Jacira Roque de Oliveira, conhecida como Dona Jacira, mãe do rapper Emicida e do cantor e empresário Evandro Fióti, faleceu nesta segunda-feira, 28 de julho de 2025, aos 60 anos, em São Paulo. A escritora e artista plástica estava internada em um hospital da capital paulista, mas a causa da morte não foi oficialmente divulgada. Dona Jacira enfrentava lúpus, uma doença autoimune, há mais de duas décadas e realizava hemodiálise há 25 anos. Além de Emicida e Fióti, ela deixa as filhas Katia e Katiane. Sua trajetória, marcada por superações e contribuições culturais, inspirou gerações, especialmente na zona norte de São Paulo, onde nasceu e viveu. A morte foi confirmada por amigos próximos à família à revista Marie Claire.
Nascida em 25 de dezembro de 1964, no bairro Jardim Ataliba Leonel, Dona Jacira transformou adversidades em arte e resistência. Sua história de vida, repleta de desafios, foi narrada em sua autobiografia Café, lançada em 2018, e em projetos como o podcast Café com Dona Jacira.
- Legado cultural: Autora, artista plástica e contadora de histórias, ela valorizava a ancestralidade africana.
- Luta pessoal: Enfrentou lúpus e hemodiálise por mais de duas décadas.
- Impacto familiar: Mãe de quatro filhos, foi inspiração para Emicida e Fióti.
- Reconhecimento: Ganhou destaque por sua autenticidade e conexão com a periferia.
Vida marcada por superação
Dona Jacira cresceu em um contexto de dificuldades na zona norte de São Paulo. Sua infância foi marcada por maus-tratos, e aos 13 anos ela se casou, enfrentando um ambiente familiar desafiador. Aos 19, ficou viúva, com quatro filhos para criar, o que a levou a enfrentar períodos de pobreza extrema. Apesar disso, ela nunca abandonou seus sonhos e, na idade adulta, encontrou na escrita e nas artes plásticas formas de expressão e cura. Sua autobiografia Café, publicada pela editora LiteraRUA em parceria com a Laboratório Fantasma, narra essas experiências com profundidade, abordando temas como identidade, justiça e ancestralidade.
A artista também se destacou por sua conexão com a cultura afro-brasileira. Em seus bordados, expostos em eventos como a São Paulo Fashion Week de 2017, ela trouxe elementos da diáspora africana, criando peças que dialogavam com tradições de países como Madagáscar. Sua casa, no bairro Jardim Brasil Novo, tornou-se um ponto de encontro cultural, onde promovia eventos como os Encontros da Colheita e da Semeadura, reunindo moradores da comunidade e visitantes de diversas regiões, incluindo da África.
- Autobiografia Café: Livro lançado em 2018, com memórias de sua trajetória.
- Bordados ancestrais: Suas criações têxteis foram exibidas em desfiles de moda.
- Espaço cultural: Sua casa era um núcleo de troca de saberes na periferia.
- Podcast: Café com Dona Jacira discutia ancestralidade e feminismo.
Contribuições artísticas e culturais
Dona Jacira se reinventou como artista na maturidade. Após trabalhar como empregada doméstica e auxiliar de enfermagem, ela deixou a profissão devido ao agravamento de sua saúde. O lúpus, diagnosticado há mais de 20 anos, e a necessidade de hemodiálise a afastaram do mercado formal, mas não de sua criatividade. Ela começou a escrever e a produzir arte, utilizando retalhos para criar bonecas e bordados que celebravam a cultura negra. Em 2022, ela estreou na televisão como protagonista de um documentário no canal GNT, onde compartilhou suas reflexões sobre legado e ancestralidade, produzido pela Laboratório Fantasma, empresa fundada por seus filhos.
Seu podcast, Café com Dona Jacira, lançado em 2023, alcançou um público fiel ao abordar temas como maternidade, envelhecimento e costumes ancestrais. Os episódios, gravados em sua casa, refletiam sua habilidade como contadora de histórias, conectando vivências pessoais a questões sociais mais amplas. Jacira também foi colunista do portal UOL entre 2021 e 2023, onde escrevia sobre suas experiências como mulher preta e periférica.
