O atacante português João Félix, de 25 anos, está de malas prontas para deixar o Chelsea e reforçar o Al-Nassr, da Arábia Saudita, em uma transferência que pode alcançar €50 milhões com bônus. O acordo, anunciado pelo jornalista Fabrizio Romano, envolve um pagamento inicial de €30 milhões, com cláusulas adicionais que atendem à valuation do clube inglês. A mudança ocorre após uma temporada irregular no Milan, onde Félix marcou apenas três gols em 21 jogos, e frustra as expectativas de um retorno ao Benfica, clube que o revelou. A negociação, que inclui um contrato de dois anos, marca um novo capítulo na carreira do jogador, que agora jogará ao lado de Cristiano Ronaldo e sob o comando de Jorge Jesus. A decisão reflete a crescente influência da Saudi Pro League no mercado global, atraindo jovens talentos com propostas financeiras robustas.
A trajetória de João Félix tem sido marcada por altos investimentos e expectativas não correspondidas. Desde sua saída do Benfica em 2019, quando foi contratado pelo Atlético de Madrid por €126 milhões, o jogador enfrentou dificuldades para se firmar em grandes clubes europeus. Empréstimos ao Chelsea, Barcelona e Milan mostraram lampejos de talento, mas a inconsistência o levou a buscar novos ares fora da Europa.
- Principais clubes na carreira de João Félix:
- Benfica (2018-2019): 20 gols em 43 jogos, destaque como promessa.
- Atlético de Madrid (2019-2023): 34 gols em 131 jogos, com título da La Liga em 2021.
- Chelsea (2023 e 2024-2025): 11 gols em 40 jogos, sem titularidade garantida.
- Barcelona (2023-2024): 10 gols em 44 jogos, passagem de altos e baixos.
- Milan (2025): 3 gols em 21 jogos, desempenho abaixo do esperado.
A transferência para o Al-Nassr representa uma mudança drástica, com o jogador optando por um projeto esportivo e financeiro mais vantajoso em detrimento de permanecer em ligas europeias competitivas.
🚨🟡🔵 Al Nassr and Chelsea have signed all documents for João Félix permanent deal.
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) July 28, 2025
João, completing medical today and then signing a two year deal at the club. pic.twitter.com/LpNSHgZQc7
Novo destino na Arábia Saudita
A chegada de João Félix ao Al-Nassr reforça a ambição do clube saudita de dominar a Saudi Pro League. O time, que terminou a última temporada em terceiro lugar, 13 pontos atrás do campeão Al-Ittihad, aposta na dupla portuguesa com Cristiano Ronaldo para liderar o ataque. A contratação também marca o reencontro de Félix com o técnico Jorge Jesus, conhecido por sua abordagem tática ofensiva. O acordo, com um salário estimado em €35 milhões anuais, foi decisivo para superar a concorrência do Benfica, que oferecia €25 milhões por 50% do passe.
O Al-Nassr tem investido pesado em nomes de peso, como Sadio Mané e Aymeric Laporte, consolidando a liga saudita como um destino atraente para jogadores em busca de novos desafios. A transferência de Félix, autorizada para exames médicos em 28 de julho de 2025, está na fase final de documentação e deve ser oficializada em breve.
Críticas e desafios na carreira
A empresária Jen Mendelewitsch, em entrevista à RMC Sport, criticou duramente a trajetória de João Félix, chamando-o de “máquina de imprimir dinheiro” por aceitar projetos que não valorizam seu potencial. Ela destacou que o jogador deveria assumir maior controle sobre sua carreira, apontando a transferência para o Atlético de Madrid como um erro inicial, já que o estilo defensivo de Diego Simeone não se alinhava às características do atacante. A passagem pelo Barcelona, sob o comando de Xavi, foi um dos poucos momentos de destaque, mas insuficiente para garantir estabilidade.
A falta de consistência tem sido um obstáculo recorrente. No Chelsea, Félix disputou apenas 20 jogos na temporada 2024/25, com sete gols e duas assistências, sendo titular em menos da metade das partidas. No Milan, entre fevereiro e junho de 2025, sua produção foi ainda mais limitada, com três gols em 21 jogos. Esses números contrastam com o brilho inicial no Benfica, onde marcou 20 gols em 43 jogos na temporada 2018/2019.
- Fatores que impactaram a carreira de João Félix:
- Altas expectativas após a transferência recorde para o Atlético de Madrid.
- Incompatibilidade com sistemas táticos defensivos.
- Empréstimos frequentes, dificultando adaptação.
