O Ministério dos Transportes, sob comando de Renan Filho, finalizou uma proposta que elimina a obrigatoriedade de frequentar autoescolas para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida, aguardando aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca reduzir custos e burocracias, mantendo as provas teórica e prática do Detran. Anunciada em 29 de julho de 2025, a iniciativa promete cortes de até 80% nos gastos para tirar a CNH, que hoje variam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. A proposta, que não exige aprovação do Congresso, pode começar pelas categorias A (motos) e B (carros de passeio), visando maior acesso, especialmente para jovens e mulheres.
A mudança propõe um modelo mais flexível, permitindo que candidatos aprendam a dirigir com instrutores autônomos credenciados ou em circuitos fechados, como condomínios. Apesar da flexibilização, a segurança viária permanece como prioridade, com exigências rigorosas nos exames.
- Objetivo principal: Reduzir custos e facilitar acesso à habilitação.
- Público-alvo: Jovens em busca do primeiro emprego e mulheres.
- Impacto esperado: Diminuição de motoristas sem CNH, que chega a 40% em cidades médias.
- Próximos passos: Avaliação pelo Palácio do Planalto para implementação.
Reações do setor de autoescolas
A proposta gerou debates intensos entre autoescolas, que movimentam cerca de R$ 12 bilhões anuais, segundo a Feneauto. Representantes do setor, como a Federação Nacional das Autoescolas, argumentam que a formação em Centros de Formação de Condutores (CFCs) é essencial para garantir motoristas qualificados. A obrigatoriedade atual inclui aulas teóricas e práticas com carga horária mínima, monitoradas por biometria. A flexibilização, segundo críticos, pode comprometer a qualidade da formação.
Por outro lado, o Ministério dos Transportes defende que a eficiência do sistema será mantida. Instrutores autônomos precisarão de credenciamento, com requisitos como cinco anos de habilitação na categoria desejada e ausência de infrações graves. O governo acredita que autoescolas continuarão operando, mas em um modelo competitivo, onde apenas as mais eficientes sobreviverão.
- Crítica do setor: Autoescolas temem perda de relevância e qualidade na formação.
- Resposta do governo: Exames rigorosos garantirão segurança viária.
- Mercado atual: 15 mil autoescolas ativas no país, segundo a Feneauto.
Benefícios esperados da proposta
A redução de custos é o principal atrativo da medida. Hoje, o processo de habilitação exige exames médicos, psicotécnicos, aulas teóricas e práticas, além de taxas do Detran, totalizando valores que afastam muitos candidatos. Em algumas regiões, o custo da CNH equivale ao preço de uma moto usada, levando 40% dos motoristas em cidades médias a dirigir sem habilitação. A proposta visa democratizar o acesso, especialmente para populações de baixa renda.
Outro ponto destacado é a inclusão social. Dados do Ministério mostram que 60% das mulheres em idade de tirar CNH não possuem o documento, muitas vezes por priorização dos homens nas famílias. A flexibilização pode abrir oportunidades no mercado de trabalho, como motoristas profissionais. A medida também facilita a formação de condutores de veículos pesados, reduzindo o tempo necessário para obter categorias como C, D e E.
- Redução de custos: Até 80% de economia no processo de habilitação.
- Inclusão de gênero: Mais acesso para mulheres, que representam 60% dos não habilitados.
- Impacto econômico: Facilitação de mão de obra no setor de transportes.
- Flexibilidade: Uso de carros particulares para treinamento, sem exigência de adaptações.
Modelo internacional como inspiração
A proposta brasileira se inspira em países como Reino Unido e alguns estados dos EUA, onde autoescolas não são obrigatórias. Nesses locais, candidatos podem estudar de forma autônoma ou com instrutores privados, desde que aprovados em exames rigorosos. O Ministério dos Transportes argumenta que o Brasil é um dos poucos países com exigência de carga horária mínima, o que encarece o processo.
A mudança, no entanto, mantém restrições. Aprender em vias públicas sem instrutor credenciado seguirá sendo infração. Circuitos fechados, como condomínios, serão permitidos para prática, mas o treinamento em ruas exigirá supervisão profissional. O governo também planeja disponibilizar materiais gratuitos online para os exames teóricos, promovendo autoestudo.
- Países modelo: Reino Unido e EUA não exigem autoescolas para maiores de 18 anos.
- Materiais gratuitos: Detran oferecerá conteúdos online para estudo teórico.
- Restrições mantidas: Proibição de treinar em vias públicas sem instrutor.
Preocupações com segurança viária
Especialistas em trânsito, como Celso Alves Mariano, do Portal do Trânsito, defendem o papel pedagógico das autoescolas. A formação estruturada, segundo eles, é a única oportunidade de muitos candidatos terem contato com educação para o trânsito. A remoção da obrigatoriedade pode aumentar o número de condutores despreparados, elevando riscos de acidentes.
O Ministério dos Transportes rebate, destacando que a qualidade será garantida pelos exames do Detran. A proposta não elimina autoescolas, que continuarão como opção para quem preferir uma formação estruturada. A expectativa é que a concorrência estimule melhorias no setor.
- Risco apontado: Possível queda na qualidade da formação de condutores.
- Garantia do governo: Exames teóricos e práticos manterão padrões elevados.
- Concorrência: Autoescolas precisarão se reinventar para atrair alunos.
Caminho para implementação
A proposta não exige aprovação do Congresso, pois a obrigatoriedade das autoescolas está em uma resolução do Contran, que pode ser alterada por ato executivo. O secretário-executivo George Santoro afirmou que o projeto está pronto, dependendo apenas do aval do Palácio do Planalto. Caso aprovada, a medida deve começar pelas categorias A e B, com possibilidade de expansão para outras categorias no futuro.
A implementação será acompanhada por regulamentações detalhando o credenciamento de instrutores e as condições para prática em circuitos fechados. O governo espera que a medida reduza a informalidade no trânsito e amplie o acesso à habilitação, especialmente em regiões onde o custo atual é proibitivo.
- Processo simplificado: Mudança via ato executivo, sem necessidade de Congresso.
- Foco inicial: Categorias A (motos) e B (carros de passeio).
- Regulamentação: Credenciamento de instrutores e regras para prática.
- Meta de curto prazo: Reduzir informalidade e ampliar acesso à CNH.

