SUS mobiliza 45 hospitais para 7.800 procedimentos no maior mutirão de 2025Por Maria
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Um mutirão nacional de saúde, intitulado Dia E, será realizado neste sábado, 5 de julho de 2025, em 45 hospitais universitários federais, com o objetivo de reduzir as filas do Sistema Único de Saúde (SUS). Coordenada pelos Ministérios da Saúde e da Educação, a ação prevê mais de 7.800 atendimentos, incluindo cerca de mil cirurgias eletivas, 1.200 consultas especializadas e 5.600 exames, abrangendo especialidades como oncologia, oftalmologia e ortopedia. A iniciativa, parte do programa Agora Tem Especialistas, mobiliza a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em todas as regiões do país. Pacientes previamente agendados, já na fila do SUS, serão atendidos, priorizando casos com maior urgência clínica. O mutirão busca agilizar o acesso a procedimentos e fortalecer a saúde pública.
Essa ação, batizada de Mutirão Agora Tem Especialistas, é a maior do gênero na história do SUS, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
- Quando ocorre? Sábado, 5 de julho de 2025, a partir das 9h.
- Onde? Em 45 hospitais universitários federais, em todas as regiões do Brasil.
- Quem participa? Pacientes já regulados na fila do SUS, selecionados por prioridade clínica.
A mobilização reflete um esforço conjunto para otimizar o atendimento e capacitar profissionais de saúde, com detalhes explorados a seguir.
Escopo do Dia E
O Dia E representa um marco na saúde pública brasileira, unindo 45 hospitais universitários em uma ação simultânea. A iniciativa, coordenada pela Ebserh, foca em procedimentos eletivos de média e alta complexidade, atendendo pacientes que aguardam na fila do SUS. A seleção segue critérios clínicos, garantindo que os casos mais urgentes sejam priorizados.
Cada hospital organiza sua agenda com base nas demandas locais. Em Brasília, por exemplo, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) realizará cirurgias de catarata, hérnia e colecistectomia, além de exames de coloproctologia. Já no Rio Grande do Norte, o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN) oferecerá 100 cirurgias, incluindo procedimentos oftalmológicos e urológicos.
A diversidade de especialidades atendidas é um diferencial. Além de cirurgias, os hospitais realizarão exames como mamografias, tomografias e ecocardiogramas, reduzindo o tempo de espera para diagnósticos.
- Cirurgias previstas: Cerca de mil, incluindo oftalmologia, ortopedia e cirurgia geral.
- Consultas: 1.200 em especialidades como cardiologia e oncologia.
- Exames: 5.600, abrangendo ressonâncias, ultrassons e exames laboratoriais.
- Regiões atendidas: Todas as cinco regiões do Brasil.
Essa escala reforça o compromisso do governo federal em ampliar o acesso à saúde pública, utilizando a infraestrutura dos hospitais universitários.
Programa Agora Tem Especialistas
Lançado em maio de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa Agora Tem Especialistas visa reduzir o tempo de espera por atendimentos especializados no SUS. O Dia E é a principal ação do programa até o momento, mobilizando a rede Ebserh para atender milhares de pacientes em um único dia.
O programa também introduz inovações, como o painel nacional de monitoramento das filas do SUS, que permite acompanhar em tempo real os tempos de espera por consultas, exames e cirurgias. Essa ferramenta, inédita no Brasil, aumenta a transparência e ajuda estados e municípios a gerirem a demanda.
Outra novidade é a parceria com o setor privado. A partir de agosto de 2025, hospitais e clínicas privadas poderão atender pacientes do SUS, utilizando créditos fiscais para abater dívidas com a União. Essa estratégia visa complementar a rede pública, especialmente em regiões com menor infraestrutura.
Papel dos hospitais universitários
Os 45 hospitais universitários federais, geridos pela Ebserh, foram escolhidos por sua capacidade técnica e papel na formação de profissionais de saúde. Vinculados ao Ministério da Educação, essas instituições combinam atendimento assistencial com ensino e pesquisa, beneficiando tanto os pacientes quanto os estudantes.
Durante o mutirão, residentes e alunos de medicina participam dos procedimentos, supervisionados por professores e profissionais experientes. No Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), em Manaus, por exemplo, serão realizados os dois primeiros transplantes de córnea da unidade, marcando um avanço na capacitação local.
A infraestrutura dos hospitais, equipada com tecnologias como tomógrafos e mamógrafos digitais, garante a qualidade dos atendimentos. Em 2025, a Ebserh já realizou 166 mutirões, e o Dia E consolida essa estratégia de atendimento intensivo.

Especialidades atendidas
O mutirão abrange uma ampla gama de especialidades, atendendo às principais demandas do SUS. Procedimentos oftalmológicos, como cirurgias de catarata, estão entre os mais realizados, devido à alta prevalência de problemas visuais na população.
