Crise no Galo: Scarpa e Gomes notificam clube por atrasos; Rony busca rescisãoPor Maria
8 min de leitura
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O Atlético-MG enfrenta uma crise financeira que ganhou contornos judiciais em 22 de julho de 2025, na Cidade do Galo, em Belo Horizonte. Os meias Gustavo Scarpa e Igor Gomes notificaram o clube na Justiça do Trabalho devido a atrasos nos pagamentos de direitos de imagem e premiações. O atacante Rony, por sua vez, foi além e pediu a rescisão unilateral de seu contrato, alegando pendências superiores a dois meses no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de luvas e direitos de imagem. A situação expõe dificuldades administrativas do clube, que já enfrenta dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão. A crise ameaça o desempenho do time na temporada, com jogos importantes pela Copa Sul-Americana e Brasileirão. A insatisfação no elenco reflete um problema estrutural que pode levar outros jogadores a seguirem o mesmo caminho judicial.
A notificação de Scarpa e Gomes ocorre em um momento delicado para o Atlético, que tenta equilibrar as contas enquanto mantém a competitividade em campo. O clube, conhecido como Galo, confirmou que os salários registrados em carteira estão em dia, mas admite atrasos de dois dias nos direitos de imagem. Rony, que se despediu do elenco e não se reapresentará para o próximo jogo, baseia sua ação no artigo 90 da Lei Geral do Esporte, que permite rescisão indireta por inadimplência superior a dois meses.
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- Atrasos no pagamento do FGTS por mais de dois meses.
- Direitos de imagem vencidos em 20 de julho de 2025.
- Premiações do Campeonato Mineiro ainda não quitadas.
- Luvas contratuais parcialmente não pagas.
Contexto da crise financeira no Atlético-MG
O Atlético-MG vive um cenário financeiro delicado, agravado por uma dívida acumulada de R$ 1,4 bilhão, conforme admitido pelo empresário Rafael Menin, sócio majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Apesar de investimentos significativos na SAF, que foi a mais capitalizada do Brasil, o clube enfrenta dificuldades para honrar compromissos com jogadores. Em junho de 2025, Menin reconheceu que atrasos salariais ocorreram em 2023, 2024 e no primeiro semestre de 2025, impactando o desempenho do elenco.
A crise não é novidade no futebol brasileiro, mas o caso do Atlético ganhou destaque devido às ações judiciais de jogadores titulares. Gustavo Scarpa, contratado por cinco milhões de euros do Nottingham Forest em 2023, acumula 98 jogos, 11 gols e 18 assistências pelo clube. Igor Gomes, no Galo desde 2023, tem 127 partidas e oito gols. Já Rony, que chegou em fevereiro de 2025 por 6,5 milhões de euros, marcou 10 gols em 28 jogos. A saída de jogadores de peso pode comprometer o planejamento do clube para competições como a Copa Sul-Americana e o Brasileirão.
Reações no elenco e impacto no vestiário
A insatisfação no elenco do Atlético-MG não se restringe aos três jogadores que acionaram a Justiça. Outros atletas, como Hulk, já manifestaram publicamente descontentamento com atrasos salariais. Reuniões recentes entre jogadores e diretoria evidenciaram a falta de transparência nas promessas de regularização financeira. A situação gerou tensões no vestiário, antes marcado pela união, e pode afetar o desempenho em jogos decisivos, como o confronto contra o Bucaramanga pela Copa Sul-Americana, marcado para 24 de julho.
- Atrasos salariais impactam a motivação do elenco.
- Reuniões com a diretoria não resultaram em soluções concretas.
- Possibilidade de outros jogadores seguirem o mesmo caminho judicial.
- Pressão da torcida aumenta após derrotas recentes no Brasileirão.
O ambiente conturbado também foi agravado por protestos de torcedores. Após derrotas para Bahia e Palmeiras no Brasileirão, uma organizada cobrou jogadores como Scarpa, Júnior Santos e Rômulo, exigindo maior comprometimento em campo. O cântico “Ou joga por amor, ou joga por terror” ecoou na Cidade do Galo, sinalizando a insatisfação da torcida.
