Morre Arlindo Cruz, ícone do samba que eternizou Madureira

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madureira arlindo Cruz Foto: Arlindo Cruz no 'Altas Horas', da TV Globo — Foto: Carol Caminha/Globo

O samba brasileiro vive um momento de luto com a morte de Arlindo Cruz, um dos maiores nomes do gênero, aos 66 anos, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025. A confirmação veio por meio de sua esposa, Babi Cruz, que não detalhou a causa exata, mas destacou a longa batalha do artista contra problemas de saúde após um acidente vascular cerebral (AVC) em 2017. Nascido em Madureira, coração do samba carioca, Arlindo transformou o gênero com sua voz marcante, habilidade no cavaquinho e mais de 550 composições que cruzam gerações. A notícia abalou fãs, artistas e a comunidade do samba, que perderam um pilar da cultura brasileira. Manifestações espontâneas tomaram as ruas de Madureira, enquanto nomes como Zeca Pagodinho e Alcione prestaram homenagens emocionadas. Sua trajetória, marcada por parcerias históricas e uma dedicação incansável à música, deixa um legado eterno.

Arlindo Cruz, com sua história enraizada no subúrbio carioca, começou a tocar cavaquinho aos 7 anos, presenteado por seu pai, Arlindão. Sua formação musical, que incluiu estudos na escola Flor do Méier, moldou um artista versátil, capaz de unir tradição e inovação. A roda de samba do Cacique de Ramos foi o palco inicial de sua ascensão, onde compôs sucessos gravados por Beth Carvalho e Zeca Pagodinho.

  • Primeiros passos de Arlindo Cruz:
    • Primeiro cavaquinho aos 7 anos, presente de seu pai.
    • Estudos de violão clássico na escola Flor do Méier.
    • Participação em rodas de samba com Candeia, seu padrinho musical.

Raízes em Madureira e o Cacique de Ramos

Arlindo Cruz nasceu em 14 de setembro de 1958, no bairro de Madureira, um dos berços do samba carioca. Cresceu em um ambiente onde a música era parte do cotidiano, influenciado pelo pai, músico amador, e pelo irmão, Acyr Marques, também compositor. Aos 12 anos, já tocava de ouvido, aprendendo acordes no violão de Acyr. Sua passagem pela escola Flor do Méier, onde estudou teoria musical, foi fundamental para sua formação. Foi nesse período que conheceu Candeia, figura essencial que o introduziu no universo profissional do samba. A participação no LP “Roda de Samba”, apoiado por Candeia, marcou o início de sua carreira.

Aos 15 anos, Arlindo viveu uma experiência inusitada ao estudar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, Minas Gerais. Lá, venceu festivais musicais, mostrando sua versatilidade. De volta ao Rio, encontrou no Cacique de Ramos o ambiente ideal para crescer como artista. A roda de samba, frequentada por nomes como Jorge Aragão e Beth Carvalho, foi onde ele começou a compor músicas que logo ganhariam o Brasil, como “Lição de Malandragem”.

Fundo de Quintal e a consolidação no samba

A entrada de Arlindo no grupo Fundo de Quintal, em 1981, foi um marco em sua carreira. Substituindo Jorge Aragão, ele ajudou a moldar o som que definiu o samba moderno, com sucessos como “Seja Sambista Também” e “O Mapa da Mina”. Durante 12 anos, sua habilidade no banjo e no cavaquinho, aliada a composições marcantes, consolidou o grupo como referência. Sua saída, em 1993, para seguir carreira solo, não diminuiu sua influência, mas abriu novos caminhos para sua criatividade.

O período no Fundo de Quintal foi marcado por parcerias com Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, que gravaram suas composições e ampliaram sua visibilidade. Músicas como “Castelo Cera” e “Primeira Dama” tornaram-se hinos, enquanto sua presença carismática nos palcos reforçava seu papel como um dos grandes intérpretes do samba.

  • Contribuições de Arlindo ao Fundo de Quintal:
    • Gravação de sucessos como “Castelo Cera” e “Primeira Dama”.
    • Consolidação do grupo como ícone do samba moderno.
    • Parcerias com Zeca Pagodinho e Beth Carvalho em hits atemporais.
    • Introdução do banjo como elemento central do grupo.

