Eliane Cantanhêde, uma das jornalistas mais reconhecidas do jornalismo político brasileiro, anunciou sua saída da GloboNews após 15 anos de trabalho no canal de notícias, em 1º de agosto de 2025. A decisão, comunicada por meio de suas redes sociais, surpreendeu colegas e telespectadores, que acompanharam sua trajetória marcada por análises precisas e debates acalorados no programa “Em Pauta”. A profissional, de 73 anos, afirmou que pretende dedicar mais tempo a projetos pessoais, como leitura, séries e momentos de lazer. A saída ocorre em um momento de mudanças no jornalismo brasileiro, com a GloboNews reforçando sua equipe em Brasília. A despedida de Cantanhêde gerou reações de apoio e críticas nas redes, refletindo sua influência no cenário midiático.
A jornalista, que também é colunista do jornal “O Estado de S. Paulo” e comentarista da Rádio Eldorado, deixou claro que a decisão foi pessoal, mas difícil. Em sua mensagem de despedida, agradeceu aos colegas e ao público, destacando a convivência com profissionais “queridos e competentes”. A GloboNews, líder de audiência na TV por assinatura, não anunciou substitutos imediatos para o espaço ocupado por Cantanhêde.
- Principais momentos da trajetória de Cantanhêde na GloboNews:
- Participação regular no “Em Pauta”, com análises políticas.
- Cobertura de eventos como eleições presidenciais e crises políticas.
- Debates com figuras como Andréia Sadi e Gerson Camarotti.
A saída da jornalista ocorre após episódios polêmicos, como o comentário sobre o conflito entre Irã e Israel em 2025, que gerou críticas e um pedido de desculpas público.
Trajetória marcante na GloboNews
Eliane Cantanhêde ingressou na GloboNews em 2010, trazendo sua vasta experiência em jornalismo político, adquirida em veículos como “Folha de S.Paulo” e “Jornal do Brasil”. No canal, ela se destacou pela capacidade de contextualizar acontecimentos complexos, como a Operação Lava Jato e os governos de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Sua presença no “Em Pauta” era marcada por comentários diretos, muitas vezes elogiados por sua clareza, mas também criticados por setores que a acusavam de parcialidade.
No início de 2025, Cantanhêde esteve no centro de uma polêmica após afirmar, durante um debate, que os mísseis do Irã “não matam ninguém”. A frase, interpretada como insensível por parte do público, levou a jornalista e a GloboNews a emitirem pedidos de desculpas. O episódio reforçou debates sobre a responsabilidade de comentaristas em tempos de conflitos internacionais. Apesar disso, a profissional manteve sua relevância no canal, participando de coberturas como a operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, que rendeu recorde de audiência à GloboNews em julho de 2025.
A jornalista também era conhecida por sua rotina intensa, começando o dia às 8h com a leitura de jornais e terminando após participações noturnas na GloboNews. Essa dedicação foi destacada por colegas, como o jornalista Cristiano Romero, que elogiou sua busca por isenção e didatismo nas redes sociais após o anúncio da saída.
Reações do público e colegas
A despedida de Cantanhêde gerou repercussão imediata nas redes sociais, com opiniões divididas. Alguns telespectadores lamentaram a saída, destacando sua elegância e competência, enquanto outros criticaram sua postura em debates recentes.
- Reações nas redes sociais:
- Elogios à trajetória: Usuários destacaram sua inteligência e análises políticas.
- Críticas: Alguns acusaram a jornalista de comentários controversos.
- Surpresa: A decisão pegou muitos de surpresa, sem indícios prévios.
- Homenagens: Colegas como Andréia Sadi compartilharam mensagens de apoio.
A GloboNews, que tem reforçado sua equipe com nomes como Júlia Lindner, vinda da Times Brasil/CNBC, não informou se a saída de Cantanhêde está ligada a uma reestruturação interna. O canal segue líder entre os canais de notícias da TV paga, com programas como “Estúdio i” e “Conexão GloboNews” mantendo alta audiência.
Polêmicas que marcaram a carreira
Além do episódio envolvendo o conflito no Oriente Médio, Cantanhêde enfrentou outras controvérsias ao longo de sua carreira. Em 2019, suas críticas ao governo de Jair Bolsonaro geraram reações de apoiadores do ex-presidente, que a acusaram de parcialidade. Já em 2014, sua demissão da “Folha de S.Paulo” foi associada por alguns a pressões políticas, embora a jornalista nunca tenha confirmado essa versão.
No caso da GloboNews, o comentário sobre o Irã em junho de 2025 foi o mais recente a gerar impacto. A frase, dita durante um debate no “Em Pauta”, foi interpretada como uma minimização do conflito, levando a uma moção de repúdio por parte de alguns grupos. A jornalista reconheceu o erro, afirmando que sua intenção era discutir aspectos técnicos dos armamentos, mas a polêmica reforçou a pressão sobre sua permanência no canal.
Apesar desses episódios, Cantanhêde sempre defendeu um jornalismo opinativo baseado em pesquisa e diálogo. Em entrevistas, ela destacou a importância de ouvir diferentes perspectivas e manter distância suficiente das fontes para evitar conflitos de interesse.
Planos futuros da jornalista
Em sua mensagem de despedida, Cantanhêde mencionou o desejo de aproveitar as noites para atividades pessoais, como ler livros, assistir a séries e desfrutar de um “bom vinhozinho”. A jornalista não detalhou se pretende assumir novos projetos profissionais, mas sua experiência sugere que ela pode continuar ativa no jornalismo, seja em colunas, rádios ou novos formatos digitais.
- Possíveis caminhos para Cantanhêde:
- Continuar como colunista no “O Estado de S. Paulo”.
- Participar de podcasts ou plataformas de streaming.
- Escrever um livro sobre sua trajetória no jornalismo.
- Engajar-se em projetos acadêmicos ou palestras.
A saída de Cantanhêde coincide com um momento de transformações no jornalismo brasileiro, com a crescente influência de plataformas digitais e a busca por formatos mais dinâmicos. Sua experiência, no entanto, deve continuar atraindo atenção, seja em veículos tradicionais ou em novos espaços.
Impacto na GloboNews e no jornalismo político
A saída de uma figura como Eliane Cantanhêde deixa um vazio na GloboNews, especialmente em um ano marcado por tensões políticas e econômicas. O canal, que tem investido em coberturas robustas, como a operação contra Bolsonaro, enfrenta o desafio de manter sua relevância sem uma de suas vozes mais experientes.
Por outro lado, a chegada de novos profissionais, como Júlia Lindner, indica que a GloboNews busca renovação, especialmente na cobertura econômica. A combinação de jornalistas experientes e novos talentos pode ajudar o canal a manter sua liderança, mas a ausência de Cantanhêde pode impactar o tom dos debates no “Em Pauta”.
A trajetória de Cantanhêde, marcada por momentos de destaque e controvérsias, reflete os desafios de um jornalismo político em tempos polarizados. Sua saída, embora pessoal, reacende discussões sobre o papel dos comentaristas e a pressão do público em um cenário de redes sociais e alta visibilidade.
