Maranguape, município da Região Metropolitana de Fortaleza, foi apontado como a cidade com maior taxa de homicídios no Brasil em 2024, registrando 79,9 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (24). Além de Maranguape, Caucaia e Maracanaú, também no Ceará, aparecem entre as dez cidades mais violentas do país, com taxas de 68,7 e 68,5 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente. O Ceará, terceiro estado mais violento do Brasil, enfrenta desafios com a escalada de disputas entre facções criminosas, como Comando Vermelho e Guardiões do Estado, que impulsionam os Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs). A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) destaca, no entanto, reduções significativas nos índices de violência em 2025, com investimentos em inteligência e policiamento.
O Anuário, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, considera CVLIs como homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes de policiais e mortes por intervenções policiais. Em 2024, Maranguape registrou 87 homicídios em uma população de 108 mil habitantes, a menor entre as cidades do ranking. Apesar do destaque negativo, a SSPDS informou que ações intensificadas a partir do segundo semestre de 2024 resultaram em quedas expressivas nos índices de violência em 2025, especialmente em Maranguape, Caucaia e Maracanaú.
- Principais destaques do Anuário 2025:
- Maranguape: 79,9 mortes por 100 mil habitantes.
- Caucaia: 68,7 mortes por 100 mil habitantes, 8º lugar.
- Maracanaú: 68,5 mortes por 100 mil habitantes, 9º lugar.
- Ceará: 37,5 mortes por 100 mil habitantes, 3º estado mais violento.
Escalada da violência em Maranguape
Maranguape, conhecida por ser a terra natal do humorista Chico Anysio e por atrações turísticas como parques aquáticos e fazendas, viu sua taxa de homicídios explodir em 2024. O município, que não figurava entre os mais violentos em 2022, registrou um aumento de 87% na taxa de CVLIs de 2022 para 2023, alcançando 74,2 mortes por 100 mil habitantes no ano anterior. Em 2024, a taxa subiu para 79,9, consolidando a cidade como a mais perigosa do Brasil entre aquelas com mais de 100 mil habitantes.
A principal causa apontada pelo Anuário é a guerra entre as facções Comando Vermelho e Guardiões do Estado, que disputam territórios para o tráfico de drogas na Região Metropolitana de Fortaleza. Essas disputas têm gerado tiroteios, execuções e um clima de insegurança, especialmente em áreas periféricas de Maranguape. Apesar do cenário, a SSPDS destacou que, em 2025, o município apresentou uma redução de 29,1% nos CVLIs no primeiro semestre, com 39 casos registrados contra 55 no mesmo período de 2024.
A resposta do governo cearense inclui o reforço no policiamento ostensivo e a integração de setores de inteligência. Investimentos em tecnologia, como sistemas de videomonitoramento e radiocomunicação, também foram ampliados. A SSPDS informou que, desde julho de 2024, estratégias focadas em prevenção e repressão qualificadas reduziram os índices criminais em todo o estado.
Contexto da violência no Ceará
O Ceará ocupa a terceira posição entre os estados mais violentos do Brasil, com uma taxa de 37,5 mortes por 100 mil habitantes em 2024. Apenas Amapá (45,1) e Bahia (40,6) apresentaram índices superiores. O estado registrou um aumento de 10,9% nos CVLIs em 2024 em relação a 2023, sendo um dos quatro estados brasileiros com crescimento nesse indicador, ao lado de Maranhão, São Paulo e Minas Gerais.
Além de Maranguape, Caucaia e Maracanaú, outros municípios da Região Metropolitana de Fortaleza também enfrentam desafios com a violência. Caucaia, com 258 homicídios em 2024, e Maracanaú, com 171, refletem a concentração de crimes violentos na região. A SSPDS, no entanto, aponta que o primeiro semestre de 2025 trouxe melhorias significativas:
- Reduções no primeiro semestre de 2025:
- Maranguape: 29,1% (39 casos contra 55 em 2024).
- Caucaia: 20,2% (118 casos contra 148 em 2024).
- Maracanaú: 16,3% (77 casos contra 92 em 2024).
