Renato Gaúcho cala críticos e brilha com táticas inovadoras no Fluminense no MundialPor Thiago Lemos
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Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, está redefinindo sua imagem na Copa do Mundo de Clubes 2025, realizada nos Estados Unidos, com escalações variadas que levaram o time às quartas de final. Desde a estreia em 17 de junho contra o Borussia Dortmund até a vitória por 2 a 0 sobre a Inter de Milão em 30 de junho, o treinador não repetiu formações, respondendo em campo a um portal italiano que o rotulou como “ex-playboy”. Com duas vitórias e dois empates, o Tricolor enfrenta o Al-Hilal em 4 de julho, em Orlando, mostrando um Renato mais tático e focado. A campanha destaca sua habilidade de adaptar o elenco a cada adversário, superando expectativas e críticas.
O Fluminense começou o torneio com um empate sem gols contra o Borussia Dortmund, seguido por uma vitória de 4 a 2 contra o Ulsan HD. Na terceira rodada, empatou com o Mamelodi Sundowns, garantindo vaga nas oitavas, onde venceu a Inter de Milão. Renato, antes visto como boleiro e descontraído, tem impressionado com ajustes precisos, como a trinca de volantes contra o Dortmund e a formação com três zagueiros contra a Inter.
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- Mudanças táticas de Renato:
- Trinca de volantes contra Dortmund para solidez defensiva.
- Ganso titular contra Ulsan, priorizando criatividade.
- Três zagueiros contra Inter, neutralizando o ataque italiano.
A crítica italiana, publicada pelo jornal Gazzetta dello Sport, reacendeu debates sobre a carreira de Renato, mas ele respondeu com resultados, consolidando o Fluminense como uma das surpresas do Mundial.
Táticas que desafiam estereótipos
Renato Gaúcho chegou ao Mundial sob olhares desconfiados. Sua passagem pela Roma em 1988, marcada por lesões e o rótulo de “playboy”, foi relembrada pela imprensa italiana às vésperas do jogo contra a Inter. No entanto, o treinador transformou a provocação em motivação. Contra o Borussia Dortmund, optou por Martinelli, Hércules e Nonato no meio-campo, garantindo um empate sólido. Na vitória contra o Ulsan, escalou Ganso, que trouxe fluidez ao ataque, com Jhon Arias marcando dois gols.
Na partida contra o Mamelodi Sundowns, Renato trouxe Germán Cano de volta à titularidade, ajustando o equilíbrio ofensivo, mesmo com o empate sem gols. Contra a Inter, a formação com três zagueiros — Thiago Silva, Ignácio e Freytes — anulou Lautaro Martínez e cia., com Cano e Hércules marcando os gols da vitória. Cada escolha reflete um estudo detalhado dos adversários, desafiando a ideia de que Renato não domina tática.
Scusa se ti amo e se ci conosciamo 🎵🇭🇺
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) July 3, 2025
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Resposta em campo à crítica italiana
O rótulo de “ex-playboy” veio do Gazzetta dello Sport, que destacou a passagem de Renato pela Roma, onde ele foi comparado a Ruud Gullit, mas não vingou. O texto italiano sugeria que o treinador carioca era mais conhecido pela vida extracampo do que por feitos táticos. Renato, porém, usou o jogo contra a Inter para calar os críticos.
A vitória por 2 a 0, no Bank of America Stadium, em Charlotte, foi um marco. Renato passou a noite anterior estudando o adversário, recusando até um jantar com sua filha, Carol Portaluppi, para se dedicar ao planejamento. O esquema com três zagueiros espelhou o da Inter, neutralizando suas jogadas e explorando contra-ataques. Fábio, com defesas cruciais, e Arias, com uma assistência, foram peças-chave.
- Destaques contra a Inter:
- Gol de Cano aos dois minutos, após cruzamento de Arias.
- Fábio com duas defesas decisivas no primeiro tempo.
- Ignácio anulando Lautaro Martínez na defesa.
A reinvenção de Renato Gaúcho
Aos 62 anos, Renato vive um momento de transformação. Conhecido por títulos como a Libertadores de 2017 com o Grêmio, ele agora mostra versatilidade no cenário global. Sua capacidade de rodar o elenco, como poupar Thiago Silva contra o Mamelodi por dores musculares, reflete uma gestão cuidadosa. Contra a Inter, a escalação de Bernal como titular pela primeira vez no torneio trouxe frescor ao meio-campo.
