Vacina contra VSR chega ao SUS em novembro para proteger gestantes e bebês de bronquiolitePor Luís Henrique Costa
Atualizado 9 min de leitura
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O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira, 10 de setembro de 2025, em Brasília, a chegada da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em crianças pequenas, ao Sistema Único de Saúde (SUS), com distribuição iniciando na segunda quinzena de novembro. Essa medida, firmada por meio de parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer, visa imunizar gestantes a partir da 28ª semana de gestação, transferindo anticorpos para os bebês e protegendo-os nos primeiros meses de vida, período de maior risco para infecções graves. O VSR responde por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos, levando a cerca de 20 mil internações anuais de bebês com menos de um ano no país, especialmente entre prematuros, cujo risco de mortalidade é sete vezes maior que o de crianças nascidas a termo.

Com as primeiras 1,8 milhão de doses adquiridas e produção nacional em andamento, o imunizante Abrysvo, aprovado pela Anvisa em abril de 2024, promete reduzir em até 28 mil as hospitalizações por ano, beneficiando aproximadamente 2 milhões de recém-nascidos vivos. Essa iniciativa surge em resposta ao aumento de 52% nos casos de VSR em bebês até 2 anos registrado até 6 de setembro de 2025, conforme boletim InfoGripe da Fiocruz, que aponta 33.485 notificações este ano contra 22.046 no mesmo período de 2024. A vacinação materna, recomendada pela Organização Mundial da Saúde em dose única, oferece proteção imediata sem necessidade de revacinação inicial, embora estudos futuros avaliem doses em gestações subsequentes. No Amazonas, único estado com elevação de casos graves no momento, a medida ganha urgência, enquanto o país já registra 83 mil internações de prematuros por complicações do VSR entre 2018 e 2024. Essa estratégia não só alivia o sistema de saúde sobrecarregado por surtos pós-pandemia, mas também reforça a soberania tecnológica ao transferir know-how para produção local, gerando empregos e inovação.
Autoridades sanitárias destacam que o VSR circula principalmente no inverno, mas surtos não sazonais observados após o relaxamento das medidas de isolamento da Covid-19 aumentaram a vulnerabilidade de bebês sem imunidade prévia.
- A cada cinco crianças infectadas, uma requer atendimento ambulatorial imediato.
- Em média, uma em cada 50 bebês hospitaliza no primeiro ano de vida.
- Prematuros enfrentam complicações como bronquite e pneumonia em taxas alarmantes.
Essa realidade impulsiona a expansão da imunização, que antes se limitava a opções restritas como o palivizumabe para prematuros extremos e crianças com cardiopatias graves.
Parceria estratégica acelera acesso à vacina
O acordo assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, envolve transferência de tecnologia para o Instituto Butantan, garantindo que o Brasil produza o imunizante Abrysvo, uma vacina bivalente com vírus inativado contra subtipos A e B do VSR. Essa iniciativa, anunciada em 10 de setembro de 2025, assegura 832,5 mil doses iniciais em novembro e mais 1 milhão até dezembro, distribuídas para todos os estados via Programa Nacional de Imunizações. Padilha enfatizou que a proteção dupla beneficia gestantes e recém-nascidos, enquanto impulsiona a economia ao criar empregos qualificados em São Paulo. A vacina, testada em mais de 7 mil gestantes globalmente, demonstrou eficácia de 82% na prevenção de formas graves em bebês até 3 meses e 69% até 6 meses, sem efeitos colaterais significativos além de reações locais leves. Infectologistas como Marcos Lago, da UERJ, reforçam que o imunizante não contém agente vivo, tornando-o seguro para aplicação no terceiro trimestre. Essa produção nacional evita dependência externa, especialmente após lições da pandemia, e permite ajustes locais baseados em dados epidemiológicos brasileiros.
A incorporação ao SUS, decidida pela Conitec em fevereiro de 2025, complementa o anticorpo monoclonal nirsevimabe, da Sanofi, aprovado em 2023 e indicado para bebês prematuros e com comorbidades até 24 meses, oferecendo proteção direta em dose única. Juntos, esses avanços ampliam a cobertura para 300 mil crianças adicionais anualmente, superando limitações do palivizumabe anterior.
Casos de VSR crescem 52% e pressionam sistema
Dados da Fiocruz revelam que, até 6 de setembro de 2025, o Brasil notificou 33.485 casos de VSR em crianças até 2 anos, um salto de 52% em relação aos 22.046 de 2024 no mesmo intervalo. Esse aumento reflete a circulação intensa do vírus, com positividade de 57% em amostras recentes de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), superando influenza e rinovírus em crianças pequenas. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os picos foram mais acentuados no início do ano, com São Paulo liderando internações, enquanto o Amazonas registra elevação atual de casos graves. O VSR, transmitido por gotículas respiratórias, afeta vias aéreas inferiores, causando inflamação nos brônquios e dificuldades respiratórias que demandam oxigênio e ventilação em 20 mil bebês por ano. Prematuros, representando 12% dos nascimentos, sofrem mais, com 83 mil hospitalizações cumulativas de 2018 a 2024 por bronquiolite e pneumonia associadas.
