Após 23 dias de paralisação, os professores da rede pública do Distrito Federal encerraram a greve na quarta-feira, 25 de junho de 2025, aceitando a proposta apresentada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A decisão, tomada em assembleia pelo Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), em Brasília, marcou o fim de um movimento iniciado em 2 de junho, que buscava reajuste salarial, reestruturação da carreira e nomeação de aprovados em concurso público. As aulas nas escolas públicas retornam nesta quinta-feira, 26 de junho, em toda a capital. A votação, descrita como “apertada”, reflete a divisão entre os docentes, com protestos de uma parcela contrária ao fim da greve. O acordo inclui reajustes a partir de 2026, nomeação de até 3 mil concursados e pagamento dos dias parados.
A mobilização, que afetou milhares de estudantes, foi marcada por intensas negociações e embates com o governo. O GDF, liderado pelo governador Ibaneis Rocha, inicialmente resistiu às demandas, citando questões de equilíbrio fiscal. A proposta final, apresentada na segunda-feira, 23 de junho, foi analisada em assembleias regionais e gerais, culminando na decisão de encerrar o movimento.
Os professores enfrentaram desafios durante a paralisação, incluindo a decisão judicial que considerou a greve abusiva e autorizou o corte de ponto. O Sinpro-DF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender multas impostas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que chegaram a R$ 300 mil por dia.
- Principais reivindicações dos professores:
- Reajuste salarial para equiparação com outras categorias.
- Reestruturação da carreira, com aumento do salário base.
- Nomeação de concursados para suprir a carência de docentes.
- Correção de dados do INSS para aposentadorias.
Negociações intensas com o GDF
O processo de negociação entre o Sinpro-DF e o GDF foi longo e marcado por tensões. Reuniões com representantes do governo, incluindo os secretários da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, de Educação, Hélvia Paranaguá, e de Economia, Ney Ferraz Júnior, ocorreram ao longo das semanas. Na segunda-feira, 23 de junho, o governo apresentou uma proposta que contemplava parte das demandas, mas não incluía reajustes salariais imediatos para 2025, o que gerou debates acalorados entre os professores.
A proposta final trouxe avanços significativos, mas não atendeu integralmente às expectativas da categoria. O governo se comprometeu a iniciar reajustes por titulação a partir de 2026, garantindo melhorias graduais na remuneração. Além disso, prometeu a nomeação de até 3 mil aprovados em concurso público até dezembro de 2025, visando reduzir o déficit de professores nas escolas.
A decisão de aceitar a proposta veio após assembleias regionais na terça-feira, 24 de junho, e uma assembleia geral no dia seguinte. A votação apertada revelou a insatisfação de parte da categoria, que argumentava pela continuidade da greve até a obtenção de reajustes imediatos. Manifestações contrárias ao fim da paralisação ocorreram logo após o anúncio, com professores expressando frustração em frente à sede do sindicato.
Contexto da paralisação
A greve, iniciada em 2 de junho, foi aprovada em assembleia do Sinpro-DF no dia 27 de maio. Os professores buscavam não apenas melhorias salariais, mas também condições dignas de trabalho e valorização profissional. A paralisação afetou cerca de 460 mil estudantes da rede pública, que ficaram sem aulas por mais de três semanas. Durante o período, o GDF enfrentou críticas por sua postura inicial de não ceder às demandas, com Ibaneis Rocha afirmando que não haveria reajustes em 2025 para nenhuma categoria do funcionalismo público.
A resistência do governo foi justificada por questões de equilíbrio fiscal, com o governador destacando a necessidade de manter as contas públicas em ordem. No entanto, a pressão dos professores, combinada com a mobilização de pais e alunos, levou o GDF a abrir diálogo. A proposta apresentada na reta final das negociações foi vista como um avanço, embora parcial, pelos representantes sindicais.
- Impactos da greve na educação:
- Suspensão das aulas em todas as escolas públicas do DF.
- Prejuízo ao calendário escolar, com necessidade de reposição.
- Mobilização de pais e alunos em apoio aos professores.
- Aumento da pressão sobre o GDF para negociar.
