Marcelo Marques, pré-candidato à presidência do Grêmio, anunciou a compra da gestão da Arena Porto-Alegrense e dos créditos da Revee por R$ 130 milhões, em um movimento histórico para o clube gaúcho. O negócio, firmado em 11 de julho de 2025, em Porto Alegre, marca o início da transição para o Grêmio assumir integralmente a administração do estádio até dezembro. A doação, sem contrapartidas financeiras, foi detalhada em coletiva com o presidente Alberto Guerra, reforçando o compromisso de Marques com o clube. A operação envolveu R$ 50 milhões pelo direito de superfície e R$ 80 milhões por dois terços da dívida da construção, adquirida da Revee. O objetivo é fortalecer a gestão gremista e aumentar receitas, como a bilheteria, que antes não beneficiava o clube diretamente.
O empresário, torcedor declarado do Grêmio, emocionou-se ao destacar que a iniciativa não veio de um “bilionário”, mas de um apaixonado pelo clube, disposto a mudar o futuro da Arena. A transação, que antecipa o controle total do estádio antes do previsto em 2033, resolve um impasse de anos com a Arena Porto-Alegrense, empresa criada pela antiga OAS (atual Metha) para gerir o complexo. A torcida celebra a possibilidade de mais autonomia e benefícios financeiros, enquanto Marques mira 300 mil sócios para lotar a Arena.
- Principais pontos da operação:
- Compra de R$ 50 milhões pelo direito de superfície da Arena.
- Aquisição de R$ 80 milhões por dois terços da dívida da Revee.
- Transição até dezembro de 2025 para gestão integral do Grêmio.
- Doação total do estádio ao clube, sem custos adicionais.
Contexto da negociação
A aquisição da Arena Porto-Alegrense é um marco para o Grêmio, que há mais de uma década enfrenta desafios na gestão do estádio, inaugurado em dezembro de 2012. A Arena, construída com custo estimado de R$ 600 milhões, foi financiada por bancos como Banrisul, Santander e Banco do Brasil, mas a dívida acumulada pela Arena Porto-Alegrense criou entraves financeiros e jurídicos. Em 2024, o Grêmio já havia adquirido um terço dessa dívida por R$ 20 milhões, garantindo maior influência nas negociações. A entrada de Marcelo Marques, com a compra dos dois terços restantes, acelera o processo de transferência.
A relação entre o clube e a gestora sempre foi tensa, marcada por disputas judiciais e limitações, como a falta de controle sobre preços de ingressos e bilheteria. A Arena Porto-Alegrense detinha o direito de explorar o estádio até 2033, conforme contrato original com a OAS. A intervenção de Marques, que pagou R$ 50 milhões em nove parcelas pelo direito de superfície, extingue essa exclusividade, permitindo ao Grêmio assumir a gestão total antes do prazo.
Impacto financeiro para o Grêmio
A doação da Arena representa uma virada financeira para o clube. Até então, a bilheteria, estimada em R$ 30 a 40 milhões anuais, era direcionada à Arena Porto-Alegrense, limitando os investimentos em futebol e infraestrutura. Com a nova gestão, o Grêmio poderá reter essas receitas, além de otimizar custos operacionais. A expectativa é que a administração direta traga maior eficiência e sinergia com as necessidades do clube.
- Benefícios financeiros esperados:
- Retenção integral da receita de bilheteria dos jogos.
- Redução de custos com a gestão direta do estádio.
- Possibilidade de novos patrocínios e eventos na Arena.
- Aumento da base de sócios, com meta de 300 mil associados.
O clube também evita o risco de investidores externos controlarem a dívida, como ocorreu em 2024, quando o fundo SDG II adquiriu parte dos créditos por R$ 40 milhões, com intenções de gerir o estádio. A estratégia de Marques e do Grêmio neutraliza essas ameaças, garantindo que o estádio permaneça sob controle tricolor.
