INSS registra 3,5 milhões de afastamentos em 2024: coluna lidera ranking

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Foto: INSS - Foto: Divulgação/Gov.br

Hérnia de disco foi a principal causa de afastamentos do trabalho registrados pelo INSS em 2024, com 205.100 benefícios por incapacidade temporária concedidos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Entre janeiro e dezembro, o órgão registrou 3,5 milhões de benefícios, um aumento de 39% em relação a 2023. Além da hérnia, dores lombares (172.400 casos) e fraturas na perna (147.600 casos) completam o topo da lista. Esses benefícios, antes chamados de auxílio-doença, são concedidos para afastamentos superiores a 15 dias, após perícia médica. O crescimento reflete a falta de prevenção em empresas e o aumento de transtornos mentais, como ansiedade, que subiram 67% no período. Em 2025, novas regras e a inclusão de 165 patologias na lista de doenças ocupacionais ampliam direitos trabalhistas.

O aumento expressivo de afastamentos destaca a necessidade de atenção à saúde no trabalho. Doenças de coluna, como hérnia de disco e lombalgia, dominam, mas transtornos mentais ganham espaço.

A ausência de medidas preventivas agrava o cenário. Especialistas reforçam que ergonomia e programas de saúde mental podem reduzir os números e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

médico
Médico – Foto: Volha_R/ Shutterstock.com
  • Principais causas de afastamento em 2024:
    • Hérnia de disco: 205.100 benefícios.
    • Dor lombar: 172.400 casos.
    • Fraturas na perna: 147.600 benefícios.
    • Transtornos mentais, como ansiedade, com 472.300 casos.

Hérnia de disco e problemas de coluna

Hérnia de disco liderou os afastamentos em 2024, com 205.100 benefícios concedidos. A condição, caracterizada por deslocamento do material discal na coluna, causa dores intensas e limita movimentos, afetando trabalhadores de diversas áreas.

Fatores como sedentarismo, posturas inadequadas e esforços repetitivos contribuem para a prevalência. Embora a predisposição genética seja relevante, ambientes de trabalho sem ajustes ergonômicos amplificam os casos.

Empresas que negligenciam normas de segurança enfrentam custos elevados com afastamentos. Advogados trabalhistas destacam que a falta de prevenção pode levar a indenizações por danos morais e materiais.

  • Fatores que agravam hérnia de disco:
    • Posturas inadequadas por longos períodos.
    • Levantamento de peso sem técnica adequada.
    • Falta de pausas em atividades repetitivas.
    • Sedentarismo e obesidade.

Crescimento de transtornos mentais

Transtornos mentais, como ansiedade e depressão, registraram 472.300 afastamentos em 2024, um aumento de 67% em relação a 2023. A síndrome de burnout, reconhecida como doença ocupacional pela OMS em 2022, também contribui, embora com apenas 4.000 casos registrados, devido à dificuldade de diagnóstico.

A pandemia intensificou problemas emocionais, com o home office e a falta de desconexão digital agravando o estresse. Apenas 46% dos municípios brasileiros possuem programas de atendimento a transtornos mentais, segundo a Iniciativa SmartLab 2025.

Empresas que implementam políticas de bem-estar, como pausas programadas e limites no uso de tecnologias, observam redução nesses números. A conscientização sobre saúde mental é essencial para mitigar afastamentos.

Novas regras para benefícios em 2025

Em 2025, o INSS mantém a dispensa de perícia médica presencial para alguns casos de benefícios por incapacidade temporária. Trabalhadores podem enviar documentos pelo aplicativo Meu INSS, incluindo diagnóstico com código CID, data de emissão do atestado (até 90 dias) e prazo de repouso estimado.

O benefício é calculado como 91% da média dos salários de contribuição, respeitando o teto do INSS (R$ 7.786,02 em 2025) e o salário mínimo (R$ 1.518). Para doenças ocupacionais, há estabilidade de 12 meses após a alta médica e recolhimento do FGTS durante o afastamento.

  • Documentos exigidos para o benefício:
    • Nome completo do segurado.
    • Diagnóstico por extenso ou código CID.
    • Assinatura e registro do médico emitente.
    • Data de início do afastamento e prazo de repouso.

Impacto das doenças ocupacionais

A atualização da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho em 2023, com 165 novas patologias, incluindo burnout e transtornos mentais, ampliou os direitos dos trabalhadores. Entre 2012 e 2024, o INSS registrou 2,6 milhões de afastamentos acidentários, com custos de R$ 173 bilhões.

Doenças ocupacionais, como lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) e problemas respiratórios, representam 3,5 milhões de casos notificados no SUS entre 2007 e 2022. Setores como bancos e construção civil são os mais afetados, com alimentadores de linhas de produção e motoristas de caminhão entre as ocupações de maior risco.

A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é obrigatória para doenças ocupacionais, garantindo direitos como estabilidade e benefícios acidentários.

Prevenção no ambiente de trabalho

A prevenção continua sendo o maior desafio. Normas regulamentadoras, como a NR-1, revisada em 2024, exigem que empresas adotem medidas de segurança e saúde, sob risco de multas. Programas de ergonomia, pausas regulares e treinamentos podem reduzir significativamente os afastamentos.

  • Medidas preventivas eficazes:
    • Uso de equipamentos ergonômicos, como cadeiras ajustáveis.
    • Treinamentos sobre posturas corretas e segurança.
    • Limites claros para reuniões virtuais e demandas digitais.
    • Programas de apoio à saúde mental.

Investir em prevenção reduz custos com benefícios e aumenta a produtividade. A conscientização sobre o “direito à desconexão” também ganha força, especialmente para trabalhadores remotos.

Saúde feminina e mioma uterino

Embora mioma uterino tenha caído para a terceira posição em 2024, com cerca de 46.900 casos, a condição ainda impacta significativamente mulheres em idade fértil. Cerca de 80% delas desenvolvem miomas, que causam sintomas como sangramentos intensos e dores pélvicas, exigindo afastamentos.

A cirurgia, como a miomectomia, pode demandar repouso de 15 a 30 dias. A falta de informação sobre a doença dificulta o diagnóstico precoce, segundo especialistas. Comunidades de apoio, como grupos online, ajudam a conscientizar trabalhadoras sobre os sintomas.

Empresas podem contribuir com políticas de saúde voltadas para mulheres, como acesso a exames preventivos e flexibilidade em jornadas durante tratamentos.

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