Economia

Trump taxa Brasil: café e carne sobem com tarifa de 50% nos EUA

Carnes
Foto: Carnes - Foto: Vinh HN/istock

A partir de 6 de agosto de 2025, produtos brasileiros como café, carne bovina, frutas, pescado e mel enfrentarão uma tarifa de 50% para entrar nos Estados Unidos, conforme decreto assinado pelo presidente Donald Trump. A medida, anunciada em 30 de julho, impacta diretamente setores estratégicos da economia brasileira, elevando preços no mercado interno e externo. O governo brasileiro, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, prepara um plano de contingência para apoiar empresas afetadas, enquanto estados como São Paulo e Minas Gerais anunciam ações emergenciais. A tarifa, justificada por Trump como resposta a supostas ações do governo brasileiro contra Jair Bolsonaro, exclui quase 700 itens, como suco de laranja e aeronaves. A alta nos custos deve pressionar consumidores e exportadores, com perdas estimadas em bilhões.

Carne e Frigorífico
Carne e Frigorífico = Foto: BearFotos/shutterstock.com

O impacto da tarifa de 50% atinge especialmente o agronegócio, que depende dos EUA como segundo maior mercado de exportação. Em 2024, o Brasil vendeu US$ 40,4 bilhões aos americanos, com café e carne bovina entre os principais produtos. A medida de Trump, que eleva a alíquota de 10% aplicada em abril para 50%, pode reduzir as exportações em até US$ 7 bilhões em 2025, segundo o BTG Pactual. Enquanto o governo negocia com os EUA, setores afetados buscam novos mercados, como a China, mas enfrentam desafios logísticos e de preço.

  • Principais produtos impactados:
    • Café: US$ 2 bilhões exportados em 2024.
    • Carne bovina: 532 mil toneladas vendidas aos EUA no último ano.
    • Frutas: Manga e mel entre os mais afetados.
    • Pescado: Perdas estimadas em até US$ 1 bilhão em seis meses.

O governo brasileiro intensifica esforços diplomáticos para reverter a tarifa, mas a Casa Branca sinaliza que negociações dependem de autorização direta de Trump. Enquanto isso, empresas americanas como Amazon e Coca-Cola manifestaram apoio ao Brasil, destacando o impacto negativo da medida em ambos os países.

Setores mais atingidos pela tarifa

A tarifa de 50% compromete a competitividade de produtos brasileiros no mercado americano, especialmente aqueles sem isenção. O café, principal item agrícola exportado, enfrenta risco de encarecimento de até 4% nos EUA, o que pode reduzir a demanda. A carne bovina, com 16,7% das exportações brasileiras destinadas aos EUA em 2024, torna-se praticamente inviável, segundo a Associação Brasileira das Exportadoras de Carne.

O setor de frutas, como manga e abacaxi, também sofre, já que os EUA não produzem esses itens em escala suficiente. A consultoria Cogo prevê perdas significativas para pequenos produtores, que dependem do mercado americano. O pescado, com forte presença em estados como Santa Catarina, projeta redução na produção e demissões.

  • Impactos setoriais:
    • Café: Preços podem subir 4% nos EUA, afetando exportadores e consumidores.
    • Carne: Vendas inviáveis sem redução da tarifa, com perdas de US$ 1,6 bilhão.
    • Frutas: Pequenos produtores perdem mercado para concorrentes asiáticos.
    • Pescado: Demissões previstas em Santa Catarina e Paraná.

Apesar das isenções para suco de laranja e petróleo, que preservam 43,4% das exportações brasileiras, os setores taxados enfrentam um cenário de incerteza. A Confederação Nacional da Indústria alerta que a medida compromete cadeias produtivas e empregos.