Renato também mudou sua postura. Longe do estilo brincalhão de outrora, ele aparece mais sério nos treinos e coletivas, embora mantenha o carisma, como na disputa de pênaltis que venceu no treino. Sua dedicação tática, como estudar a Inter até altas horas, reforça a nova fase.
O impacto das escolhas táticas
As escalações variadas de Renato não são apenas reativas, mas estratégicas. Contra o Dortmund, a trinca de volantes segurou o meio-campo, permitindo transições rápidas com Arias e Canobbio. Contra o Ulsan, Ganso deu cadência, enquanto Cano finalizou com precisão. No jogo contra o Mamelodi, a volta de Cano trouxe peso ofensivo, e contra a Inter, os três zagueiros garantiram solidez.
Essas mudanças mostram um Fluminense adaptável, capaz de enfrentar estilos diferentes, do jogo físico africano ao técnico europeu. A rotatividade também preservou o elenco em um torneio intenso, com jogos a cada três dias em média.
A força do elenco tricolor
O sucesso de Renato também depende de um elenco versátil. Thiago Silva, com sua experiência, lidera a defesa, enquanto jovens como Hércules e Martinelli ganham espaço. Fábio, aos 44 anos, segue como pilar, com defesas decisivas contra a Inter. Arias, com gols e assistências, é o motor ofensivo, e Cano, mesmo com 37 anos, prova ser letal.
A confiança de Renato nos jovens, como Ignácio, eleito o melhor em campo contra o Mamelodi, e Bernal, titular contra a Inter, mostra sua aposta no futuro sem abrir mão da experiência. Esse equilíbrio tem sido crucial para o Fluminense.
O próximo desafio contra o Al-Hilal
O Fluminense enfrenta o Al-Hilal, da Arábia Saudita, nas quartas, em 4 de julho, no Camping World Stadium. O time saudita, que eliminou o Manchester City, é um adversário de peso, com jogadores como Neymar e uma estrutura financeira robusta. Renato já analisa o rival, conhecido por um ataque veloz e uma defesa sólida.
A torcida tricolor, que lotou os estádios nos EUA, será um trunfo. Contra a Inter, 42 mil torcedores apoiaram o time, e a expectativa é de casa cheia contra o Al-Hilal. Renato deve preparar novas surpresas táticas para manter a competitividade.
Apoio da torcida e impacto financeiro
A Copa do Mundo de Clubes tem atraído grandes públicos, e o Fluminense se beneficia disso. A venda de ingressos para os jogos do Tricolor foi recorde, com sócios tendo prioridade. O clube chegou aos EUA em 6 de junho, adaptando-se bem ao fuso horário e aos estádios modernos, como o MetLife Stadium e o Hard Rock Stadium.
Financeiramente, a campanha rendeu R$ 220,6 milhões até as quartas, com US$ 15,2 milhões pela fase de grupos, US$ 2 milhões por vitória, US$ 1 milhão por empate e US$ 13,1 milhões pela vaga nas oitavas. Avançar às semifinais pode render mais US$ 21 milhões, aliviando as finanças do clube.
Histórico contra times italianos
O Fluminense tem um retrospecto impressionante contra equipes italianas, com 10 vitórias e quatro empates em 14 jogos. A vitória sobre a Inter reforçou essa invencibilidade, dando confiança ao elenco. Renato usou esse histórico para motivar o time, que não se intimidou diante do vice-campeão da Champions League.
- Números contra italianos:
- 14 jogos, com 10 vitórias e 4 empates.
- Zero derrotas, incluindo o 2 a 0 sobre a Inter.
- Apenas dois gols sofridos em quatro jogos no Mundial.
O legado de Renato no Mundial
Renato Gaúcho está escrevendo um novo capítulo em sua carreira. Suas escolhas táticas, que vão de formações defensivas a ataques criativos, mostram um treinador maduro, capaz de competir com os melhores. A campanha do Fluminense, com a menor folha salarial entre os 16 times das oitavas, é uma prova de que, como disse Renato, “dentro de campo, é raça e inteligência que decidem”.
O confronto com o Al-Hilal será mais um teste, mas o Fluminense chega confiante. Renato, que já foi rei do Rio com o gol de barriga em 1995, agora busca ser o rei do Mundial, calando críticos e elevando o Tricolor a um patamar global.















