Um ciclone extratropical atingiu o Rio Grande do Sul na segunda-feira, 28 de julho de 2025, causando destruição em diversas regiões do estado. Rajadas de vento de até 105 km/h derrubaram um píer em Xangri-Lá, destelharam casas em cidades como Capão da Canoa e Imbé, e deixaram 207 mil clientes sem energia elétrica, segundo a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). No litoral, a Marinha emitiu alerta de ressaca com ondas entre 2,5 e 3,5 metros. A Defesa Civil mantém alerta amarelo para vendavais, com risco de alagamentos em áreas como a Região Metropolitana de Porto Alegre e o Litoral Norte. O fenômeno, que trouxe chuvas intensas e ventos fortes, impactou a infraestrutura e a rotina de milhares de gaúchos, exigindo esforços emergenciais de prefeituras e equipes de resgate.
A força do ciclone foi sentida especialmente no litoral gaúcho, onde a plataforma marítima da praia de Atlântida, em Xangri-Lá, colapsou parcialmente. Cerca de 25 metros da estrutura, usada por pescadores e frequentadores, desabaram devido à violência dos ventos e das ondas. Em Capão da Canoa, pelo menos 150 residências sofreram danos, com postes e árvores derrubados, forçando 16 pessoas a se abrigarem em espaços públicos.
- Principais impactos iniciais:
- Colapso de 25 metros do píer em Atlântida.
- 207 mil clientes sem energia elétrica em todo o estado.
- Alerta de ressaca com ondas de até 3,5 metros no litoral.
Danos em infraestrutura e resposta emergencial
O ciclone extratropical não poupou a infraestrutura urbana do Rio Grande do Sul. Em Imbé, postes caíram, incluindo um que bloqueou a ponte que conecta a cidade a Tramandaí, dificultando o trânsito local. Parte do telhado da garagem da prefeitura foi arrancado, evidenciando a força dos ventos. Em Tramandaí, casas também perderam telhas, e árvores caídas obstruíram vias públicas.
Na Região Sul, Pelotas enfrentou interrupções significativas. Oito unidades básicas de saúde suspenderam atendimentos por falta de energia, impactando a população que depende desses serviços. A Feira Nacional do Doce, evento tradicional da cidade, teve o toldo de um dos portões de acesso destruído, mas sem registro de feridos. Em Rio Grande, uma parede desabou sobre uma residência, danificando um veículo estacionado. Árvores e postes também foram derrubados, complicando a mobilidade urbana.
As equipes de emergência, incluindo a Defesa Civil e bombeiros, foram mobilizadas rapidamente. Em Capão da Canoa, abrigos foram abertos para acolher desabrigados, enquanto a CEEE trabalha para restabelecer a energia. A previsão é que o fornecimento seja normalizado em algumas áreas ainda na terça-feira, 29 de julho, embora o volume de danos dificulte a recuperação total.
- Ações emergenciais:
- Abertura de abrigos públicos em Capão da Canoa.
- Mobilização da Defesa Civil para monitoramento e resgate.
- Trabalhos da CEEE para restabelecer energia em 207 mil pontos.
- Limpeza de vias obstruídas por árvores e postes caídos.
Condições meteorológicas e alertas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta amarelo para vendavais, com risco moderado de alagamentos em regiões como a Serra, Litoral Norte e Região Metropolitana de Porto Alegre. As rajadas de vento, que alcançaram 105 km/h em algumas áreas, foram impulsionadas pelo ciclone extratropical, um fenômeno comum no inverno gaúcho, mas que desta vez trouxe impactos acima do esperado.
A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca para o litoral, com ondas que variam de 2,5 a 3,5 metros, representando risco para estruturas costeiras e atividades marítimas. A combinação de ventos fortes e chuvas intensas agravou a situação, especialmente em cidades litorâneas, onde a erosão costeira já é um problema recorrente.