Resposta do governo brasileiro

O governo brasileiro trabalha em um plano de contingência para minimizar os efeitos da tarifa. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o pacote inclui alívio tributário, linhas de crédito e apoio financeiro para setores como café e carne. O plano, finalizado em 24 de julho, aguarda aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, o Brasil enviou uma carta confidencial aos EUA em 16 de maio, propondo avanços em acordos comerciais, mas não obteve resposta. O Ministério das Relações Exteriores mantém canais diplomáticos abertos, enquanto senadores brasileiros, como Tereza Cristina, negociam em Washington. O governo também considera recorrer à Organização Mundial do Comércio, apesar da atuação limitada da entidade.

  • Medidas em estudo:
    • Suspensão de patentes americanas em medicamentos e sementes.
    • Taxação de dividendos de multinacionais dos EUA no Brasil.
    • Redirecionamento de exportações para mercados como China e Europa.

A estratégia brasileira foca na pressão via setor privado, com empresas americanas como General Motors e Caterpillar defendendo a reversão da tarifa. A Amcham Brasil destaca que 3,2 milhões de empregos no Brasil dependem das exportações aos EUA.

Estados brasileiros na linha de frente

Sete estados concentram 80% das exportações brasileiras aos EUA: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. São Paulo, responsável por US$ 13,5 bilhões em vendas em 2024, lidera as perdas potenciais. Minas Gerais, com forte exportação de café, também enfrenta impactos severos.

Governos estaduais anunciaram pacotes emergenciais para apoiar produtores. São Paulo destinou recursos para cooperativas de café, enquanto Minas Gerais planeja subsídios para pequenos agricultores. No Sul, Santa Catarina e Paraná focam no setor de pescado e carne, com incentivos fiscais.

  • Estados mais afetados:
    • São Paulo: 31,9% das exportações brasileiras aos EUA.
    • Minas Gerais: Café representa 12,4% das vendas ao mercado americano.
    • Santa Catarina: Pescado e carne sob risco de colapso.

A atuação estadual busca complementar o plano federal, mas governadores cobram agilidade do governo central. A tarifa também eleva o dólar, pressionando preços internos no Brasil.

Busca por novos mercados

Com a tarifa de 50%, exportadores brasileiros exploram alternativas para redirecionar produtos. A China, maior parceiro comercial do Brasil, é um destino viável para commodities como café e carne, mas a pauta de exportação para os chineses é menos diversificada que a americana. A Europa, principal mercado para suco de laranja, não absorveria o excedente de outros produtos sem queda de preços.

Especialistas alertam que o redirecionamento enfrenta barreiras logísticas e de competitividade. O café, por exemplo, tem preços internacionais que limitam margens de lucro. A carne bovina enfrenta concorrência de países como Austrália e Argentina.

  • Desafios para novos mercados:
    • China: Foco em commodities, com baixa demanda por produtos industrializados.
    • Europa: Sobrecarga de oferta pode derrubar preços de frutas e café.
    • Logística: Custos de transporte elevados para mercados distantes.

O economista Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, destaca que commodities têm maior flexibilidade para encontrar compradores, mas produtos de maior valor agregado, como máquinas, enfrentam dificuldades.

Pressão internacional e empresarial

A tarifa de 50% gerou reações de empresas e políticos americanos. A SkyWest, que encomendou 74 aviões da Embraer, criticou a medida, afirmando que não pagará a tarifa. A U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil pediram negociações de alto nível para evitar a taxação. Deputados americanos do Congressional Coffee Caucus defendem a isenção do café, essencial para a economia dos EUA.

No Brasil, o setor privado pressiona por diálogo. A Confederação Nacional da Indústria estima que cada R$ 1 bilhão exportado aos EUA gera 24,3 mil empregos. A tarifa ameaça contratos de longo prazo e investimentos, especialmente em setores como carne e café.

  • Ações empresariais:
    • SkyWest: Planeja adiar entregas de aviões da Embraer.
    • Amcham Brasil: Defende isenção de produtos estratégicos.
    • CitrusBR: Alerta para colapso na cadeia de suco de laranja sem isenção.

A pressão conjunta de empresas e governos pode influenciar Trump, mas a decisão final depende da Casa Branca. Até lá, exportadores brasileiros enfrentam um cenário de incerteza, com preços de café, carne e frutas já em alta.