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Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o Tesouro Direto, programa do Tesouro Nacional em parceria com a B3, registra um crescimento expressivo, alcançando R$ 180,4 bilhões em estoque no segundo trimestre de 2025. A alta de 25,9% em relação a junho de 2024 reflete a preferência dos brasileiros pela renda fixa, especialmente os títulos IPCA+, que acompanham a inflação. Cerca de 3,04 milhões de CPFs investem na modalidade, com predominância de homens (72,9%), entre 26 e 45 anos (57%), e moradores do Sudeste (51,9%). A busca por segurança e retornos atrativos, diante da volatilidade da Bolsa e da baixa rentabilidade da poupança, explica o aumento. O movimento ocorre em São Paulo, maior centro financeiro do país, e é impulsionado pela facilidade de acesso e liquidez dos títulos.

O crescimento do Tesouro Direto ocorre em um cenário de juros altos e incertezas econômicas globais. A renda fixa se consolida como opção segura para investidores que buscam proteger o capital. A média de investimento por pessoa é de R$ 59,3 mil, mas 57,1% das compras em junho foram de até R$ 1.000, mostrando a acessibilidade do programa.

  • Principais motivos para o aumento:
    • Taxa Selic elevada, que garante retornos atrativos.
    • Volatilidade da Bolsa, afastando investidores de risco.
    • Facilidade de acesso via plataformas digitais.
    • Liquidez diária em títulos como o Tesouro Selic.

O programa atrai tanto investidores iniciantes quanto experientes, com a renda fixa sendo vista como porto seguro em momentos de instabilidade.

Preferência por títulos IPCA+ domina o mercado

Os títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) representam 51,4% do estoque, seguidos pelos Tesouro Selic (36%) e prefixados (12,6%). A escolha reflete a busca por proteção contra a alta dos preços, com o IPCA projetado em 4,44% para os próximos 12 meses. Títulos IPCA+ com vencimento em 2029 oferecem juro real de 7,83%, enquanto os de 2045 pagam 7,27%.

A preferência por esses títulos híbridos se deve à combinação de rentabilidade fixa e ajuste pela inflação, garantindo ganhos reais. No entanto, especialistas alertam que resgates antecipados podem gerar perdas, já que os preços oscilam no mercado secundário. Investidores conservadores optam pelo Tesouro Selic, que rende 15,1% ao ano no título com vencimento em 2031, com liquidez diária.

O prazo dos investimentos também varia. Metade (50,7%) do estoque está em títulos com vencimento entre um e cinco anos, enquanto 26,4% vencem entre cinco e dez anos. Títulos de curtíssimo prazo (até um ano) somam 6,3%, e os de longo prazo (acima de dez anos) representam 16,6%.

Estratégias recomendadas para novos investidores

Com a Selic estável, analistas sugerem maior exposição a títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros. A expectativa é que a Selic permaneça em 15% até 2026, caindo para 12,5% em 2027, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. Para quem busca prazos curtos, títulos prefixados de dois a três anos são indicados, enquanto os IPCA+ de três a cinco anos equilibram risco e retorno.

  • Dicas para investir no Tesouro Direto:
    • Avaliar o perfil de risco (conservador, moderado ou agressivo).
    • Priorizar títulos Selic para liquidez imediata.
    • Considerar IPCA+ para proteção contra a inflação.
    • Evitar resgates antecipados em títulos prefixados ou híbridos.
    • Diversificar prazos para reduzir riscos de oscilação.

A escolha depende do objetivo financeiro e da tolerância a riscos. Corretoras exigem avaliação de perfil antes do cadastro, garantindo que a carteira seja adequada às necessidades do investidor.

IPCA
IPCA – Foto: Rmcarvalho/iStock.com

Cenário econômico favorece a renda fixa

A alta da Selic, mantida em 15% desde 2024, reflete a política monetária restritiva do Banco Central para conter a inflação. Com a poupança rendendo apenas 8,23% ao ano, o Tesouro Direto se destaca como alternativa mais rentável. A Bolsa de Valores, por sua vez, enfrenta volatilidade devido a incertezas globais, como tensões geopolíticas e variações no câmbio.

O crescimento de 25,9% no estoque do Tesouro Direto em um ano mostra a confiança na modalidade. Mesmo com o aumento de 14,3% no número de investidores, o valor médio por pessoa cresceu mais, indicando que os atuais aplicadores estão aportando quantias maiores. A acessibilidade do programa, que permite investimentos a partir de R$ 30, amplia seu alcance.

A região Sudeste lidera os investimentos, com São Paulo à frente, mas o programa tem crescido em outras regiões, como Nordeste e Sul, onde plataformas digitais facilitam o acesso. A simplicidade do Tesouro Direto, que pode ser operado por aplicativos de bancos e corretoras, é um diferencial.

Perfil dos investidores e tendências futuras

Homens dominam o Tesouro Direto, representando 72,9% dos investidores, mas a participação feminina cresce gradualmente. A faixa etária de 26 a 45 anos concentra 57% dos aplicadores, refletindo o interesse de jovens profissionais e investidores de meia-idade. A média de R$ 59,3 mil por pessoa mascara a realidade de pequenos investidores, já que mais da metade das compras são de baixo valor.

  • Características dos investidores:
    • Predominância masculina, mas com aumento de mulheres.
    • Faixa etária jovem e economicamente ativa.
    • Concentração no Sudeste, mas com expansão nacional.
    • Preferência por investimentos acessíveis (até R$ 1.000).

Para o futuro, analistas preveem que a renda fixa continuará atrativa enquanto a Selic permanecer alta. A possível redução dos juros em 2026 pode impulsionar a Bolsa, mas o Tesouro Direto deve manter sua relevância para investidores conservadores.

Como o Tesouro Direto se mantém competitivo

A facilidade de acesso, com plataformas digitais e valores mínimos baixos, torna o Tesouro Direto uma porta de entrada para o mercado financeiro. A segurança, garantida pelo Tesouro Nacional, é outro atrativo, especialmente em comparação com investimentos de risco, como ações. A liquidez diária do Tesouro Selic e a proteção contra a inflação dos títulos IPCA+ reforçam sua popularidade.

O programa também se beneficia da educação financeira crescente no Brasil. Campanhas do Tesouro Nacional e corretoras incentivam novos investidores, enquanto a digitalização facilita a gestão das aplicações. A expectativa de manutenção dos juros altos até 2026 sugere que o crescimento do estoque pode continuar.

  • Vantagens do Tesouro Direto:
    • Segurança garantida pelo governo federal.
    • Acessibilidade com investimentos a partir de R$ 30.
    • Liquidez diária em títulos pós-fixados.
    • Diversidade de prazos e tipos de títulos.
    • Facilidade de operação via plataformas digitais.

A combinação de rentabilidade, segurança e praticidade posiciona o Tesouro Direto como uma das principais escolhas para investidores brasileiros em 2025.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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