Músicas inéditas de Marília Mendonça opõem família, Som Livre e WorkshowPor Carolina Costa
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Um acervo com mais de 100 músicas inéditas de Marília Mendonça, incluindo gravações caseiras e registros de lives, está no centro de uma disputa entre a família da cantora, a gravadora Som Livre e a empresa Workshow, que gerenciava sua carreira. Desde a morte de Marília em 2021, o material, que pode garantir lançamentos por até 20 anos, gera tensões sobre os direitos comerciais e afetivos, especialmente por um pen drive com arquivos valiosos. As negociações, que envolvem o advogado Robson Cunha, Murilo Huff, pai do herdeiro Léo, e Ruth Dias, mãe da artista, estão pausadas, aguardando acordos. A notícia explora o legado musical da rainha da sofrência e os conflitos que cercam sua herança.
O legado de Marília Mendonça, uma das maiores vozes do sertanejo, segue vivo com um vasto catálogo de músicas inéditas, capazes de manter sua presença nas paradas musicais por décadas. A disputa pelo controle desse material envolve questões financeiras, jurídicas e emocionais, com o futuro do acervo dependendo de decisões conjuntas entre as partes. A Som Livre detém os direitos comerciais desde 2019, enquanto a Workshow e a família buscam proteger a herança de Léo, filho de Marília.
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- Principais envolvidos na disputa:
- Ruth Dias, mãe de Marília, representada pelo advogado Robson Cunha.
- Murilo Huff, pai de Léo, herdeiro da cantora.
- Som Livre, gravadora com contrato de exploração comercial.
- Workshow, empresa que gerenciava a carreira da artista.
- Léo, filho de Marília, centro das decisões sobre o espólio.
A complexidade do caso reflete o impacto de Marília no cenário musical e a dificuldade de gerenciar um legado tão rico.
Gestão do acervo musical
O acervo de Marília Mendonça é composto por gravações de lives, como as do projeto Serenata, de 2021, que originou o álbum póstumo Decretos Reais, com destaque para a faixa “Leão”, recordista em plataformas digitais. Além disso, há registros caseiros captados pela própria cantora em seu celular, muitos compilados pelo produtor musical Eduardo Pepato e pelo parceiro de composição Juliano Soares, conhecido como Tchula. Esses arquivos, armazenados em dispositivos como o pen drive em disputa, contêm desde rascunhos de composições até covers de outros artistas. Segundo Wander Oliveira, da Workshow, o material é suficiente para lançamentos anuais por pelo menos duas décadas, com uma média de 10 faixas por ano.
A gestão desse acervo exige consenso entre a Som Livre, que detém os direitos comerciais, a família, que protege os interesses de Léo, e a Workshow, responsável pela administração da carreira de Marília. As tensões surgem quando interesses comerciais e afetivos divergem, especialmente sobre como e quando o material deve ser explorado.
- Composição do acervo:
- Gravações de lives da pandemia, como o projeto Serenata.
- Rascunhos caseiros gravados por Marília em seu celular.
- Músicas inéditas, incluindo composições e covers.
- Arquivos organizados por Tchula, com destaque para o pen drive com 100 a 110 faixas.
Pen drive no centro do conflito
Um pen drive com 100 a 110 arquivos inéditos de Marília Mendonça tornou-se o principal ponto de atrito entre as partes. Compilado por Tchula, o dispositivo contém gravações de voz e violão, ideias de composições e faixas que, segundo fontes próximas, incluem uma música considerada uma das melhores da carreira da cantora. Wander Oliveira defende que o conteúdo deveria ser preservado como herança afetiva para Léo, a ser entregue quando ele atingir a maioridade. Ele chegou a doar sua parte dos direitos sobre o pen drive ao espólio do menino, reforçando sua posição de que o material tem valor emocional além do comercial.
No entanto, o advogado Robson Cunha, representante da família, confirmou negociações com a Som Livre para o lançamento comercial dessas faixas, argumentando que o contrato de 2019 já concede à gravadora os direitos sobre tudo que Marília produziu. A divergência gerou tensões, com Oliveira alegando que o advogado da família incluiu o pen drive em negociações sem um acordo prévio sobre sua preservação.
- Detalhes do pen drive:
- Contém 100 a 110 arquivos, incluindo rascunhos e covers.
- Inclui uma faixa considerada uma das melhores de Marília.
- Compilado por Juliano Soares (Tchula), parceiro de composição.
- Disputado entre preservação afetiva e exploração comercial.
Contratos e negociações em pausa
A administração do legado de Marília Mendonça é regida por contratos firmados em vida pela cantora. Em 2019, ela assinou um acordo de cessão com a Som Livre, transferindo os direitos comerciais de sua obra. Wander Oliveira busca converter parte desse contrato em um modelo de licenciamento, permitindo que, após um período, os direitos retornem à família e à Workshow. Esse modelo daria a Léo, no futuro, a possibilidade de decidir sobre sua herança musical.
As negociações, porém, estão suspensas. Robson Cunha destacou que qualquer contrato envolvendo o espólio de Marília requer a assinatura de Murilo Huff, pai de Léo, o que ainda não ocorreu. A pausa reflete não apenas questões contratuais, mas também disputas pessoais, como a recente briga judicial entre Murilo e Ruth Dias pela guarda de Léo, que ganhou destaque em junho de 2025.
- Tipos de contratos em jogo:
- Cessão: transferência dos direitos, como uma venda.
- Licenciamento: uso comercial por tempo determinado.
- Negociações pausadas por falta de assinatura de Murilo Huff.
- Contrato de 2019 com a Som Livre rege os direitos comerciais.
Impacto do legado de Marília
Marília Mendonça revolucionou o sertanejo com seu estilo único, conhecido como feminejo, e sua habilidade de compor desde os 12 anos. Músicas como “Infiel” e “Leão” consolidaram sua posição como a rainha da sofrência, com recordes em plataformas digitais. O acervo inédito reforça sua relevância, mas também expõe os desafios de gerenciar um legado tão valioso. A Som Livre, em nota, afirmou que todos os projetos são planejados com respeito à memória da cantora, em parceria com a família e a Workshow.
A disputa pelo pen drive e a pausa nas negociações mostram a complexidade de equilibrar interesses comerciais e emocionais. Enquanto isso, os fãs aguardam ansiosamente por novos lançamentos, que prometem manter a voz de Marília viva por muitos anos.
- Legado de Marília Mendonça:
- Recordista em plataformas digitais com faixas como “Leão”.
- Pioneira do feminejo, com composições desde os 12 anos.
- Acervo com potencial para lançamentos por 20 anos.
- Projetos póstumos planejados com cuidado pela Som Livre.















