Cometa 3I/ATLAS cruza o Sistema Solar a 210 mil km/h e pode ser o mais antigo já visto

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Cometa e Espaço Foto: Cometa - Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/shutterstock.com

Um cometa interestelar, batizado como 3I/ATLAS, está atravessando o Sistema Solar a uma velocidade impressionante de mais de 210 mil km/h, capturando a atenção de astrônomos do mundo inteiro. Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, no Chile, financiado pela NASA, o objeto foi identificado como o terceiro corpo celeste de origem externa a visitar nosso sistema estelar. A confirmação veio no dia seguinte, quando cientistas determinaram sua trajetória hiperbólica, indicando que não está preso à gravidade do Sol. Estima-se que o cometa tenha até 7 bilhões de anos, potencialmente mais antigo que o próprio Sistema Solar, formado há cerca de 4,5 bilhões de anos. Sua passagem, que não representa risco à Terra, oferece uma oportunidade única para estudar um objeto vindo de regiões distantes da Via Láctea, com possibilidade de desenvolver uma cauda brilhante nos próximos meses. O cometa estará mais próximo do Sol em 29 de outubro, a 210 milhões de quilômetros, e poderá ser observado com telescópios até setembro e novamente em dezembro. Foto: Ilustrativa

A descoberta foi feita pelo sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), que monitora objetos próximos à Terra. Desde então, astrônomos profissionais e amadores têm colaborado para rastrear o cometa, utilizando dados de telescópios como o Zwicky Transient Facility, nos EUA, e o Canada-France-Hawaii Telescope, no Havaí. O 3I/ATLAS, também chamado de C/2025 N1 (ATLAS), é um marco na astronomia, pois sua origem na camada espessa da Via Láctea sugere uma história cósmica que pode remontar ao início da galáxia.

  • Características iniciais: Diâmetro estimado entre 10 e 24 km, maior que os antecessores ‘Oumuamua e Borisov.
  • Velocidade recorde: Viaja a cerca de 61 km/s, quase o dobro de outros objetos interestelares.
  • Trajetória única: Orbita hiperbólica com excentricidade de 6,3, confirmando origem externa.
  • Observação: Visível apenas com telescópios potentes até setembro, com nova janela em dezembro.

A comunidade científica está mobilizada para acompanhar o cometa, que promete revelar segredos sobre a formação estelar e a evolução da galáxia.

Origem cósmica do 3I/ATLAS

A trajetória do 3I/ATLAS sugere que ele veio da camada espessa da Via Láctea, uma região acima e abaixo do disco galáctico onde o Sol está localizado. Essa área é conhecida por abrigar astros mais antigos, formados bilhões de anos antes do nosso sistema estelar. Um estudo apresentado na Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, no Reino Unido, em julho de 2025, utilizou o modelo computacional Ōtautahi-Oxford para traçar a origem do cometa. Desenvolvido por Matthew Hopkins, doutorando da Universidade de Oxford, o modelo analisa dados do observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia, para mapear trajetórias de objetos interestelares.

Os resultados indicam que o 3I/ATLAS pode ter até 7 bilhões de anos, o que o tornaria o cometa mais antigo já observado. Essa idade é estimada com base em sua composição química e na dinâmica da camada espessa da galáxia, que contém estrelas e objetos formados em épocas primitivas. A pesquisa, ainda sem revisão por pares, sugere que o cometa vagou pelo espaço interestelar por bilhões de anos antes de cruzar o Sistema Solar.

A singularidade do 3I/ATLAS está em sua abordagem lateral ao Sistema Solar, diferente dos objetos interestelares anteriores, que seguiram trajetórias mais diretas em direção ao Sol. Essa característica reforça a hipótese de que ele não pertence ao nosso sistema estelar e oferece uma janela para estudar regiões pouco exploradas da Via Láctea.

Características únicas do cometa

O 3I/ATLAS se destaca não apenas por sua idade, mas também por suas propriedades físicas. Observações realizadas por telescópios como o Nordic Optical Telescope e o Teide Observatory, na Espanha, confirmaram que o cometa apresenta sinais de atividade, como uma coma (nuvem de gás e poeira) e uma cauda de cerca de 25 mil km de comprimento. Essas características indicam que o objeto é, de fato, um cometa, e não um asteroide, como inicialmente especulado.

  • Tamanho estimado: Entre 10 e 24 km de diâmetro, maior que ‘Oumuamua (100 m) e Borisov (1 km).
  • Composição: Provavelmente rico em gelo, o que pode gerar uma cauda brilhante ao se aproximar do Sol.
  • Brilho: Magnitude aparente de 11,5, visível apenas com telescópios de 150-200 mm ou câmeras CCD.
  • Cor: A coma apresenta tons avermelhados, indicando poeira semelhante à do cometa Borisov.

