A COP 30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, ocorrerá em Belém, Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025, reunindo líderes globais, cientistas e sociedade civil para discutir soluções contra o aquecimento global. Será a primeira vez que o Brasil sediará o evento, com foco na Amazônia, destacando financiamento climático, transição energética e justiça climática. O evento visa reforçar compromissos do Acordo de Paris e estabelecer metas mais ambiciosas para conter a crise climática, enquanto o Brasil busca protagonismo ambiental.
A escolha de Belém simboliza a urgência de proteger a Amazônia, maior floresta tropical do mundo, essencial para o equilíbrio climático global. A conferência deve atrair cerca de 40 mil visitantes, incluindo delegações de 198 países signatários da Convenção-Quadro da ONU (UNFCCC). Investimentos de R$ 4,7 bilhões estão sendo feitos em infraestrutura na cidade, como modernização de transportes e hospedagem.
- Principais objetivos: Reduzir emissões de gases de efeito estufa, financiar ações climáticas em nações em desenvolvimento e promover tecnologias sustentáveis.
- Impacto local: Geração de empregos temporários, aumento do turismo e visibilidade para questões amazônicas.
- Desafios globais: Alinhar compromissos entre países ricos e em desenvolvimento, especialmente após acordos frágeis na COP 29.
Significado histórico da COP 30
A realização da COP 30 na Amazônia marca um momento único na história das conferências climáticas. Pela primeira vez, as discussões ocorrerão no coração de um bioma crucial para a regulação do clima global. A escolha reflete a necessidade de dar voz às comunidades locais, como indígenas e ribeirinhos, que convivem diretamente com os impactos das mudanças climáticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que debater a Amazônia em Belém permitirá uma perspectiva mais realista e engajada.
O evento também celebra os 10 anos do Acordo de Paris, assinado em 2015, que estabeleceu a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A COP 30 será uma oportunidade para avaliar o progresso global e ajustar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), planos que cada país apresenta para reduzir emissões.
- Temas centrais: Financiamento climático, com ênfase em apoio a países vulneráveis; transição para energias renováveis; e preservação de florestas tropicais.
- Participação: Além de governos, espera-se ampla presença de ONGs, empresas e ativistas, reforçando a importância da sociedade civil.
- Simbolismo: A conferência na Amazônia destaca a interconexão entre biodiversidade, clima e justiça social.
A preparação para o evento já mobiliza o governo federal, estadual e municipal, com a criação da Secretaria Extraordinária para a COP 30, ligada à Casa Civil, para coordenar ações logísticas e diplomáticas.
Investimentos e preparativos em Belém
Belém está passando por transformações significativas para receber a COP 30. O governo federal destinou cerca de R$ 4,7 bilhões para obras de infraestrutura, incluindo modernização de portos, transporte público e rede hoteleira. A cidade, que tem 1,3 milhão de habitantes, enfrenta desafios como poluição e desigualdade social, mas a conferência é vista como uma chance de deixar um legado de desenvolvimento sustentável.
Entre as iniciativas, destaca-se a construção do Parque da Cidade, com 500 mil m², no antigo aeroporto Brigadeiro Protásio, que abrigará a Blue Zone (área de negociações da ONU) e a Green Zone (eventos paralelos). A rede hoteleira será ampliada com 26 mil novos leitos, incluindo hotéis, cruzeiros ancorados e escolas adaptadas como hostels.
- Principais obras: Revitalização do Mercado São Brás, modernização de avenidas, implantação de ônibus elétricos e ciclovias.
- Sustentabilidade: O evento adotará práticas como compensação de emissões de carbono e uso de energia renovável nas instalações.
- Economia local: Estima-se que a conferência gere empregos temporários e impulsione setores como turismo e comércio.
Apesar dos avanços, a preparação enfrenta críticas. Alguns questionam a capacidade de Belém para receber um evento de grande porte, apontando problemas como a infraestrutura limitada e denúncias de aumento abusivo nos preços de hospedagem.
Temas prioritários da conferência
A COP 30 terá uma agenda robusta, centrada em questões urgentes para o enfrentamento da crise climática. O financiamento climático será um dos pontos mais debatidos, especialmente após a COP 29, em Baku, que resultou em um acordo fraco de US$ 300 bilhões anuais para países em desenvolvimento, muito abaixo dos US$ 1,3 trilhão necessários até 2035. O Brasil propôs o “Baku to Belém Roadmap to 1.3T” para escalonar esses recursos.
Outro tema chave é a transição energética, com foco na eliminação gradual de combustíveis fósseis e na expansão de fontes renováveis, como solar e eólica. A justiça climática também ganhará destaque, com debates sobre os direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades vulneráveis, que sofrem desproporcionalmente os impactos climáticos.
- Prioridades globais: Redução de emissões, adaptação a eventos climáticos extremos, preservação da biodiversidade.
- Iniciativas brasileiras: O Brasil apresentará avanços em biocombustíveis, agricultura de baixo carbono e redução do desmatamento.
- Participação jovem: A COP 30 contará com o Campeão Climático da Juventude, conectando jovens às negociações.
A conferência também discutirá a Meta Global de Adaptação, que orienta países a monitorarem ações de resiliência climática, e a implementação de mecanismos de mercado, como créditos de carbono.
Papel do Brasil na liderança climática
Sediando a COP 30, o Brasil busca consolidar sua posição como líder nas negociações climáticas globais. O país tem credenciais sólidas, como a matriz energética majoritariamente renovável e a redução de 48% no desmatamento da Amazônia em 2023, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A conferência será uma vitrine para iniciativas como o Fundo Amazônia e o programa de bioeconomia.
O governo brasileiro também lançou o Círculo de Ministros de Finanças da COP 30, um fórum que reúne setor privado, organizações internacionais e sociedade civil para discutir financiamento verde. A iniciativa Tropical Forest Forever Facility, um fundo de US$ 125 bilhões, será apresentada em Belém para recompensar a conservação de florestas tropicais.
- Contribuições do Brasil: Liderança em energias limpas, com 43 bilhões de litros de biocombustíveis produzidos em 2023.
- Diplomacia climática: O diplomata André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, é reconhecido por sua experiência em justiça climática.
- Desafios internos: O país enfrenta críticas por políticas locais, como a redução de programas de educação indígena no Pará.
A COP 30 também reforça a conexão do Brasil com eventos históricos, como a ECO-92 e a Rio+20, consolidando seu papel em discussões multilaterais.
Expectativas e críticas
As expectativas para a COP 30 são altas, mas acompanham desafios. A conferência ocorre em um momento crítico, com a temperatura global ultrapassando 1,5°C em 2024, segundo a Agência Internacional de Energia. Ambientalistas cobram compromissos mais ambiciosos, enquanto países em desenvolvimento exigem maior apoio financeiro dos ricos.
No âmbito local, manifestações indígenas e de servidores públicos no Pará, contra mudanças na educação, geraram tensões. A construção de uma rodovia (Avenida Liberdade) na Amazônia, aprovada em 2024, também foi criticada por ambientalistas, embora o governo estadual negue ligação direta com a COP 30.
- Críticas principais: Preços abusivos de hospedagem, com diárias chegando a US$ 15 mil, e impactos ambientais de obras.
- Expectativas globais: Avançar no financiamento climático e fortalecer o Acordo de Paris.
- Vozes locais: Lideranças indígenas cobram ações concretas, como o fim do desmatamento e mineração ilegal.
A COP 30 será um teste para a capacidade do Brasil de liderar o diálogo global, equilibrando interesses locais e internacionais.