Especialistas observam que o isolamento pandêmico reduziu a exposição inicial, deixando uma geração suscetível a surtos imprevisíveis.
- Regiões Norte e Nordeste mostram tendências moderadas, mas com risco sazonal no fim do ano.
- Internações por VSR representam 42% dos casos de SRAG em menores de 1 ano este ano.
- A detecção precoce via testes laboratoriais é crucial para conter propagação familiar.
Opções preventivas além da vacinação
Enquanto a vacina materna chega ao SUS, medidas cotidianas ajudam a mitigar o VSR, que infecta quase todas as crianças antes dos 2 anos, geralmente como resfriado, mas grave em vulneráveis. A lavagem frequente de mãos com água e sabão reduz transmissão em até 50%, especialmente após contato com superfícies contaminadas. Evitar aglomerações e contato próximo de pessoas com sintomas respiratórios protege bebês nos primeiros meses. Amamentação exclusiva fortalece o sistema imune, transferindo anticorpos naturais, e manter ambientes ventilados diminui a concentração viral. Para famílias com prematuros, o uso de máscaras em visitas e higienização de brinquedos compartilhados previne surtos domésticos. O nirsevimabe, anticorpo monoclonal injetável, fornece imunidade imediata a bebês de alto risco, sem ativar o sistema imunológico da criança, e já está disponível em alguns centros especializados.
Pais devem monitorar sinais como chiado no peito, febre persistente e recusa alimentar, buscando atendimento precoce para evitar progressão a pneumonia.
Desenvolvimento da vacina Abrysvo no Brasil
A Abrysvo, desenvolvida pela Pfizer, surgiu de estudos fase 3 que envolveram milhares de participantes, provando sua capacidade de neutralizar o VSR pré-fusão, proteína chave para infecção celular. Aprovada pela Anvisa em abril de 2024 após análise rigorosa, a vacina usa antígenos recombinantes bivalentes, sem vírus vivo, minimizando riscos em gestantes. No Brasil, a parceria com o Butantan inicia a fabricação local, com transferência de tecnologia que inclui treinamento de técnicos e validação de processos. Essa etapa, assinada em 10 de setembro de 2025, garante sustentabilidade e adaptação a variantes locais do vírus. Globalmente, a vacina reduziu hospitalizações em 70% em bebês de mães imunizadas, e aqui, testes locais confirmam perfil de segurança similar, com reações como dor no braço em 10-20% dos casos. A produção nacional, prevista para escalar em 2026, posiciona o país como referência em imunizantes materno-fetais.
A iniciativa integra esforços contra SRAG, que acumula 150 mil notificações em 2025, com VSR em 46% dos positivos.
- Ensaios incluíram diversidade étnica, refletindo população brasileira.
- Eficácia mantém-se acima de 60% por seis meses pós-nascimento.
- Integração ao calendário pré-natal facilita acesso em UBS.
Impacto nos grupos de risco
Bebês prematuros e com displasia broncopulmonar enfrentam o VSR com maior gravidade, demandando UTIs neonatais em 14,7% dos óbitos por SRAG. A vacinação materna cobre essa lacuna, protegendo 2 milhões de nascimentos anuais sem contraindicações para grávidas saudáveis. Idosos acima de 60 anos, outro alvo do VSR, ganham indicação similar, mas o foco inicial é infantil devido à letalidade em menores. No SUS, a distribuição prioriza regiões com alta incidência, como Amazonas, onde casos graves persistem. Essa abordagem combinada com nirsevimabe expande proteção para 300 mil bebês extras, reduzindo pressão em hospitais pediátricos. Monitoramento pós-vacinação avaliará durabilidade da imunidade, ajustando protocolos conforme dados nacionais.
A estratégia reforça equidade, alcançando áreas remotas via logística do SUS.
Custos na rede privada e acessibilidade
Na rede particular, a Abrysvo varia de R$ 1.810 para gestantes a R$ 3.680 para bebês acima de 5 kg, refletindo demanda alta desde a aprovação. Para adultos idosos, o preço médio é R$ 1.640, acessível em clínicas especializadas. Essa disparidade destaca a importância da gratuidade no SUS, que cobre 80% da população e evita exclusão social. A produção local deve reduzir custos futuros, tornando o imunizante viável para expansão. Famílias de baixa renda, que representam 70% das internações por VSR, beneficiam-se diretamente, aliviando despesas médicas catastróficas.
A transição para o SUS em novembro democratiza o acesso, priorizando vulneráveis.
- Até 2 anos: R$ 3.550 para bebês até 5 kg.
- Gestantes: valor médio de R$ 1.810 por dose única.
- Idosos: R$ 1.640, com cobertura parcial em alguns planos.







