Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apresentou uma análise técnica preliminar que aponta manuseio e alterações no celular do banqueiro depois da apreensão feita pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025. Segundo os advogados, o perito contratado identificou três conexões pela porta USB e registros de atividade durante a madrugada, quando o aparelho já estava sob custódia do Estado.

Os advogados dizem que o serviço foi contratado depois que Vorcaro não reconheceu a veracidade de uma série de conteúdos vazados. Em nota, a defesa afirma que “As constatações do perito são graves e objetivas” e que esses registros estão no próprio relatório oficial da Polícia Federal. Segundo o próprio relatório da PF, as conexões serviram para carregar o aparelho.

Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro

O caso tem uma cronologia longa. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos, no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Ele foi solto dez dias depois, com monitoramento eletrônico, e voltou à cadeia em 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Duas propostas de delação foram rejeitadas pela PF. Reportagens de agosto informam que ele seguia em prisão preventiva em Brasília.

O conteúdo do celular também virou alvo de outra disputa. Em 6 de março, o STF afirmou que mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, extraídas do aparelho, não correspondem aos contatos dele. Em setembro, uma reportagem apontou cerca de 32,7 mil arquivos, 10,8 mil chats e 17 mil áudios no material que a PF analisa.

Os principais acontecimentos até aqui:

  • 19 de novembro de 2025: data da extração do conteúdo do aparelho, segundo a defesa.
  • 16 de fevereiro de 2026: a defesa pede ao STF acesso integral aos elementos técnicos das perícias.
  • 6 de março de 2026: o ministro André Mendonça abre inquérito para investigar o vazamento de informações do celular.
  • 13 e 14 de maio de 2026: dias em que 340 arquivos do relatório da PF aparecem com data de modificação, conforme a defesa.
  • 21 de setembro de 2026: reportagem aponta 32,7 mil arquivos no material extraído do celular.
  • 30 de outubro de 2026: a defesa divulga a análise técnica preliminar do perito que contratou.

Perito contratado pela defesa aponta alterações no celular de Vorcaro

Segundo a defesa, o banco de dados do WhatsApp também teria sido modificado, e há registros de senhas criadas ou alteradas. Os advogados afirmam que nada disso consta do termo de apreensão e que nenhum documento diz quem manuseou o aparelho, por que e com que resultado. Eles citam a legislação processual, que prevê a atuação de assistente técnico, e pedem acesso aos dados brutos para avaliar a licitude dos procedimentos usados na obtenção das provas.

Para a defesa, só uma perícia independente, com acesso aos dados brutos, permite confirmar o que foi alterado no aparelho e em que momento. Até agora, o acesso a esse material tem sido restrito aos investigadores.

Defesa cita 657 arquivos modificados após a prisão de Vorcaro

Os advogados dizem que, no dia seguinte à prisão, 657 arquivos foram modificados, sendo 59 deles bancos de dados. Outros 436 foram criados, entre eles 94 imagens e cinco bancos de dados. Segundo a defesa, as imagens supostamente alteradas são de alimentos registrados por um aplicativo instalado antes da prisão.

O relatório do perito diz que, considerados isoladamente, os registros não permitem determinar quem operou o dispositivo, se houve intervenção humana deliberada ou qual foi a natureza e a extensão das alterações. Para a análise, ele usou laudos da própria polícia e extrações integrais do telefone. Segundo o documento, a falta de elementos para atribuir as mudanças a uma ação humana não permite classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas.

Arquivos de maio de 2026 em extração feita em novembro de 2025

A extração do conteúdo do aparelho tem data de 19 de novembro de 2025. Segundo a defesa, porém, o relatório entregue pela PF contém 340 arquivos com data de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. Os advogados afirmam que o material carrega registros posteriores à própria extração e que não há nos autos uma explicação técnica para isso.

Com isso, a defesa sustenta que as provas não podem ter a integridade verificada e, por isso, não podem sustentar a acusação. Ela pede que os dados brutos da extração sejam preservados e entregues aos advogados.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Receita Federal

    Simples Nacional 2027: prazo para pendências acaba nesta sexta

  2. Brasil

    ‘Patricinha do SLU’ é exonerada após publicação que ironiza Bolsa Família e petistas

  3. Destaques

    Flagrante em Campo Grande: ladrão de bicicleta tenta furtar celular de pedestre

  4. Tempo

    Previsão do tempo em Florianópolis: veja como fica o clima nesta sexta-feira e no fim de semana

  5. Brasil

    FAB testa LINK-BR2 com três caças F-5M e avião-radar E-99M

  6. Destaques

    Alertas de chuva no celular: entenda o dilema da Defesa Civil com o excesso de avisos

  7. Destaques

    Motorola Signature aparece no Geekbench com plataforma Snapdragon, 12 GB de RAM e Android 17

  8. Destaques

    Stefan Doniga e Diana Jipa quebram recorde mundial nos sete continentes

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.