Anestesia para tatuagens é vetada: conheça famosos que usaram o métodoPor Jeronimo Santos
7 min de leitura
![]() |
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em 28 de julho de 2025, uma resolução no Diário Oficial da União que proíbe o uso de sedação, anestesia geral ou bloqueios anestésicos periféricos em procedimentos de tatuagem, independentemente da extensão ou região do corpo. A medida, que visa garantir a segurança dos pacientes, permite exceções apenas para tatuagens reparadoras com indicação médica, como em casos de reconstrução de pele. Antes da proibição, diversos famosos brasileiros recorreram à anestesia para realizar tatuagens extensas, enfrentando longas sessões sem dor. A decisão gerou debates nas redes sociais, com destaque para os riscos associados à prática, como complicações respiratórias e cardíacas. A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) já alertava sobre os perigos, reforçando a necessidade de acompanhamento médico especializado.
A prática de tatuar sob anestesia geral ganhou popularidade entre celebridades que buscavam cobrir grandes áreas do corpo em uma única sessão, evitando a dor intensa do procedimento. Apesar da controvérsia, nomes como MC Daniel, Rafaella Santos e Igor Kannário compartilharam suas experiências, destacando a complexidade e os cuidados envolvidos.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
- Riscos apontados: Inibição respiratória, queda de pressão arterial, alergias e broncoaspiração.
- Exceções permitidas: Tatuagens reparadoras com prescrição médica.
- Profissionais envolvidos: Anestesia requer médicos especializados e ambiente hospitalar.
Por que a anestesia era usada em tatuagens
A busca por tatuagens extensas, que cobrem grandes áreas como costas, braços ou pernas, levou muitos famosos a optarem pela sedação. O procedimento, realizado em clínicas com acompanhamento médico, permitia sessões de até oito horas sem desconforto. Artistas como MC Daniel, que retocou uma tatuagem nas costas em sete horas, e Igor Kannário, que cobriu diversas partes do corpo, destacaram a praticidade da técnica. A anestesia geral eliminava a dor, mas exigia jejum prévio e cuidados intensivos, como entubação em alguns casos.
A popularidade da prática cresceu com o aumento da visibilidade nas redes sociais, onde famosos exibiam os resultados. No entanto, especialistas alertavam para os riscos, como hipoxemia e arritmias, que podiam surgir em procedimentos mal conduzidos. A resolução do CFM reforça a necessidade de restringir a técnica a contextos médicos específicos, encerrando a possibilidade de uso estético.
Famosos que aderiram à técnica antes do veto
Diversos artistas brasileiros utilizaram a anestesia para realizar tatuagens extensas, compartilhando os resultados em redes sociais. A prática, embora polêmica, era vista como uma solução para sessões longas e dolorosas.
- MC Daniel: Retocou uma tatuagem nas costas em uma sessão de sete horas, realizada em 2024, com acompanhamento médico.
- Rafaella Santos: Cobriu um desenho antigo nas costas com uma nova tatuagem de um leão, sob anestesia, em 2024.
- Igor Kannário: Passou por uma sessão de oito horas em Salvador, com seis tatuadores, para retocar e criar novos desenhos, incluindo homenagens à esposa e ao filho.
- MC Cabelinho: Tatuou as costas em uma única sessão de oito horas, utilizando anestesia geral e entubação.
- Oruam: Cobriu metade do corpo com tatuagens, incluindo uma homenagem ao pai, em uma sessão com sedação no final de 2024.
A exposição dessas experiências gerou reações mistas, com elogios à coragem dos artistas e críticas aos riscos envolvidos. A proibição do CFM deve impactar futuras escolhas de celebridades, que agora precisarão enfrentar a dor ou dividir os procedimentos em várias sessões.
Riscos médicos associados à prática
A decisão do CFM foi motivada por preocupações com a segurança dos pacientes. Especialistas destacam que a anestesia geral, mesmo em ambientes controlados, apresenta riscos significativos.
- Inibição respiratória: A sedação pode comprometer a respiração espontânea, levando à hipoxemia.
- Queda de pressão arterial: Alterações hemodinâmicas são comuns durante a anestesia, exigindo monitoramento constante.
- Broncoaspiração: Sem jejum adequado, há risco de aspiração de alimentos, o que pode ser fatal.
- Alergias e arritmias: Reações adversas aos medicamentos anestésicos podem desencadear complicações graves.
