Exportação de carne brasileira enfrenta tarifa de 55% na China e suspensão da União EuropeiaPor Beatriz
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As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram um marco histórico no primeiro semestre, totalizando quase US$ 10 bilhões, um aumento de 33% em comparação com o mesmo período de 2025. Este desempenho excepcional, registrado até 10 de agosto de 2026, marca um período de vendas sem precedentes para o país.
Contudo, a perspectiva para o segundo semestre indica um cenário mais desafiador. Apesar da China ter se firmado como o principal destino da carne brasileira, adquirindo quase metade do volume exportado, uma nova tarifa de 55% será aplicada para a entrada do produto no país asiático. Essa medida decorre do esgotamento de uma cota de importação estabelecida pela China para salvaguardar sua indústria doméstica.
Marcos Jank, economista do Insper Agro Global, explicou que a cota resultou em uma redução significativa de aproximadamente 35% nas exportações para o mercado chinês. “Nós estávamos exportando 1,7 milhão de toneladas, passamos a exportar 1,1 milhão”, afirmou Jank, destacando a força dessa restrição comercial.
Além da situação com a China, a União Europeia também impôs um revés significativo. Pouco após a assinatura do acordo com o Mercosul, o bloco europeu suspendeu a importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil. A justificativa dos europeus é a falta de apresentação de documentos que atestem a ausência de antimicrobianos nos produtos, substâncias usadas tanto para tratamento de infecções quanto para estímulo ao crescimento animal.
Estima-se que as perdas anuais para o Brasil possam atingir US$ 2,4 bilhões. A suspensão está programada para 3 de setembro, e o governo brasileiro ainda busca reverter essa determinação. Segundo a associação da indústria, os frigoríficos já começaram a reduzir os abates, e alguns concederam férias coletivas para se adequarem à nova realidade de demanda. No setor agrícola, os pecuaristas também se ajustam ao cenário.

A pecuarista Giulia Franciosi destacou a importância da cautela nas negociações de preços. “A gente tem que tomar muito cuidado com o preço que a gente negocia”, disse ela, acrescentando que produtores com capacidade de manter o gado no pasto enquanto o mercado não melhora estão optando por essa estratégia, embora a decisão final dependa dos contratos com os frigoríficos.
Em resposta a essas adversidades, o Brasil tem procurado diversificar seus mercados, ampliando as exportações para 118 países no primeiro semestre. Contudo, esses mercados apresentam volumes menores em comparação com a China. A complexidade da situação levou a um cenário peculiar: os Estados Unidos surgem como o principal provável comprador para o segundo semestre, pois isentaram a carne brasileira da nova rodada de tarifas. Os EUA já são o segundo maior mercado do Brasil, e as vendas para lá registraram um crescimento de quase 15% no primeiro semestre.
Conforme Marcos Jank, a continuidade das restrições chinesas pode impulsionar ainda mais o crescimento das exportações para os Estados Unidos, devido a uma severa crise de oferta de gado e carne que o país norte-americano enfrenta, considerada a pior em 75 anos. “É curioso isso, de repente os Estados Unidos viram o nosso grande mercado”, comentou o economista, ressaltando a reviravolta no panorama comercial.







