Deolane Bezerra é presa pela segunda vez em operação contra lavagem do PCC em SP

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Deolane - Foto: Instagram/@dra.deolanebezerra

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa na manhã de quinta-feira em São Paulo durante operação do Ministério Público e da Polícia Civil contra esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. A ação, denominada Operação Vérnix, também visava parentes e integrantes da cúpula da facção, incluindo familiares de Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

A prisão marca a segunda vez que Deolane enfrenta essa situação em menos de um ano. Em setembro de 2024, ela havia sido detida durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, quando investigações apontaram investimentos de R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo nos últimos três anos.

Segunda prisão e operação contra facção

Deolane retornou ao Brasil na quarta-feira, um dia antes da prisão, após permanecer em Roma durante as últimas semanas. Seu nome havia sido incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol como procurada. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em sua residência em Barueri, município da Grande São Paulo, e em outros endereços a ela relacionados.

A operação atingiu seis investigados com mandados de prisão preventiva. Além de Deolane, foram presos Everton de Souza, indicado como operador financeiro da organização. Os irmãos de Marcola também foram alvo: Alejandro Camacho, que cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, recebeu nova ordem de prisão preventiva. Dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, constam como foragidos no exterior.

Origem do esquema e investigação preliminar

A investigação teve origem em 2019 com apreensão de bilhetes e manuscritos de dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou referências a ordens internas da facção e menções a ações violentas contra servidores públicos. Os dois foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.

Deolane – Foto: Instagram

Entre os manuscritos, chamou atenção a citação a uma “mulher da transportadora” que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados. Essa menção gerou segundo inquérito que buscou identificar a pessoa e sua relação com a empresa de cargas.

As diligências conduziram a identificação de uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, reconhecida como empresa de fachada para lavagem de dinheiro. A Operação Lado a Lado, em 2021, revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e utilização da transportadora como braço financeiro da facção.

Ligação financeira com influenciadora

A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, indicado como operador central, trouxe informações sobre conexões entre a lavagem de dinheiro e uma influenciadora digital de grande projeção. As imagens dos depósitos favorecendo contas de Deolane foram localizadas no aparelho apreendido.

Investigadores constataram que a influenciadora possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas. Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing. Everton de Souza, indicado como intermediador, teria orientado esses “fechamentos” mensais.

Quase 50 depósitos foram feitos a duas empresas de Deolane, totalizando R$ 716 mil, provenientes de uma empresa apresentada como banco de crédito. As análises apontaram ausência de pagamentos relacionados a esses créditos, indicativo de ocultação de recursos do PCC.

Bloqueio de bens e valores

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Os investigadores contabilizaram ainda R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados. Em nome de Deolane especificamente, foram bloqueados R$ 27 milhões referentes a valores cuja origem não foi comprovada.

As provas apontaram ausência de prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados às suas contas e empresas. A sofisticação do esquema, conforme entendimento da Justiça, utilizava a projeção pública, atividade empresarial formal e movimentação patrimonial como camadas de aparente legalidade para dificultar identificação da origem ilícita dos recursos.

Contexto anterior e operação Integration

A primeira prisão de Deolane ocorreu em setembro de 2024, quando permaneceu cinco dias detida no Recife. Posteriormente, obteve habeas corpus e passou a responder em liberdade com medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica.

Naquela operação, a Polícia Civil de Pernambuco investigava suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais e plataformas de apostas online. As autoridades afirmaram que o grupo utilizaria empresas de publicidade, eventos, casas de apostas e outras operações financeiras para ocultar dinheiro proveniente de jogos de azar ilegais. Foi bloqueado cerca de R$ 2,1 bilhões em bens e ativos dos investigados.

A defesa de Deolane negou qualquer irregularidade na ocasião anterior, afirmando que ela era vítima de perseguição e abuso de autoridade. Até o momento, não houve condenação definitiva divulgada publicamente contra ela nesse primeiro caso.

Trajetória e morte do marido MC Kevin

Deolane ganhou notoriedade nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em maio de 2021. Kevin caiu da varanda de um quarto de hotel na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, aos 23 anos. Segundo investigação da Polícia Civil do Rio, a perícia concluiu que a morte foi acidental, sem indícios de agressão ou luta corporal.

Após esse evento, Deolane ampliou sua presença nas redes sociais, participando de programas de TV e atuando no mercado de apostas online e publicidade digital. Atualmente, possui cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, conforme plataformas de monitoramento de redes sociais.

A influenciadora ganhou visibilidade por publicar fotos detalhadas de carros de luxo e mansões onde morou ou mora em Alphaville, Barueri. Sua rotina incluía viagens a Dubai e Roma, passeios de helicóptero e jatinho, conteúdo frequentemente compartilhado em redes sociais.

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