- Fortaleza: 10,7% (391 casos contra 438 em 2024).
O secretário da SSPDS, Roberto Sá, destacou o programa Ceará Contra o Crime como um dos pilares para a redução dos índices. O programa inclui a reestruturação das forças de segurança, aumento de efetivo e bonificações por metas alcançadas, como o sistema de Metas Integradas de Segurança Pública (Misp).
Ações contra a criminalidade
O governo do Ceará intensificou esforços para combater a violência, com foco na repressão qualificada e na prevenção. Em 2024, foram entregues 3.527 novos equipamentos de radiocomunicação, criando a maior rede integrada do Brasil para as forças de segurança. Além disso, 1.623 novos policiais militares foram convocados, e concursos para a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros foram anunciados.
A SSPDS também destacou o aumento de 45,1% nas prisões por participação em organizações criminosas no primeiro semestre de 2025, totalizando 904 capturas. As apreensões de armas de fogo cresceram 8,7%, com 3.544 unidades retiradas de circulação. Essas ações contribuíram para a redução de 16,6% nos CVLIs no estado entre janeiro e junho de 2025, com 1.429 casos contra 1.714 no mesmo período de 2024.
- Medidas implementadas pelo governo:
- Expansão do videomonitoramento para 43 municípios.
- Criação do Programa de Proteção Territorial e Gestão de Riscos (Proteger).
- Aumento de 50% na gratificação por apreensão de armas.
- Reforço no efetivo com novos policiais militares e civis.
Impacto das facções na violência
As disputas entre facções são o principal motor da violência em Maranguape e outras cidades da Região Metropolitana. O Comando Vermelho e os Guardiões do Estado competem pelo controle do tráfico de drogas, resultando em homicídios e outros crimes violentos. Em Maranguape, a escalada de conflitos armados transformou áreas residenciais em zonas de risco, afetando a rotina da população.
A SSPDS tem intensificado operações para desarticular esses grupos, com foco em prisões de líderes e apreensão de armas. Em Fortaleza, as capturas por envolvimento em organizações criminosas aumentaram 114,3% no primeiro semestre de 2025, com 300 prisões contra 140 no mesmo período de 2024. Essas ações, segundo Roberto Sá, são essenciais para reduzir a influência das facções.
Perspectivas para 2025
O primeiro semestre de 2025 trouxe sinais de melhora nos indicadores criminais do Ceará. Além da redução nos CVLIs, os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs), como roubos, caíram 23,9% no estado, com destaque para Fortaleza, que registrou uma queda de 31% em fevereiro. A SSPDS atribui esses resultados à combinação de tecnologia, inteligência policial e maior presença ostensiva nas ruas.
A população também é incentivada a contribuir com denúncias anônimas pelo número 181 ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181. A pasta reforça que o sigilo é garantido, e as informações ajudam a direcionar operações policiais. Apesar dos avanços, o desafio de reduzir a violência em Maranguape e outras cidades cearenses permanece, especialmente diante da influência das facções criminosas.
Comparação com o cenário nacional
O Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais em 2024, uma queda de 5,4% em relação a 2023, com uma taxa média de 20,8 mortes por 100 mil habitantes — a menor desde 2012. O Ceará, no entanto, segue na contramão dessa tendência nacional, com aumento de 10,9% nos CVLIs. A concentração de violência na Região Metropolitana de Fortaleza evidencia a necessidade de estratégias específicas para a região.
Outros estados, como Bahia e Pernambuco, também enfrentam altas taxas de homicídios, mas o Ceará se destaca pela presença de três cidades entre as dez mais violentas do país. A SSPDS aposta em programas como o Misp e em parcerias com outras secretarias para reverter esse cenário, com foco na prevenção em comunidades vulneráveis.
- Estados com maiores taxas de CVLIs em 2024:
- Amapá: 45,1 mortes por 100 mil habitantes.
- Bahia: 40,6 mortes por 100 mil habitantes.
- Ceará: 37,5 mortes por 100 mil habitantes.
- Pernambuco: 36,2 mortes por 100 mil habitantes.
- Alagoas: 35,4 mortes por 100 mil habitantes.