- Pressão midiática e comparações com outros jovens talentos.
- Escolhas financeiras em detrimento de projetos esportivos.
Impacto no Chelsea e no mercado europeu
A saída de João Félix do Chelsea, que recuperará cerca de €50 milhões com a venda, permite ao clube londrino equilibrar as finanças e buscar novos reforços. O técnico Enzo Maresca, que não contava com o português para a temporada 2025/26, já negocia com o RB Leipzig por Xavi Simons e com o Ajax por Jorrel Hato, visando fortalecer o elenco para a Premier League. A venda de Félix, somada às saídas de Djordje Petrovic, Kepa Arrizabalaga e Noni Madueke, já rendeu cerca de €130 milhões ao Chelsea, que planeja reinvestir em jovens talentos.
A negociação também frustra o Benfica, que sonhava com o retorno do “menino de ouro”. O clube português, que chegou a negociar €25 milhões por metade dos direitos econômicos, não conseguiu competir com a proposta financeira do Al-Nassr. A decisão de Félix de optar pela Arábia Saudita gerou debates entre torcedores, com muitos questionando se a mudança reflete uma falta de ambição esportiva ou uma escolha pragmática diante das dificuldades na Europa.
O que esperar no Al-Nassr
No Al-Nassr, João Félix terá a oportunidade de atuar ao lado de Cristiano Ronaldo, um ícone do futebol português e referência global. A presença de Jorge Jesus, técnico com experiência em extrair o melhor de jogadores ofensivos, pode ser um diferencial para o atacante. O clube saudita, que disputará amistosos como o contra o Toulouse em 30 de julho, espera que Félix traga criatividade e gols para o ataque, complementando o estilo de jogo de Ronaldo.
A Saudi Pro League tem crescido em visibilidade, atraindo jogadores como Neymar, Karim Benzema e Riyad Mahrez. Para Félix, a mudança representa uma chance de recuperar a confiança e manter a competitividade visando a Copa do Mundo de 2026. No entanto, a transição para um campeonato menos competitivo levanta questões sobre seu futuro em seleções e grandes ligas europeias.
- Expectativas para João Félix no Al-Nassr:
- Adaptação a um campeonato em ascensão, com menor pressão tática.
- Parceria com Cristiano Ronaldo no ataque.
- Recuperação da confiança após passagens instáveis na Europa.
- Contribuição para o projeto de consolidação do Al-Nassr na liga saudita.
Reações e perspectivas no futebol saudita
A transferência de João Félix para o Al-Nassr gerou reações mistas. Enquanto torcedores do clube saudita celebram a chegada de mais um talento internacional, parte da imprensa europeia vê a mudança como um passo arriscado para um jogador de 25 anos. A decisão de deixar a Europa, onde Félix poderia ter optado por clubes como o Benfica ou até mesmo o Porto, reflete a atratividade financeira da Arábia Saudita, que tem investido bilhões em contratações para elevar o nível técnico da liga.
O Al-Nassr, sob o comando de Jorge Jesus, busca um título que escapou na última temporada. A contratação de Félix é vista como um movimento estratégico para reforçar o elenco e competir com rivais como Al-Hilal e Al-Ittihad. A expectativa é que o português traga dinamismo ao ataque, aproveitando a liberdade tática que o campeonato saudita oferece.
- Principais concorrentes do Al-Nassr na Saudi Pro League:
- Al-Hilal: atual campeão, com Neymar e Mitrovic no elenco.
- Al-Ittihad: liderado por Karim Benzema, busca recuperação.
- Al-Ahli: conta com Riyad Mahrez e Roberto Firmino.
- Al-Ettifaq: aposta em jovens talentos e reforços europeus.
Um novo capítulo para João Félix
Aos 25 anos, João Félix acumula 223 jogos, 92 gols e 44 assistências na carreira, números expressivos, mas aquém do potencial esperado quando surgiu como promessa no Benfica. A transferência para o Al-Nassr, embora polêmica, pode ser uma oportunidade para o jogador se reinventar em um ambiente menos pressionado. A presença de Ronaldo e Jesus, aliados à estrutura financeira do clube, cria um cenário favorável para que Félix recupere o protagonismo.
A mudança também reflete a nova realidade do futebol global, com a Arábia Saudita se consolidando como um polo atrativo para jogadores em diferentes fases da carreira. Para o Chelsea, a venda alivia as finanças e abre espaço para novos investimentos. Para Félix, o desafio é provar que ainda pode ser o “menino de ouro” que encantou o mundo aos 18 anos.