Reações da torcida e do clube
A notícia foi recebida com entusiasmo pela torcida gremista, que há anos aguardava maior autonomia sobre a Arena. Em redes sociais, torcedores celebraram a doação como um “golaço” de Marcelo Marques, destacando sua paixão pelo clube. O presidente Alberto Guerra classificou o negócio como “histórico”, enfatizando a sinergia que a gestão direta trará. Durante a coletiva de 15 de julho, Marques pediu apoio dos torcedores para lotar a Arena no jogo contra o Alianza Lima, pela Sul-Americana, no dia 23 de julho.
A meta de 300 mil sócios, mencionada por Marques, reflete a ambição de transformar a Arena em um ponto de encontro ainda mais vibrante para a torcida. Em dezembro de 2024, o Grêmio contava com 98.153 associados adimplentes, segundo o site Infoesporte. Alcançar o novo objetivo exigirá esforços para engajar os torcedores, especialmente com preços de ingressos mais acessíveis, já prometidos para o próximo jogo.
Etapas da transição
A transição da gestão começou em 14 de julho, com uma reunião entre representantes de Marques, do Grêmio e da Arena Porto-Alegrense. O processo, que se estende até dezembro, envolve uma imersão na estrutura administrativa do estádio, garantindo uma passagem eficiente. Pessoas de confiança de Marcelo Marques estão analisando os detalhes operacionais, enquanto o clube prepara a documentação para a doação formal.
- Cronograma da transição:
- Julho a agosto: Imersão na gestão e análise operacional.
- Setembro a outubro: Elaboração do contrato de doação.
- Novembro: Finalização de trâmites legais e judiciais.
- Dezembro: Transferência integral da gestão ao Grêmio.
A permuta com a OAS, envolvendo a área do antigo Estádio Olímpico, também está prevista. A construtora, junto à Karagounis, assumirá o terreno do Olímpico, enquanto o Grêmio consolidará a posse da Arena. Pendências judiciais, como as obras de contrapartida no entorno do estádio, serão discutidas entre a OAS e a prefeitura de Porto Alegre.
Histórico de tentativas frustradas
Desde a inauguração da Arena, o Grêmio tentou assumir sua gestão em várias ocasiões. Em 2014, sob a presidência de Fábio Koff, negociações com a OAS chegaram perto de um acordo, mas falharam por entraves contratuais. Romildo Bolzan Jr., ex-presidente, também esteve próximo de fechar a compra em 2016 e 2019, mas obstáculos como a negativa da Caixa Econômica Federal em liberar obras do entorno travaram as tratativas. Em 2023, a gestão de Alberto Guerra quase concretizou a aquisição, mas o fundo SDG II adquiriu parte da dívida, adiando o plano.
A intervenção de Marcelo Marques resolve um impasse de mais de uma década, marcado por 12 processos judiciais entre o Grêmio e a Arena Porto-Alegrense. A doação elimina a necessidade de o clube arcar com custos adicionais, um diferencial em relação às negociações anteriores, que exigiam investimentos diretos.
Perspectivas para a Arena
Com a gestão sob controle do Grêmio, o clube planeja melhorias na experiência do torcedor, como ajustes nos preços de ingressos e modernização da infraestrutura. A Arena, que enfrentou problemas como atrasos na reabertura após as enchentes de maio de 2024, poderá receber investimentos para manutenção e eventos. A possibilidade de novos patrocínios e a exploração comercial do estádio também são vistas como oportunidades para fortalecer as finanças.
- Planos para a Arena:
- Redução dos preços de ingressos para jogos.
- Ampliação de eventos culturais e comerciais no estádio.
- Modernização da infraestrutura para maior conforto.
- Campanhas para atrair novos sócios e lotar a Arena.
A doação de Marcelo Marques não apenas resolve questões financeiras, mas também reforça sua posição como pré-candidato à presidência do Grêmio. A torcida enxerga o gesto como um compromisso genuíno, enquanto o clube se prepara para uma nova fase, com mais autonomia e proximidade com seus torcedores.