- Falta de estrutura adequada: Clínicas sem equipamentos de emergência aumentam o perigo em caso de complicações.
A Sociedade Brasileira de Anestesiologia já havia emitido alertas, recomendando que a anestesia fosse realizada apenas por médicos especializados e em ambientes hospitalares. A proibição reforça essas diretrizes, priorizando a segurança em procedimentos estéticos.
Casos de complicações e críticas públicas
A prática de tatuar sob anestesia não passou sem críticas. Em 2025, a morte do influenciador Ricardo Godoi, de 45 anos, durante um procedimento com anestesia geral em Itapema, Santa Catarina, chocou o público. Godoi, conhecido por seu trabalho com carros de luxo, sofreu uma parada cardíaca antes de concluir a tatuagem nas costas. O caso, amplamente divulgado nas redes sociais, intensificou o debate sobre os riscos da prática.
Comentários em redes sociais também refletiram a divisão de opiniões. Alguns internautas ironizaram a escolha de famosos, como DJ Gustavo o Brabo, que usou sedação para “não sentir dor”. Outros criticaram a banalização de procedimentos invasivos, apontando o risco de paradas cardiorrespiratórias. A resolução do CFM foi recebida como uma medida necessária para evitar tragédias semelhantes.
Impacto da proibição no mercado de tatuagens
A decisão do CFM deve alterar o mercado de tatuagens no Brasil, especialmente para procedimentos extensos. Estúdios que ofereciam sessões com sedação, como o Capone Club, em Salvador, precisarão adaptar seus serviços. Tatuadores como Bruno Gomes, que trabalhou com Igor Kannário, destacaram que a anestesia permitia realizar em oito horas o que levaria até 25 horas em sessões tradicionais. Sem essa possibilidade, clientes podem optar por dividir os procedimentos, aumentando o tempo e o custo total.
- Mudança nas sessões: Tatuagens grandes serão realizadas em etapas, prolongando o processo.
- Aumento de custos: Mais sessões podem elevar os gastos com estúdios e tatuadores.
- Foco na segurança: A proibição reforça a importância de ambientes controlados e profissionais qualificados.
- Novas técnicas: Tatuadores podem investir em métodos menos invasivos, como cremes anestésicos tópicos.
A medida também pode incentivar maior conscientização sobre os cuidados pós-tatuagem, como cicatrização e prevenção de infecções, já que tatuagens extensas exigem atenção redobrada sem o uso de sedação.
Alternativas para tatuagens extensas
Com a proibição, tatuadores e clientes buscam alternativas para minimizar a dor em sessões longas. Cremes anestésicos tópicos, que não requerem intervenção médica, são uma opção viável, embora menos eficazes para grandes áreas. Outra possibilidade é o uso de técnicas de distração, como música ou pausas frequentes durante o procedimento.
- Cremes tópicos: Reduzem a dor superficial, mas não eliminam o desconforto em sessões prolongadas.
- Pausas estratégicas: Dividir a sessão em intervalos pode ajudar a gerenciar a dor.
- Técnicas avançadas: Máquinas de tatuagem modernas causam menos trauma à pele, reduzindo a dor.
- Acompanhamento psicológico: Técnicas de relaxamento podem ajudar clientes a suportar o processo.
A proibição também destaca a importância de escolher tatuadores experientes, capazes de otimizar o tempo e minimizar o desconforto. Davi Brito, por exemplo, conseguiu fechar o braço em uma única sessão sem anestesia, demonstrando que a resistência à dor varia entre os indivíduos.
O que muda para os famosos e o público
A decisão do CFM impacta diretamente famosos que popularizaram a prática, como MC Poze do Rodo e MC Pedrinho, que usaram anestesia para tatuagens temáticas. A proibição pode levar a uma mudança de comportamento, com mais artistas optando por tatuagens menores ou sessões fracionadas. Para o público geral, a medida reforça a importância de avaliar os riscos antes de realizar procedimentos estéticos.
A resolução também abre espaço para debates sobre a regulamentação de tatuagens no Brasil. Enquanto alguns defendem a liberdade de escolha dos clientes, outros apoiam a restrição, destacando os perigos de procedimentos desnecessariamente invasivos. O caso de Ricardo Godoi serve como um alerta para a necessidade de maior cuidado e informação.