Embates judiciais e resistência
A paralisação enfrentou obstáculos legais desde o início. Em 29 de maio, o TJDFT declarou a greve abusiva e estipulou uma multa diária de R$ 1 milhão ao Sinpro-DF caso a paralisação fosse mantida. O sindicato recorreu ao STF, que suspendeu temporariamente a decisão. No entanto, o TJDFT voltou a impor multas, reduzidas para R$ 300 mil por dia, o que intensificou a pressão sobre os grevistas.
O Sinpro-DF argumentou que a greve era um direito constitucional e que as reivindicações eram legítimas, respaldadas pela necessidade de valorização da educação. A decisão de recorrer às instâncias superiores demonstrou a determinação da categoria em manter a mobilização, mesmo diante de ameaças de corte de ponto e sanções financeiras.
Durante a greve, episódios de confronto também marcaram o movimento. Em 16 de junho, a Polícia Militar usou spray de pimenta para conter professores que tentavam acessar a Secretaria de Educação, no Shopping ID, em Brasília. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu investigação sobre a conduta dos policiais, alegando uso excessivo de força. A ação gerou indignação entre os docentes e reforçou a narrativa de repressão por parte do governo.
Proposta aceita e próximos passos
A proposta aprovada pelos professores inclui medidas que atendem parcialmente às reivindicações. O pagamento dos dias parados foi garantido, com reposição das aulas prevista para julho, e o recesso escolar foi mantido para agosto. A nomeação de 3 mil concursados é vista como um passo importante para suprir a carência de professores, especialmente em áreas com maior déficit, como as regiões administrativas mais afastadas do centro de Brasília.
O reajuste por titulação, embora previsto apenas para 2026, representa uma conquista para a categoria, que há anos reivindica maior reconhecimento pela formação acadêmica. A reestruturação da carreira, outra demanda central, será discutida em mesas de negociação futuras, com o compromisso do GDF de avaliar melhorias graduais.
- Detalhes da proposta do GDF:
- Reajuste por titulação a partir de 2026.
- Nomeação de até 3 mil concursados até dezembro de 2025.
- Pagamento dos dias parados, com reposição em julho.
- Compromisso de diálogo para reestruturação da carreira.
Reações da comunidade escolar
O fim da greve trouxe alívio para pais e alunos, que aguardavam a retomada das aulas. Durante a paralisação, muitas famílias buscaram alternativas, como atividades culturais gratuitas e reforço escolar privado, para ocupar o tempo das crianças. A suspensão das aulas gerou debates sobre o impacto no aprendizado, especialmente para estudantes do ensino fundamental, que enfrentam dificuldades de recuperação após períodos prolongados sem aulas.
Representantes de associações de pais destacaram a importância de um calendário de reposição bem estruturado, para garantir que o ano letivo não seja comprometido. Escolas já começaram a organizar cronogramas de reposição, com aulas extras previstas para os próximos meses.
Mobilização e legado do movimento
A greve dos professores do DF deixou um legado de mobilização e resistência. A categoria demonstrou união ao longo das três semanas, com assembleias lotadas e atos públicos que chamaram a atenção da sociedade. A pressão exercida pelo Sinpro-DF foi fundamental para que o GDF apresentasse uma proposta, ainda que não ideal, que contemplasse parte das demandas.
O movimento também destacou a precariedade da educação pública no DF, com escolas enfrentando problemas como falta de infraestrutura e carência de docentes. A nomeação de concursados, prevista na proposta, é vista como um passo para mitigar esses desafios, mas professores alertam que a valorização profissional precisa ser contínua.
Preparativos para a volta às aulas
Com o fim da greve, as escolas públicas do DF se preparam para receber os alunos nesta quinta-feira, 26 de junho. Diretores e coordenadores pedagógicos trabalham na reorganização do calendário escolar, priorizando a reposição das aulas perdidas. O GDF anunciou que fornecerá orientações às unidades escolares para garantir uma transição tranquila.
A Secretaria de Educação informou que acompanhará de perto a implementação do acordo, com foco na nomeação dos concursados e na reposição das aulas. A expectativa é que o diálogo com o Sinpro-DF continue, para evitar novas paralisações no futuro.
- Medidas para a retomada:
- Reorganização do calendário escolar com aulas extras.
- Orientação do GDF às escolas para reposição.
- Acompanhamento da implementação do acordo.
- Planejamento para nomeação de concursados.

