O aumento das tarifas de exportação para os Estados Unidos, que passaram de 10% para 50% em uma ampla gama de produtos brasileiros, começou a vigorar em 6 de agosto de 2025. A decisão, assinada pelo presidente Donald Trump no dia 30 de julho, atinge setores estratégicos de Minas Gerais, como café, carne bovina, siderurgia e madeira. Apesar da isenção de 694 produtos, que representam 45% do valor exportado pelo Brasil aos EUA, o impacto econômico será significativo. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estima que o estado perderá R$ 4,7 bilhões no PIB a curto prazo, com risco de eliminação de 30 mil empregos em até dois anos.
- Setores mais afetados: café, carne bovina, siderurgia e produtos de madeira.
- Isenções: 37% das exportações mineiras, como ferro fundido e aeronaves, estão livres da tarifa.
- Prazo: impactos no emprego devem se consolidar em até 24 meses.
A Fiemg encaminhou ao governo estadual um plano emergencial com propostas para mitigar os efeitos, enquanto o governador Romeu Zema anunciou ações como linhas de crédito e monetização de ICMS para apoiar exportadores.
Medidas emergenciais do governo de Minas
Em resposta ao tarifaço, o governo de Minas Gerais anunciou um pacote de medidas para proteger o comércio exterior do estado. Durante reunião com mais de 150 empresários na sede da Fiemg, em 30 de julho, o governador Romeu Zema detalhou iniciativas para reduzir os impactos. A principal ação é a criação de uma linha de crédito de R$ 200 milhões pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com juros reduzidos, pagamento em até 60 meses e carência de 12 meses. Outra medida é a monetização de R$ 100 milhões anuais em créditos de ICMS, com acesso simplificado para empresas exportadoras.
- Linha de crédito: R$ 200 milhões para exportadores afetados.
- Monetização de ICMS: R$ 100 milhões por ano, com processos agilizados.
- Diálogo com setores: reuniões contínuas com empresários para avaliar novos suportes.
O governo também busca diversificar mercados para as exportações mineiras, uma estratégia já adotada nos últimos anos, visando reduzir a dependência dos EUA.
Setores mais atingidos em Minas Gerais
Minas Gerais, terceiro maior estado exportador para os EUA, com US$ 4,6 bilhões em 2024, enfrenta desafios em setores-chave. O café, principal produto agrícola do estado, pode sofrer redução de até 25% no valor exportado, segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A carne bovina, outro pilar da economia mineira, enfrenta alíquotas que chegam a 76%, ante os 26,4% anteriores. A Fiemg destaca que 63% da pauta exportadora do estado, incluindo tubos de aço e frutas como manga, permanece sujeita às tarifas.
- Café: queda de até 25% nas exportações para os EUA, principal destino.
- Carne bovina: aumento de alíquota para 76%, com perdas projetadas de US$ 1,3 bilhão em 2025.
- Siderurgia: produtos semimanufaturados de ferro e aço estão entre os mais taxados.
- Fruticultura: frutas como manga enfrentam barreiras no mercado americano.
A longo prazo, as perdas no PIB mineiro podem alcançar R$ 15,8 bilhões, com eliminação de até 172 mil empregos em 5 a 10 anos, segundo projeções da Fiemg.
Impactos no agronegócio mineiro
O agronegócio, pilar da economia de Minas Gerais, enfrenta sérias consequências com o tarifaço. A Gerência de Agronegócio da Faemg/Senar aponta que o café, maior produto agrícola do estado, sofrerá com a perda de mercado nos EUA, principal importador, que absorveu US$ 2 bilhões em 2024. A carne bovina, com exportações de US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2025, também será fortemente impactada. A sobretaxa pode gerar excesso de oferta interna, comprimindo preços e comprometendo o fluxo de caixa de produtores e exportadores.
- Perda de mercado: café e carne bovina podem perder competitividade nos EUA.
- Queda de margens: produtores enfrentam preços reduzidos no mercado interno.
- Desestímulo à produção: risco de redução na atividade agrícola a médio prazo.
A Faemg destaca a resiliência do café mineiro, especialmente os especiais, mas alerta que margens menores e queda de demanda são inevitáveis no curto prazo.
Propostas da Fiemg para mitigar prejuízos
A Fiemg apresentou um plano emergencial ao governo estadual com medidas para apoiar o setor industrial. As propostas incluem facilidades fiscais e acesso a crédito para empresas exportadoras. O plano sugere a suspensão temporária de condicionantes ambientais e o parcelamento sem juros de contas de energia e gás, além de um fundo para custear participação em missões internacionais.
- Negociação de débitos: programa especial para dívidas de ICMS.
- Suspensão ambiental: 180 dias para condicionantes e taxas ambientais.
- Parcelamento de contas: até 12 vezes sem juros para Cemig e Gasmig.
- Fundo estadual: apoio a missões internacionais para abrir novos mercados.
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, defende uma ação diplomática do Brasil para ampliar isenções e proteger a competitividade no mercado americano.
Reações do setor produtivo
Os setores produtivos de Minas Gerais expressam preocupação com o tarifaço. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) projeta perdas de US$ 3 bilhões nas exportações de carne bovina nos próximos anos, caso a medida persista. Em Minas, o presidente da Afrig, Sílvio Silveira, alerta para o risco de descapitalização dos frigoríficos, que pode levar ao fechamento de unidades. A Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), maior exportadora de café do país, preferiu não comentar, mas o setor cafeeiro já sente os impactos da redução de demanda.
- Frigoríficos: risco de fechamento de unidades por falta de capital.
- Café especial: contratos com os EUA ameaçados por margens reduzidas.
- Diversificação: setores buscam novos mercados, como Ásia e Oriente Médio.
O governo mineiro reforça a importância de negociações com os EUA para minimizar os impactos, destacando que produtos como café e açúcar são difíceis de substituir no mercado americano.
Estratégias para novos mercados
Para conter os prejuízos, Minas Gerais intensifica esforços para diversificar destinos de exportação. O governo estadual já promove ações para acessar mercados na Ásia e no Oriente Médio, especialmente para carne bovina e café. A Fiemg e a Faemg defendem que o Brasil negocie com os EUA para ampliar isenções, enquanto o estado busca atrair investimentos para fortalecer a indústria local.
- Mercados alternativos: Ásia e Oriente Médio como destinos prioritários.
- Investimentos: atração de novas indústrias para compensar perdas.
- Diplomacia: pressão por mais isenções nas tarifas americanas.
A diversificação é vista como essencial para reduzir a dependência do mercado americano, que absorveu 16,7% das exportações de café brasileiro em 2024.

