Departamento de Justiça dos EUA oferece US$ 25 milhões por prisão de Nicolás MaduroPor Bruna
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (28/7/2025), uma recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, acusado de liderar o Cartel de Los Soles, classificado como organização terrorista. A medida, divulgada pela Administração de Repressão às Drogas (DEA), intensifica a pressão contra o regime chavista, em meio a tensões geopolíticas na América Latina. Além de Maduro, o órgão busca informações sobre altos funcionários venezuelanos, como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino López, também ligados ao cartel. A ação ocorre após a classificação do grupo como terrorista pelo governo Trump na sexta-feira (25/7), reforçando a campanha contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional.
A decisão reflete a estratégia dos EUA de combater redes criminosas que ameaçam a segurança hemisférica, com foco em organizações como o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua, supostamente apoiados pelo regime venezuelano. A recompensa, agora elevada, sinaliza a prioridade de Washington em desmantelar o que considera uma estrutura narcoterrorista liderada por Maduro.
- Acusações contra Maduro incluem conspiração para narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
- Diosdado Cabello e Vladimir Padrino López também são alvos da DEA.
- Cartel de Los Soles foi classificado como organização terrorista em 25/7/2025.
Origem das acusações contra Maduro
As acusações contra Nicolás Maduro remontam a 2020, quando o Departamento de Justiça dos EUA o indiciou por narcoterrorismo, tráfico de drogas e corrupção. Na época, a recompensa oferecida era de US$ 15 milhões, valor que foi elevado para US$ 25 milhões em janeiro de 2025, coincidindo com a posse de Maduro para um terceiro mandato, questionado por fraudes eleitorais. O Cartel de Los Soles, segundo as autoridades americanas, é uma rede criminosa composta por militares e funcionários de alto escalão da Venezuela, que facilita o tráfico de cocaína para os Estados Unidos, utilizando rotas aéreas e marítimas.
A classificação do cartel como organização terrorista internacional pelo Departamento do Tesouro dos EUA, em 25 de julho de 2025, marcou um novo capítulo na ofensiva contra o regime venezuelano. A medida foi acompanhada de sanções contra figuras-chave do governo, reforçando a pressão econômica e política sobre Caracas.
- Maduro é acusado de liderar o Cartel de Los Soles desde pelo menos 1999.
- O cartel teria laços com as FARC, Tren de Aragua e Cartel de Sinaloa.
- A recompensa de US$ 25 milhões também se aplica a Diosdado Cabello.
- Vladimir Padrino López tem recompensa de US$ 15 milhões por seu envolvimento.
Estrutura do Cartel de Los Soles
O Cartel de Los Soles é descrito como uma organização criminosa enraizada nas Forças Armadas venezuelanas, composta por oficiais de alta patente e membros do governo. O nome “Los Soles” deriva do emblema de sol presente nos uniformes militares venezuelanos, simbolizando o envolvimento de figuras de autoridade. Segundo o Departamento do Tesouro, o cartel opera como uma rede que coordena o tráfico de drogas, fornecendo apoio logístico e proteção a grupos como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.
As autoridades americanas alegam que o cartel utiliza bases aéreas e portos venezuelanos para transportar grandes quantidades de cocaína, muitas vezes em colaboração com grupos armados colombianos, como as antigas FARC. Essa rede teria se consolidado durante o governo de Hugo Chávez, predecessor de Maduro, e se intensificado sob sua liderança, agravando a crise econômica e migratória na Venezuela.
O envolvimento de figuras como Diosdado Cabello, considerado o segundo homem forte do regime, e Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, é apontado como central para a operação do cartel. Cabello, por exemplo, teria coordenado o transporte de drogas e fornecido armamento pesado a grupos criminosos, enquanto Padrino facilitava o uso do espaço aéreo venezuelano.
.@USTreasury OFAC sanctions Cartel de los Soles as a Specially Designated Global Terrorist. Send info leading to the arrest &/or convictions of Venezuelans Nicolás Maduro Moros, Diosdado Cabello Rondón, & Vladimir Padrino López to CartelSolesTips@dea.govhttps://t.co/brb8cU3ZqO pic.twitter.com/xJZaMW0nzh
— DEA HQ (@DEAHQ) July 28, 2025
Reações internacionais à recompensa
A decisão dos EUA de elevar a recompensa e classificar o Cartel de Los Soles como organização terrorista gerou reações variadas. Países aliados, como o Reino Unido, apoiaram a medida, enquanto nações como Rússia, China e Cuba, que mantêm laços com Maduro, criticaram a ação, classificando-a como uma tentativa de desestabilizar o governo venezuelano.