Carreira solo e o impacto no carnaval

Após deixar o Fundo de Quintal, Arlindo lançou seu primeiro álbum solo, “Arlindinho”, em 1993, com 12 faixas que misturavam romantismo e crônicas do cotidiano. O DVD “MTV Ao Vivo” (2009) foi um divisor de águas, com participações de Caetano Veloso e Alcione, e vendas superiores a 100 mil cópias. Projetos como “Batuques e Romances” (2011) e “Batuques do Meu Lugar” (2013) reforçaram sua relevância, trazendo músicas inéditas e regravações de sucessos.

No carnaval, Arlindo deixou sua marca como compositor de sambas-enredo. Apaixonado pelo Império Serrano, compôs o clássico “E verás que um filho teu não foge à luta” (1996). Sua passagem pela Grande Rio, com o enredo “Do Verde de Coarí Vem Meu Gás, Sapucaí!” (2008), mostrou sua capacidade de inovar. Ele venceu 19 disputas de samba-enredo, um feito que o consagrou nas escolas de samba.

  • Marcos da carreira solo:
    • Lançamento do álbum “Arlindinho” em 1993.
    • Sucesso do DVD “MTV Ao Vivo” com participações especiais.
    • Composição de sambas-enredo premiados para Império Serrano e Grande Rio.

Desafios de saúde e resiliência

Em março de 2017, Arlindo sofreu um AVC hemorrágico que mudou sua vida. Internado por meses, enfrentou sequelas que limitaram suas apresentações. Apesar disso, sua família, liderada pela esposa Babi Cruz e pelo filho Arlindinho, manteve seu legado vivo. Babi reorganizou a rotina familiar para garantir os cuidados, enquanto Arlindinho assumiu projetos musicais, como o álbum “Pagode 2 Arlindos” (2017). Internações frequentes, como em abril de 2024 para tratar uma infecção respiratória e em maio de 2025 para pneumonia, marcaram seus últimos anos.

Mesmo afastado dos palcos, Arlindo continuou inspirando. Sua aparição no programa “É Gol!!!”, da SporTV, em fevereiro de 2025, foi um momento de emoção, com o sambista cantando sucessos e celebrando sua paixão pelo Flamengo. Fãs e artistas mantiveram o carinho vivo, com mensagens constantes de apoio nas redes sociais.

  • Desafios enfrentados após o AVC:
    • Necessidade de cuidados intensivos e adaptação da rotina familiar.
    • Internações recorrentes por problemas respiratórios.
    • Apoio contínuo de fãs e artistas nas redes sociais.
    • Participação em programas de TV, como “É Gol!!!”, apesar das limitações.

Homenagens e o legado eterno

A morte de Arlindo Cruz gerou uma onda de tributos nas redes sociais e nas ruas de Madureira. Chico Barney, colunista, escreveu: “Obrigado por tudo, Arlindo Cruz! O maior que tivemos.” Mumuzinho, que lançou a música “Arlindo Luz” em sua homenagem, destacou: “Um gênio sem igual, merece todas as homenagens.” Zeca Pagodinho e Alcione também se manifestaram, reforçando a generosidade e o talento do sambista. Fãs lotaram as proximidades de sua casa em Madureira, cantando “O Show Tem que Continuar” e “Meu Lugar” em uma despedida emocionada.

O programa “Sem Censura”, da TV Brasil, exibido no dia de sua morte, reuniu Arlindinho, Babi Cruz e o biógrafo Marcos Salles para celebrar sua trajetória. Arlindinho interpretou clássicos como “Meu Lugar” e “A Pureza da Flor”, enquanto o livro “O Sambista Perfeito” foi destacado como um registro de sua vida. Rodas de samba e shows em sua memória já estão sendo organizados no Rio e em outras cidades.

  • Reações à morte de Arlindo:
    • Tributos de artistas como Zeca Pagodinho, Alcione e Mumuzinho.
    • Manifestações espontâneas de fãs em Madureira.
    • Programa “Sem Censura” com Arlindinho e Babi Cruz.
    • Planejamento de shows e rodas de samba em sua homenagem.

Arlindo Cruz deixa um vazio no samba, mas sua obra permanece como um farol para novas gerações. Suas mais de 550 composições, gravadas por nomes como Beth Carvalho e Maria Rita, continuam a ecoar em rodas de samba e carnavais. Sua habilidade no banjo e no cavaquinho, aliada à voz doce e à batida acelerada, transformou o gênero, unindo tradição e modernidade. Madureira, o Cacique de Ramos e o Fundo de Quintal carregam sua marca, enquanto o Brasil chora a perda de um artista que viveu para a música.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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