Na terça-feira, 29 de julho, o ciclone começa a se afastar, mas uma massa de ar polar mantém as temperaturas baixas e traz chuvas isoladas. As áreas mais afetadas, como o Litoral Norte e a Região Metropolitana, devem registrar pancadas de chuva com menores acumulados. A previsão indica que, a partir de quarta-feira, 30 de julho, o tempo ficará mais estável, com predomínio de sol em grande parte do estado.
- Previsão para os próximos dias:
- Terça-feira (29): Chuvas isoladas e temperaturas baixas.
- Quarta e quinta-feira (30 e 31): Tempo firme, sem chuvas.
- Risco de alagamentos persiste em áreas metropolitanas.
Impactos nas comunidades locais
As comunidades litorâneas foram as mais atingidas pelo ciclone. Em Xangri-Lá, a perda do píer de Atlântida, uma estrutura icônica para pescadores e turistas, gerou comoção. A Associação dos Usuários da Plataforma Marítima da Atlântida (Asuplama) informou que a reconstrução será um desafio, dado o custo e a necessidade de reforço contra futuros eventos climáticos.
Em Capão da Canoa, os danos às residências deixaram famílias em situação de vulnerabilidade. A prefeitura local organiza a distribuição de materiais para reparos emergenciais, enquanto avalia os prejuízos totais. Em Imbé, a queda de postes e o dano à infraestrutura pública exigem intervenções rápidas para evitar transtornos prolongados, especialmente na ponte que conecta a cidade a Tramandaí.
Moradores relatam momentos de tensão durante a passagem do ciclone. Em Rio Grande, a queda de uma parede sobre uma casa assustou a comunidade, embora ninguém tenha se ferido. A resiliência dos gaúchos, acostumados a enfrentar eventos climáticos extremos, é testada mais uma vez, com esforços coletivos para superar os estragos.
- Principais áreas afetadas:
- Xangri-Lá: Colapso de píer e danos costeiros.
- Capão da Canoa: 150 casas danificadas e 16 desabrigados.
- Imbé: Postes caídos e telhado da prefeitura destruído.
- Pelotas: Oito unidades de saúde sem atendimento.
Medidas de prevenção e lições do evento
A Defesa Civil reforça a importância de medidas preventivas em eventos climáticos extremos. A população é orientada a evitar áreas costeiras durante alertas de ressaca e a proteger residências contra ventos fortes. A manutenção de infraestruturas, como píeres e postes, também ganha destaque após os danos registrados.
O Inmet e a Marinha recomendam que pescadores e navegantes evitem o mar até que as condições se estabilizem. Para os moradores, a orientação é verificar telhados e estruturas antes de novos eventos climáticos, comuns no inverno gaúcho. A CEEE, por sua vez, enfrenta o desafio de modernizar a rede elétrica para suportar vendavais cada vez mais intensos.
- Dicas de segurança:
- Evitar áreas costeiras durante alertas de ressaca.
- Reforçar telhados e estruturas antes de temporais.
- Não transitar próximo a postes ou árvores durante vendavais.
- Acompanhar alertas do Inmet e da Defesa Civil.
Cenário climático no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul é frequentemente afetado por ciclones extratropicais devido à sua localização geográfica, próxima ao encontro de massas de ar quente e frio. Esses eventos, embora comuns no inverno, têm se intensificado, levantando debates sobre os impactos das mudanças climáticas. A erosão costeira, agravada por ressacas, ameaça estruturas como o píer de Atlântida, enquanto blecautes frequentes expõem a vulnerabilidade da rede elétrica.
A previsão de temperaturas baixas nos próximos dias, com a chegada de uma massa de ar polar, reforça a necessidade de preparo para condições adversas. O estado, que já enfrentou enchentes e temporais em 2024, agora lida com os impactos de mais um evento climático extremo, exigindo coordenação entre autoridades e comunidades.
- Fatores que amplificam os danos:
- Localização geográfica do RS, suscetível a ciclones.
- Erosão costeira intensificada por ressacas.
- Infraestrutura elétrica vulnerável a ventos fortes.

