Ações da Amazon e Intel recuam até 19% em Nova York após balanços e projeções abaixo do esperadoPor Maria
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As ações da Intel e da Amazon registraram quedas expressivas no pregão estendido das bolsas de Nova York nesta quinta-feira (29), com perdas de até 19,83% após a divulgação dos balanços do terceiro trimestre de 2026. A reação negativa do mercado financeiro ocorreu em meio à revisão para baixo nas projeções de vendas da fabricante de chips e a resultados de lucro e receita abaixo das expectativas na gigante do comércio eletrônico.
Os investidores intensificaram o pessimismo com o setor de tecnologia logo após o fechamento dos mercados regulares, influenciados também pela cautela em relação aos elevados investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. Por volta das 18h30 pelo horário de Brasília, os papéis da Intel recuavam 19,83%, cotados a US$ 73,81, enquanto os ativos da Amazon marcavam baixa de 6,69%, negociados a US$ 226,83 por ação.
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Projeções da Intel frustram estimativas do mercado
O principal catalisador para o tombo nos papéis da fabricante de semicondutores foi a divulgação do guidance para o quarto trimestre de 2026. A Intel projeta um lucro ajustado de US$ 0,25 por ação e faturamento entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões.
O volume de receita previsto pela empresa ficou consideravelmente abaixo da projeção de US$ 17,29 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela FactSet. A administração da companhia apontou o enfraquecimento contínuo no mercado internacional de computadores pessoais como fator determinante para o desempenho mais modesto, destacando que as remessas globais encolheram 4% no segundo trimestre por conta da alta nos custos industriais.
Em comunicado corporativo, o diretor financeiro da Intel, David Zinsner, afirmou que a perda de ritmo no comércio de computadores deve permanecer pelo menos até a primeira metade do ano seguinte, embora a diretoria mantenha otimismo com segmentos mais amplos do portfólio.

Desempenho operacional da Intel no terceiro trimestre
Apesar do tombo nas cotações, o balanço trimestral da fabricante de componentes eletrônicos apresentou métricas financeiras heterogêneas:
- Lucro líquido de US$ 3,32 bilhões, configurando retração anual de 18%
- Lucro por ação ajustado de US$ 0,52, superando os US$ 0,41 projetados por analistas
- Receita líquida total de US$ 16,5 bilhões, expansão de 21% sobre o ano anterior
- Faturamento do segmento de computação cliente e IA física em US$ 8,1 bilhões, queda de 5%
- Receita da divisão de data centers e inteligência artificial de US$ 7,3 bilhões, salto anual de 78%
Amazon apresenta lucro e faturamento abaixo do consenso
Na mesma linha, a Amazon reportou lucro líquido de US$ 20,69 bilhões no terceiro trimestre de 2026, com lucro diluído por ação de US$ 1,89. O resultado representou desaceleração na comparação com os US$ 21,18 bilhões apurados em igual intervalo de 2025, além de ter ficado abaixo do lucro de US$ 1,96 por papel antecipado pelo levantamento da FactSet.
A receita consolidada da varejista somou US$ 201,9 bilhões nos três meses finalizados em setembro, crescimento de 12% na comparação anual. O faturamento, contudo, também não alcançou a expectativa média do mercado, projetada previamente em US$ 202,2 bilhões.
Em contrapartida ao varejo, a divisão de serviços em nuvem Amazon Web Services somou faturamento de US$ 46 bilhões no trimestre, configurando uma aceleração de 39% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.
Gastos com infraestrutura pressionam fluxo de caixa da Amazon
A elevação nos custos de capital impactou diretamente a liquidez da varejista de tecnologia nos demonstrativos consolidados:
- Fluxo de caixa livre negativo em US$ 42,4 bilhões no acumulado de 12 meses, contra US$ 14,8 bilhões positivos no período anterior
- Desembolsos voltados à compra de imóveis, bens de capital e expansão logística de IA
- Expectativa de faturamento entre US$ 240 bilhões e US$ 247 bilhões para o quarto trimestre de 2026
A projeção de faturamento para o encerramento do exercício de 2026 já contempla eventuais perdas financeiras atreladas a oscilações no câmbio internacional.