Aspectos legais das ações judiciais
As ações de Scarpa, Gomes e Rony têm respaldo na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que garante a rescisão indireta de contratos em casos de atrasos superiores a dois meses em salários, direitos de imagem ou FGTS. No caso de Rony, o pedido de rescisão é baseado em pendências no FGTS, luvas e direitos de imagem vencidos em 20 de julho. A Justiça do Trabalho avaliará as provas apresentadas, mas precedentes, como o caso de Scarpa contra o Fluminense em 2017, indicam que atrasos prolongados no FGTS favorecem os atletas.
Scarpa e Gomes, por enquanto, optaram por notificações extrajudiciais, cobrando os valores devidos sem pedir a rescisão. A diferença de abordagem reflete estratégias distintas: enquanto Rony busca deixar o clube, os meias parecem dispostos a negociar. O Atlético, por sua vez, pode argumentar que quitou parte das pendências recentemente, mas a cláusula compensatória, que pode chegar a 400 vezes o salário mensal, é um ponto de disputa.
- Rescisão indireta garantida por atrasos superiores a dois meses.
- Cláusula compensatória pode custar milhões ao clube.
- Precedente de Scarpa contra o Fluminense favorece jogadores.
- Processos podem se estender por meses, criando incertezas.
Implicações para o futuro do Atlético-MG
A crise financeira do Atlético-MG pode ter consequências duradouras. Caso Rony consiga a rescisão, ele ficará livre para negociar com clubes do exterior ou de divisões inferiores no Brasil, já que disputou mais de seis jogos pelo Galo no Brasileirão 2025, o que o impede de atuar por outra equipe da Série A. A perda de jogadores sem compensação financeira preocupa a diretoria, que já enfrenta dificuldades para equilibrar as contas.
Além disso, a possibilidade de outros atletas seguirem o exemplo de Rony aumenta a pressão sobre a administração. O clube tenta manter a competitividade, com jogos importantes como o confronto contra o Flamengo pelo Brasileirão, marcado para 27 de julho. No entanto, a crise no vestiário e as cobranças da torcida podem comprometer o desempenho em campo.
- Risco de perda de jogadores sem retorno financeiro.
- Limitação de Rony para atuar em outro clube da Série A em 2025.
- Pressão por resultados em competições como a Sul-Americana.
- Necessidade de reestruturação financeira para evitar novas ações judiciais.
Perspectivas para os jogadores envolvidos
Gustavo Scarpa, com 98 jogos pelo Atlético, é um dos pilares do time, com atuações destacadas na Libertadores e no Brasileirão. Sua notificação ao clube indica uma tentativa de pressionar por regularização sem romper o vínculo. Igor Gomes, com menos destaque, mas ainda importante no elenco, segue a mesma linha. Já Rony, titular absoluto, tomou uma decisão mais drástica ao pedir a rescisão, sinalizando que não pretende retornar ao clube enquanto as pendências não forem resolvidas.
A saída de Rony pode abrir portas para negociações com clubes internacionais, mas sua situação contratual dependerá do andamento do processo judicial. O atacante, que custou cerca de R$ 40 milhões ao Atlético, é um ativo valioso no mercado, mas a crise financeira do clube pode limitar suas opções de reforçar o elenco para substitui-lo.
Medidas do Atlético para conter a crise
O Atlético-MG trabalha para quitar as pend Feasibilityes financeiras e evitar novas ações judiciais. Na semana anterior a 22 de julho, o clube regularizou parte dos salários e direitos de imagem, mas novas pendências, como os direitos de imagem de julho, voltaram a vencer. A diretoria busca soluções para equilibrar as finanças, mas a dívida de R$ 1,4 bilhão e os altos investimentos em contratações, como as de Scarpa e Rony, dificultam a gestão.
A SAF do Atlético, que recebeu aportes significativos, destinou parte dos recursos para reduzir a dívida, mas os problemas persistem. A administração agora enfrenta o desafio de manter a competitividade em campo enquanto lida com a insatisfação do elenco e da torcida. A resolução dos casos judiciais será crucial para definir o futuro do clube na temporada.
- Pagamento parcial de direitos de imagem na semana passada.
- Dívida de R$ 1,4 bilhão impacta planejamento financeiro.
- SAF tenta equilibrar contas com novos aportes.
- Necessidade de transparência para recuperar confiança do elenco.