A incerteza sobre o tamanho exato do núcleo do cometa decorre de sua coma reflexiva, que dificulta medições precisas. Astrônomos acreditam que o núcleo pode ser menor que 24 km, especialmente se for composto de gelo, que reflete mais luz solar.

O que esperar da passagem pelo Sol

Quando o 3I/ATLAS atingir seu periélio, em 29 de outubro de 2025, a cerca de 210 milhões de km do Sol, ele estará dentro da órbita de Marte. O calor solar pode desencadear a sublimação de gelo em sua superfície, criando uma cauda de poeira e gás que pode torná-lo mais brilhante. Astrônomos preveem que o cometa alcance uma magnitude aparente de 11,5, ainda fora do alcance de observação a olho nu, mas acessível com telescópios amadores de médio porte.

A passagem próxima ao Sol será um momento crítico para estudar a composição do cometa. Se ele contiver grandes quantidades de gelo, a sublimação pode revelar compostos químicos formados em regiões distantes da galáxia, oferecendo pistas sobre a formação de sistemas estelares. No entanto, entre outubro e novembro, o cometa estará muito próximo do Sol para observações da Terra, devido ao brilho intenso da estrela.

A partir de dezembro, quando o 3I/ATLAS reaparecer no céu, astrônomos esperam retomar as observações. A proximidade com a Terra, a cerca de 270 milhões de km em 19 de dezembro, permitirá análises mais detalhadas, especialmente com telescópios ópticos de 400 mm ou câmeras de alta sensibilidade.

Comparação com outros objetos interestelares

O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, seguindo o asteroide 1I/’Oumuamua, descoberto em 2017, e o cometa 2I/Borisov, identificado em 2019. Diferentemente de seus antecessores, o 3I/ATLAS é significativamente maior e mais brilhante, com uma órbita mais favorável para observações prolongadas.

  • 1I/’Oumuamua: Asteroide de 100 m, com excentricidade de 1,2, observado apenas ao deixar o Sistema Solar.
  • 2I/Borisov: Cometa de 1 km, com excentricidade de 3,3, apresentava uma cauda visível.
  • 3I/ATLAS: Cometa de até 24 km, excentricidade de 6,3, com potencial para cauda brilhante.

A alta excentricidade orbital do 3I/ATLAS, combinada com sua velocidade, reforça sua natureza interestelar, indicando que ele não retornará ao Sistema Solar após sua passagem. Essa característica o torna um alvo valioso para estudos sobre a composição química de objetos extrassolares.

O futuro das observações interestelares

A descoberta do 3I/ATLAS destaca o papel de tecnologias avançadas, como o sistema ATLAS e o observatório Gaia, na detecção de objetos interestelares. Com a entrada em operação do Observatório Vera Rubin, no Chile, prevista para o final de 2025, astrônomos esperam identificar entre 5 e 50 novos objetos interestelares nos próximos anos. Esse telescópio, com sua capacidade de mapear o céu com alta sensibilidade, pode revolucionar o estudo de visitantes cósmicos.

O 3I/ATLAS também valida modelos estatísticos como o Ōtautahi-Oxford, que podem prever a origem de objetos interestelares com maior precisão. Pesquisadores acreditam que cometas como esse carregam assinaturas químicas de sistemas estelares distantes, oferecendo insights sobre a formação de planetas e estrelas em outras partes da galáxia.

  • Expectativas do Vera Rubin: Detectar até 50 objetos interestelares em uma década.
  • Impacto científico: Estudo de compostos químicos de regiões externas da Via Láctea.
  • Cooperação global: Astrônomos amadores e profissionais colaboram em observações.
  • Tecnologia avançada: Telescópios como ATLAS e Gaia ampliam a capacidade de detecção.

A passagem do 3I/ATLAS é uma oportunidade rara para a ciência, que pode abrir novas portas para a compreensão da história cósmica.

Como observar o cometa

Para astrônomos amadores, o 3I/ATLAS oferece um desafio empolgante. Atualmente na constelação de Sagitário, o cometa tem magnitude 18,5, exigindo telescópios com abertura de 150-200 mm e câmeras CCD para captura. Em dezembro de 2025 e início de 2026, ele deve se tornar mais acessível, com magnitude prevista de 11,5.

Observadores no Hemisfério Sul, como no Chile e na Austrália, terão melhores condições devido à posição do cometa. Equipamentos com abertura de 400 mm são recomendados para estudos científicos detalhados. A comunidade astronômica planeja transmissões ao vivo, como a realizada pelo Virtual Telescope Project em julho de 2025, para compartilhar imagens com o público.

O 3I/ATLAS não será visível a olho nu, mas sua passagem é um marco para entusiastas da astronomia, que podem contribuir com observações para bancos de dados globais.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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