seu álibi começaram a surgir. Imagens de segurança mostraram o padrasto com roupas diferentes em dois momentos do dia, levantando suspeitas sobre sua rotina.

No dia 16 de junho, em seu segundo depoimento, Diego insistiu na versão de que tinha uma relação amigável com Larissa, negando qualquer desavença. “A gente brincava normalmente”, declarou. A polícia, contudo, já havia apreendido seu celular e um par de chinelos para análise pericial.

Investigações e reviravoltas
A Polícia Civil de Barueri, sob o comando do delegado Dalmir de Magalhães, intensificou as diligências para esclarecer o caso. Um dos pontos cruciais foi a análise de câmeras de segurança, que captaram um homem com características semelhantes às de Diego circulando próximo à residência no horário do crime. Além disso, um bilhete encontrado pelas autoridades, no qual Diego pedia perdão à mãe da vítima, reforçou sua ligação com o homicídio.

No dia 17 de junho, a polícia solicitou a prisão temporária de Diego, mas a Justiça negou o pedido por falta de um juiz disponível para analisar a solicitação. A decisão gerou indignação entre familiares e moradores de Barueri, que exigiam justiça para Larissa. No dia seguinte, 18 de junho, Diego prestou um terceiro depoimento, acompanhado de duas testemunhas que tentaram corroborar seu álibi. Um homem afirmou que o padrasto trabalhou em sua casa entre 15h e 18h, enquanto a filha da chefe de Diego disse que ele esteve no trabalho pela manhã.

As contradições, porém, continuaram. Imagens de segurança mostraram Diego retornando à comunidade onde a família morava por volta das 8h do dia do crime, e minutos depois saindo novamente, possivelmente para buscar seu celular. Essas inconsistências foram decisivas para a confissão, que ocorreu no quarto depoimento, em 23 de junho.

  • Fatos que enfraqueceram o álibi de Diego:
    • Roupas diferentes usadas pelo padrasto em dois períodos do dia.
    • Tempo prolongado para retornar ao trabalho após o almoço.
    • Depoimentos de testemunhas com horários conflitantes.
    • Ausência do par de sapatos usado na manhã do crime.

Reações da família e da comunidade
Cícero Regivan de Lucena, pai de Larissa, expressou profunda revolta com a confissão de Diego. Em entrevista coletiva, ele relatou que o padrasto chegou a consolá-lo na saída da delegacia, um gesto que agora considera hipócrita. “Se eu soubesse, tinha estrangulado”, desabafou Cícero, cobrando um posicionamento da mãe da menina sobre o crime. Ele também destacou que Larissa nunca mencionou problemas com o padrasto, preferindo aproveitar os momentos com o pai sem tocar em assuntos familiares.

A mãe de Larissa, Adenuzia, revelou em entrevista ao programa Balanço Geral que havia negado a Diego o acesso ao seu celular na noite anterior ao crime, o que gerou uma discussão. Ela também afirmou que a filha “não era muito chegada” ao padrasto, indicando tensões na convivência. A comunidade de Barueri, por sua vez, organizou manifestações pedindo justiça e maior rigor nas investigações de crimes contra crianças.

O que motivou o crime?
A confissão de Diego trouxe à tona uma motivação chocante. Segundo o delegado Dalmir de Magalhães, o padrasto alegou que não gostava de Larissa, considerando-a um obstáculo em seu relacionamento com a mãe da menina. Um xingamento feito pela criança, relacionado a uma suposta traição, teria sido o estopim para o ataque. A frieza do suspeito foi evidenciada por sua presença no velório e no enterro de Larissa, onde ele se comportou como se nada tivesse acontecido.

A brutalidade do crime, com 16 facadas, chocou até mesmo os investigadores. A faca utilizada, que pertencia à residência da família, foi retirada de cima de um armário, sugerindo que Diego agiu com premeditação. A polícia agora aguarda a decisão judicial para formalizar a prisão do suspeito, que será indiciado por homicídio qualificado.

Próximos passos da investigação
Após a confissão, Diego foi submetido a exame de corpo de delito e encaminhado à Cadeia Pública de Carapicuíba. A Polícia Civil continua analisando o carro do suspeito, que passou por perícia técnica para buscar vestígios adicionais do crime. Além disso, os investigadores avaliam a possibilidade de conexão com outro caso de violência na família: cerca de duas semanas antes do assassinato de Larissa, o pai da menina, Cícero, foi ferido a facadas, levantando suspeitas de que os dois ataques possam estar relacionados.

  • Etapas finais da investigação:
    • Perícia no veículo de Diego para encontrar evidências materiais.
    • Análise de possíveis conexões com o ataque ao pai de Larissa.
    • Aguardar decisão judicial para formalização da prisão.
    • Conclusão do inquérito policial para indiciamento.

A tragédia de Larissa Manuela expõe a vulnerabilidade de crianças em contextos de relações familiares conturbadas. A comunidade de Barueri segue em luto, enquanto a Justiça enfrenta pressão para garantir a punição do responsável. A polícia reforça a importância de denúncias em casos de ameaças ou violência doméstica, destacando que a prevenção pode evitar desfechos trágicos como este.

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