Na América Latina, a pressão dos EUA intensifica o debate sobre a legitimidade do regime de Maduro, especialmente após as eleições presidenciais de 2024, marcadas por denúncias de fraude. Líderes da oposição venezuelana, como María Corina Machado, receberam a notícia com cautela, destacando a necessidade de ações concretas para restaurar a democracia no país.
- Reino Unido anunciou sanções contra funcionários venezuelanos em 2025.
- Rússia e China condenaram a recompensa como interferência nos assuntos da Venezuela.
- Oposição venezuelana vê a medida como pressão adicional contra Maduro.
Histórico de tensões entre EUA e Venezuela
As tensões entre Washington e Caracas remontam a décadas, mas se intensificaram sob o governo de Hugo Chávez e continuaram com Maduro. Desde 2019, os EUA reconhecem Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, embora Maduro mantenha o controle do país com apoio militar e de aliados internacionais.
A crise política e econômica na Venezuela, agravada por hiperinflação e uma migração em massa de mais de 7 milhões de pessoas, segundo dados da ONU, é frequentemente associada às práticas do regime chavista. As acusações de narcoterrorismo contra Maduro reforçam a narrativa dos EUA de que o governo venezuelano opera como um “narcoestado”, utilizando o tráfico de drogas para financiar suas atividades.
A Operação Gideon, uma tentativa frustrada de invasão da Venezuela em 2020, liderada pelo ex-sargento americano Jordan Goudreau, foi motivada pelas recompensas oferecidas pelos EUA. O fracasso da operação, que buscava capturar Maduro, destacou os desafios de ações diretas contra o regime.
Medidas do governo Trump contra o regime chavista
A administração Trump, em seu segundo mandato, adotou uma postura ainda mais agressiva contra Maduro. Além da classificação do Cartel de Los Soles como organização terrorista, o governo anunciou sanções contra figuras-chave do regime e intensificou a cooperação com aliados regionais para isolar Caracas.
O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as ações visam desmantelar redes criminosas que ameaçam a segurança dos EUA, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa. A recompensa de US$ 25 milhões, segundo ele, reflete o compromisso de priorizar a segurança hemisférica.
- Sanções foram impostas a mais de 20 funcionários venezuelanos em 2025.
- EUA intensificaram cooperação com Colômbia para combater o narcotráfico.
- Trump classificou Maduro como “chefe de cartel” em discurso recente.
- Medidas incluem congelamento de ativos de aliados de Maduro no exterior.
Impacto na crise venezuelana
A recompensa de US$ 25 milhões e a classificação do Cartel de Los Soles como organização terrorista amplificam a crise política na Venezuela. A oposição, liderada por figuras como María Corina Machado, vê a medida como uma oportunidade para pressionar o regime, mas teme que a escalada de tensões resulte em mais repressão contra dissidentes.
A população venezuelana, já afetada por uma crise humanitária sem precedentes, enfrenta o risco de maior instabilidade. A falta de transparência nas eleições de 2024 e a ausência de atas eleitorais oficiais alimentam protestos, que resultaram em mortes e prisões. A recompensa pode incentivar novas tentativas de capturar Maduro, mas também reforça a narrativa do regime de que os EUA buscam uma intervenção militar.
Próximos passos na pressão internacional
A estratégia dos EUA combina pressão econômica, sanções e recompensas para enfraquecer o regime de Maduro. A cooperação com países como Colômbia e Brasil, que enfrentam os impactos da crise migratória venezuelana, é vista como essencial para conter o narcotráfico na região.
A classificação do Cartel de Los Soles como organização terrorista pode levar a novas sanções contra aliados de Maduro, incluindo empresas estatais como a PDVSA, a petrolífera venezuelana. Além disso, a recompensa de US$ 25 milhões pode atrair informantes dentro do próprio regime, aumentando a pressão interna sobre Maduro.
- Cooperação regional com Colômbia e Brasil visa conter o narcotráfico.
- Sanções podem atingir a PDVSA e outras empresas estatais.
- Recompensa pode incentivar deserções no alto escalão do regime.
- Protestos na Venezuela aumentaram após as eleições de 2024.







