Criança morta em Florianópolis sofreu espancamento, aponta laudo pericial

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Moisés Falk da Silva

Moisés Falk da Silva - Foto: Reprodução

Moisés Falk da Silva, de apenas quatro anos e autista não verbal, morreu em Florianópolis no dia 17 de agosto de 2025, vítima de espancamento, conforme laudo pericial divulgado nesta quinta-feira (28). A criança foi encontrada desacordada em uma kitnet no bairro Tapera, Sul da Ilha, e levada à UPA do MultiHospital, onde não resistiu apesar de quase uma hora de tentativas de reanimação. O laudo aponta hemorragia causada por traumatismo com instrumento contundente, confirmando suspeitas de maus-tratos. O padrasto, Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, é o principal suspeito, preso em flagrante, enquanto a mãe, grávida, foi liberada após audiência de custódia. O caso, que tramita sob sigilo, chocou a comunidade local.

A tragédia expõe falhas na proteção à infância. Moisés já havia sido atendido em maio com sinais de violência, levantando questionamentos sobre a efetividade das denúncias anteriores. O caso agora é investigado pela Delegacia de Homicídios e pela Dpcami, com foco em esclarecer a responsabilidade dos envolvidos.

  • Marcas de agressão: hematomas no tórax, costas e mordidas no rosto.
  • Histórico: sinais de maus-tratos registrados em maio no Hospital Infantil.
  • Suspeito: padrasto preso; mãe liberada com acusação de omissão.
  • Local: kitnet no bairro Tapera, onde a família vivia.

Detalhes do laudo pericial

O laudo pericial, obtido com exclusividade, detalha a causa da morte de Moisés como hemorragia interna decorrente de traumatismo por instrumento contundente. As lesões indicam agressões severas, com hematomas profundos no tórax e nas costas, além de marcas de mordida no rosto. O documento reforça a tese de maus-tratos contínuos, já que o menino apresentava sinais de violência em atendimentos médicos anteriores. A Polícia Civil destaca que o laudo corrobora as informações levantadas na prisão em flagrante, apontando para um cenário de violência doméstica.

O exame foi conduzido pelo Instituto Médico Legal (IML), que identificou lesões incompatíveis com quedas acidentais, como o padrasto havia alegado em maio. A análise detalhada revelou que as marcas no corpo de Moisés sugerem repetidos episódios de agressão, agravando a gravidade do caso. A investigação agora busca determinar a frequência e a intensidade dos maus-tratos sofridos pela criança.

Histórico de violência

Em maio de 2025, Moisés foi levado ao Hospital Infantil Joana de Gusmão com hematomas no rosto, orelhas, abdômen e lábio. Na ocasião, o padrasto alegou que o menino havia caído da cama, mas os médicos identificaram escoriações nos dedos da mão direita, compatíveis com gestos de defesa. O hospital acionou os protocolos de violência, notificando a vigilância epidemiológica, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar. Apesar disso, nenhuma medida efetiva foi tomada para proteger a criança, que continuou sob os cuidados da mãe e do padrasto.

  • Atendimento em maio: hematomas e escoriações sugestivas de agressão.
  • Notificações: hospital informou autoridades, mas sem ações concretas.
  • Suspeita de omissão: mãe não impediu a convivência com o padrasto.
  • Conselho Tutelar: recebeu alerta, mas não retirou a guarda.

O caso levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de proteção à infância em Florianópolis. A falta de acompanhamento próximo após a denúncia inicial permitiu que Moisés permanecesse em um ambiente de risco, culminando na tragédia de agosto.

A prisão e a investigação

Richard da Rosa Rodrigues, padrasto de Moisés, foi preso em flagrante no dia 17 de agosto, após a criança ser levada à UPA. A prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia, e ele permanece detido. A mãe, que está grávida, foi liberada com base em parecer favorável do Ministério Público, sendo acusada de omissão imprópria, ou seja, por não ter agido para proteger o filho. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e da Dpcami, conduz a investigação para esclarecer as circunstâncias do crime.

A vizinha que levou Moisés à UPA, uma enfermeira, relatou que a criança já apresentava sinais vitais quase inexistentes. O depoimento dela é peça-chave para a investigação, que busca reconstruir os momentos anteriores à morte. A Polícia Científica também coletou evidências na kitnet onde a família vivia, no bairro Tapera, para identificar possíveis instrumentos usados na agressão.

Prisão, presidio, auxílio-reclusão – Foto: hxdbzxy/shutterstock.com

Repercussão na comunidade

A morte de Moisés gerou comoção em Florianópolis, especialmente no bairro Tapera. Vizinhos relataram à imprensa local que a família mantinha uma vida reservada, com pouco contato social. A notícia de que uma criança autista não verbal foi vítima de violência chocou a comunidade, que exige justiça e maior rigor na proteção de menores. Entidades de defesa dos direitos das crianças começaram a se mobilizar para cobrar ações das autoridades.

  • Reação local: moradores pedem mais fiscalização do Conselho Tutelar.
  • Mobilização: ONGs planejam atos por justiça e proteção infantil.
  • Silêncio: família vivia isolada, sem sinais claros de violência para vizinhos.

A tragédia reacendeu o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenir casos de violência doméstica contra crianças, especialmente aquelas com necessidades especiais, como o autismo.

Falhas no sistema de proteção

A trajetória de Moisés expõe lacunas no sistema de proteção à infância em Santa Catarina. Apesar de o Hospital Infantil ter seguido os protocolos em maio, notificando as autoridades, a ausência de medidas concretas permitiu que a criança permanecesse em um ambiente perigoso. O Conselho Tutelar, responsável por fiscalizar situações de risco, foi acionado, mas não há registros de visitas ou ações para retirar Moisés da guarda da mãe e do padrasto.

Especialistas apontam que crianças com autismo, como Moisés, são mais vulneráveis a abusos, pois muitas vezes não conseguem verbalizar o que sofrem. A falta de treinamento específico para identificar sinais de violência em crianças não verbais é outro problema recorrente. A investigação da Dpcami agora busca apurar se houve negligência por parte das instituições envolvidas.

  • Vulnerabilidade: crianças autistas enfrentam maior risco de violência.
  • Lacunas: falta de acompanhamento após denúncias de maus-tratos.
  • Treinamento: profissionais precisam de capacitação para casos especiais.
  • Ação: investigação avalia falhas institucionais no caso.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil trabalha para reunir provas que esclareçam a dinâmica dos maus-tratos sofridos por Moisés. Além do laudo pericial, depoimentos de vizinhos, familiares e profissionais de saúde que atenderam a criança serão cruciais. A kitnet onde a família vivia foi periciada, e os investigadores buscam vestígios que possam indicar a frequência das agressões. O padrasto, principal suspeito, será interrogado novamente, enquanto a mãe pode responder por omissão, dependendo do andamento do processo.

O caso tramita em sigilo de Justiça, mas a pressão pública por respostas cresce. A defesa da mãe, representada pelo advogado Eduardo Caçador, afirma que ela está em luto e confia na Justiça para esclarecer os fatos. A defesa de Richard não se manifestou até o momento.

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