Cirurgias ortopédicas, como artroplastias de joelho, também são prioritárias, especialmente para idosos com sequelas de traumas. Na área de oncologia, exames como biópsias e mamografias aceleram diagnósticos, reduzindo o tempo entre a suspeita e o tratamento.
- Oftalmologia: Cirurgias de catarata e transplantes de córnea.
- Ortopedia: Artroplastias e reconstruções de ligamentos.
- Oncologia: Biópsias e exames de imagem.
- Cardiologia: Ecocardiogramas e cateterismos.
- Saúde da mulher: Laqueaduras e exames ginecológicos.
Essa diversidade garante que o mutirão atenda às necessidades de diferentes perfis de pacientes, desde crianças até idosos.
Benefícios para a formação profissional
Além de reduzir as filas, o Dia E fortalece a formação de profissionais de saúde. Os hospitais universitários são centros de ensino, e o mutirão oferece aos estudantes a oportunidade de aplicar conhecimentos práticos.
No Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN), no Rio Grande do Norte, residentes de cirurgia geral participam ativamente, sob supervisão, ganhando experiência em procedimentos como laqueaduras e pequenas cirurgias. Essa prática é essencial para formar especialistas qualificados, que futuramente atuarão no SUS.
A participação de voluntários, como no HUB-UnB, também amplia a força-tarefa, envolvendo cerca de 30 profissionais por unidade. Esse engajamento reforça o caráter colaborativo da iniciativa.
Mobilização governamental
A escala do Dia E exigiu uma mobilização inédita, com envolvimento de ministros e autoridades em diferentes estados. O ministro da Educação, Camilo Santana, estará no Ceará, enquanto Alexandre Padilha, da Saúde, participará no Rio de Janeiro. Outros ministros, como Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), também acompanharão as ações localmente.
Essa presença reflete a prioridade do governo em promover a saúde pública. O presidente Lula destacou a importância do mutirão em entrevista, enfatizando que a ação utiliza toda a estrutura disponível, pública e privada, para atender a população.
O investimento federal no programa inclui R$ 100 milhões destinados à Ebserh em 2025, com meta de aumentar em 40% o número de cirurgias eletivas realizadas pelos hospitais universitários até o final do ano.
Avanços na redução de filas
As filas do SUS, agravadas pela pandemia de Covid-19, são um desafio histórico. O mutirão de 5 de julho é parte de um esforço contínuo para enfrentá-lo. Desde março de 2025, a Ebserh registrou um aumento de 17% nos atendimentos, e o Dia E acelera esse progresso.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) reduziu o tempo médio de diagnóstico de câncer de 71 para 17 dias em alguns casos, demonstrando o potencial dos mutirões. Ações semelhantes estão previstas para setembro e dezembro de 2025, mantendo o ritmo de atendimento intensivo.
A criação do painel de monitoramento também facilita a gestão das filas, permitindo identificar gargalos e direcionar recursos. Em Goiás, o Sistema Estadual de Regulação de Cirurgias Eletivas (Regnet) unificou as filas municipais, servindo como modelo para o painel nacional.
Exemplos regionais
A ação abrange todas as regiões do Brasil, com adaptações às necessidades locais. Em Mato Grosso do Sul, os hospitais universitários de Campo Grande e Dourados realizarão 246 atendimentos, incluindo cirurgias ginecológicas e exames laboratoriais.
No Amazonas, o HUGV-Ufam destaca-se pelos transplantes de córnea, enquanto no Distrito Federal, o HUB-UnB foca em procedimentos de alta demanda, como colecistectomias. No Rio Grande do Norte, a Maternidade Escola Januário Cicco realizará 17 laqueaduras, atendendo à saúde da mulher.
Esses exemplos mostram como o mutirão se adapta às especificidades regionais, garantindo atendimento equitativo em todo o país.
Integração com o setor privado
A parceria com hospitais privados, anunciada junto ao Dia E, é um complemento estratégico. A partir de agosto, clínicas e hospitais filantrópicos poderão atender pacientes do SUS, utilizando créditos fiscais. Essa medida visa suprir a escassez de infraestrutura em algumas regiões, sem substituir a rede pública.
O credenciamento de unidades privadas será regulado por editais, garantindo transparência. A expectativa é que a iniciativa amplie a capacidade de atendimento, especialmente em áreas como oncologia e cardiologia, onde as filas são mais longas.
Próximos passos do programa
O Dia E é apenas o início de uma série de ações planejadas para 2025. Novos mutirões estão agendados para os próximos meses, com foco em especialidades críticas. A Ebserh também planeja expandir os atendimentos aos sábados e em turnos extras, aproveitando a capacidade dos hospitais universitários.
A meta de aumentar em 40% as cirurgias eletivas reflete a ambição do programa. Com o apoio do painel de monitoramento e a integração com o setor privado, o governo busca reduzir as filas para menos de 30 dias em algumas especialidades, um avanço significativo para o SUS.