- Documentário no GNT: Protagonizou produção sobre legado em 2022.
- Podcast Café: Segunda temporada lançada em 2023, com episódios semanais.
- Colunista no UOL: Escreveu sobre cultura e vivências periféricas.
- Bonecas de retalhos: Criou peças que valorizavam a sustentabilidade.
Relação com os filhos e impacto na música
Dona Jacira foi uma figura central na trajetória de Emicida e Fióti, não apenas como mãe, mas como inspiração para suas carreiras. Emicida, cujo nome real é Leandro, dedicou a ela a música Mãe, que celebra sua força e influência. A Laboratório Fantasma, empresa fundada pelos irmãos em 2009, reflete os valores que Jacira passou aos filhos, como o orgulho pela cultura negra e a importância da comunidade. Apesar de seu papel de apoio, ela sempre buscou sua própria voz, afirmando em entrevistas que não queria ser vista apenas como “a mãe de Emicida”.
Recentemente, a família enfrentou desafios públicos com o fim da parceria empresarial entre Emicida e Fióti, anunciado em abril de 2025. A disputa judicial envolvendo a Laboratório Fantasma ganhou destaque, e Dona Jacira se posicionou em defesa de Fióti, destacando a dor da família em meio ao conflito. Em uma carta aberta publicada no Instagram, ela enfatizou a importância da palavra e da justiça, pedindo que as acusações fossem retratadas. Apesar do conflito, ela reforçou que não escolheria lados, mantendo seu papel de matriarca.
- Música Mãe: Homenagem de Emicida à força de Dona Jacira.
- Laboratório Fantasma: Empresa fundada com valores da família.
- Disputa familiar: Jacira defendeu Fióti em meio a conflito empresarial.
- Matriarca: Buscou equilíbrio entre os filhos durante tensões.
Legado na comunidade
A casa de Dona Jacira, na zona norte de São Paulo, era mais do que um lar: era um espaço de resistência cultural. Ela promovia encontros comunitários que abordavam temas como alimentação, arte e ancestralidade, atraindo pessoas de diferentes origens. Sua horta, cultivada no quintal, simbolizava sua conexão com a terra, um tema recorrente em suas falas e projetos. Em entrevistas, ela expressava orgulho por transformar sua casa em um ponto de troca de saberes, embora lamentasse não ter conseguido envolver mais vizinhos em suas iniciativas.
Sua luta contra o lúpus e a hemodiálise por 25 anos foi um exemplo de resiliência. Mesmo com a saúde fragilizada, Jacira mantinha uma rotina ativa, participando de eventos culturais e cuidando de suas “plantinhas”, como mencionou em sua última postagem no Instagram, em 13 de junho de 2025. Na mensagem, ela expressou saudade de sua rotina e gratidão pelo apoio da família e amigos, prometendo retornar assim que estivesse melhor.
- Horta comunitária: Símbolo de sua conexão com a natureza.
- Encontros culturais: Promovia eventos em sua casa na periferia.
- Resiliência: Enfrentou lúpus e hemodiálise com determinação.
- Última postagem: Expressou saudade de sua rotina e projetos.
Repercussão da perda
A notícia do falecimento de Dona Jacira gerou comoção nas redes sociais e entre personalidades culturais. Fãs de Emicida e Fióti, assim como admiradores de seu trabalho, prestaram homenagens, destacando sua força e contribuições. Postagens em redes sociais exaltaram sua trajetória como mulher preta e periférica que transformou dores em arte. A TV Cultura e outros veículos de mídia lamentaram a perda, reforçando seu impacto na cultura brasileira.
A família ainda não se pronunciou oficialmente sobre o velório ou homenagens póstumas. No entanto, a memória de Dona Jacira segue viva em suas obras, como o livro Café, o podcast e suas criações artísticas, que continuam inspirando discussões sobre ancestralidade, resistência e cultura negra. Sua história permanece como um testemunho de superação e amor pela arte.
- Homenagens online: Fãs e artistas lamentaram a perda nas redes.
- Obras duradouras: Livro e podcast perpetuam seu legado.
- Impacto cultural: Inspirou reflexões sobre cultura negra.
- Silêncio da família: Sem detalhes sobre cerimônias fúnebres.
