Davide Ancelotti enfrenta pressão intensa no Botafogo após derrota para São Paulo e risco de saída contra MirassolPor Thiago Lemos
9 min de leitura
![]() |
Davide Ancelotti, treinador italiano do Botafogo, vive momento de alta tensão após a derrota por 1 a 0 para o São Paulo no Morumbi, em São Paulo, neste domingo (14 de setembro de 2025), pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O revés, marcado por um gol de Juan Dinenno no início da partida, veio logo após a eliminação traumática para o Vasco nas penalidades máximas na Copa do Brasil, na quinta-feira anterior, deixando o time carioca fora de competições paralelas e pressionado na luta pelo G-4. O jogo contra o Mirassol, marcado para quarta-feira (17), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, surge como um confronto direto pela quarta posição, com o Botafogo em sexto lugar com 35 pontos, três atrás do rival paulista. A decisão sobre o futuro de Ancelotti cabe ao presidente John Textor, proprietário da SAF, que já enfrenta questionamentos sobre escolhas táticas do comandante, como a escalação com três volantes e Danilo improvisado na ponta direita, o que resultou em desorganização defensiva e apenas duas finalizações no alvo durante os 90 minutos.
Torcedores e comentaristas apontam falhas no planejamento pós-Data FIFA, com o time sem ritmo e vulnerável, agravando a crise em um ano que começou promissor mas agora ameaça comprometer a vaga na Libertadores 2026. A partida decisiva pode selar o destino do técnico, que assumiu o cargo em julho com contrato até 2026, trazendo expectativas por sua linhagem familiar no futebol europeu, mas acumulando cinco derrotas em 16 jogos no comando.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
A eliminação na Copa do Brasil expôs fragilidades que se repetiram no Brasileirão. Contra o Vasco, o empate por 1 a 1 levou aos pênaltis, onde o Botafogo falhou em três cobranças, apesar de um domínio inicial em posse de bola. Ancelotti lamentou a decepção em coletiva, destacando a superioridade técnica, mas admitindo falhas na execução sob pressão.
O revés para o São Paulo agravou o cenário. O time carioca sofreu o gol aos seis minutos, com Neto falhando na saída, e não conseguiu reagir, terminando o primeiro tempo sem chutes a gol. Substituições como a entrada de Matheus Martins e Joaquín Correa no intervalo trouxeram alguma mobilidade, mas não o suficiente para ameaçar Rafael.
- Falhas defensivas recorrentes, com espaços cedidos facilmente no meio-campo.
- Improvisações táticas, como Danilo na ala, que limitaram a criação ofensiva.
- Ausência de jogadores chave, como Montoro, justificada por questões físicas, mas criticada por poupar para um jogo “fácil” em casa.
- Pressão psicológica pós-eliminação, afetando o rendimento coletivo.
O confronto com o Mirassol representa um teste de fogo. O time paulista, sensação da Série A, ocupa o quarto lugar e chega embalado, com defesa sólida e contra-ataques letais. No Nilton Santos, às 19h30, o Botafogo precisa vencer para encostar no G-4, mas um tropeço pode acelerar discussões internas sobre o comando técnico.
Fim de jogo: São Paulo 1 x 0 Botafogo.
— Botafogo F.R. (@Botafogo) September 14, 2025
📸 Vítor Silva/ BFR pic.twitter.com/NQ0NkJe80g
Desempenho recente de Ancelotti no Botafogo
Desde que assumiu o cargo em julho de 2025, Davide Ancelotti comandou o Botafogo em 16 partidas, registrando oito vitórias, três empates e cinco derrotas, com um aproveitamento de cerca de 58%. O início foi positivo, com o time subindo na tabela do Brasileirão e avançando na Libertadores até as oitavas, mas os últimos jogos revelam inconsistências. A eliminação para a LDU na Libertadores, em agosto, já gerou alertas, mas a sequência de tropeços nacionais intensificou as dúvidas.
Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, chegou ao Rio de Janeiro como uma aposta ousada da SAF de John Textor. Sua experiência anterior limitava-se a auxiliares em clubes europeus, como o Real Madrid, onde ajudou na conquista de títulos. No Botafogo, ele implementou um estilo de jogo mais posicional, inspirado no pai, mas adaptações ao futebol brasileiro têm sido desafiadoras, especialmente com um elenco em transição após vendas como a de John para o exterior.
A derrota para o São Paulo destacou problemas táticos. Com sete mudanças na escalação, o time perdeu coesão, permitindo que o rival explorasse as laterais. Ancelotti assumiu a responsabilidade em entrevista pós-jogo, afirmando que o grupo precisa reagir psicologicamente, mas evitou culpar indivíduos, focando na organização coletiva.
- Oito vitórias em 16 jogos, com destaque para sequências fora de casa no Brasileirão.
- Três empates, incluindo jogos equilibrados contra rivais diretos.
- Cinco derrotas, concentradas em momentos decisivos como copas e clássicos.
- Média de 1,8 gols marcados por partida, mas defesa vulnerável com 1,2 sofridos.
O técnico enfatizou a necessidade de parar de remoer o passado vitorioso de 2024, quando o Botafogo conquistou o Brasileirão, e focar na temporada atual, com elenco renovado e objetivos claros na reta final.
Críticas da torcida e da imprensa ao comando italiano
Torcedores do Botafogo manifestaram insatisfação nas redes sociais após os resultados recentes, com pedidos explícitos por mudanças no comando. A eliminação para o Vasco, em casa e com recorde de público, gerou revolta, e a perda para o São Paulo ampliou o coro contra Ancelotti. Comentários destacam a falta de intensidade e escolhas questionáveis, como manter Neto no gol apesar de falhas consecutivas.
Comentaristas esportivos, como Craque Neto, foram duros. O ex-jogador o classificou como “auxiliar do pai”, questionando sua autonomia e preparo para um cargo principal em um clube grande. A imprensa espanhola, ciente da linhagem familiar, repercute o momento como um “fracasso inicial”, comparando ao início de carreira de outros jovens técnicos.
Ancelotti respondeu às críticas admitindo erros, mas defendendo seu método. Ele explicou a ausência de certos jogadores por fadiga pós-Data FIFA e prometeu ajustes para o próximo jogo. No entanto, a paciência da torcida parece no limite, com protestos isolados no Morumbi e debates sobre o “Botafogo Way”, filosofia ofensiva implantada pela SAF que nem sempre se reflete em campo.
A sequência de jogos sem vitórias expõe a pressão sobre Textor. O dono do clube, que apostou no italiano para um projeto ambicioso, agora avalia o impacto na briga pelo título nacional. Opções como Jorge Sampaoli ou treinadores europeus circulam em rumores, mas nenhuma decisão foi oficializada.
- Revoltados com eliminações precoces em copas.
- Questionamentos sobre escalações defensivas em jogos chave.
- Comparações com antecessores demitidos por menos, como Renato Paiva.
- Demandas por mais agressividade no ataque, com Savarino e Chris Ramos subutilizados.
O ambiente no General Severiano reflete a volatilidade do futebol brasileiro, onde resultados ditam lealdades.
Confronto direto contra o Mirassol define rumos
O Mirassol, quarto colocado com 38 pontos, chega ao Rio como azarão que virou realidade na Série A. Promovido da Série B, o time paulista aposta em uma defesa compacta e transições rápidas, lideradas por jogadores como Negueba e Dellatorre. O jogo atrasado da 12ª rodada vale três pontos cruciais, e uma vitória botafoguense pode recolocar o time na briga pelo pódio.
Ancelotti planeja reforços no meio-campo para conter os contra-ataques rivais. Jogadores como Marlon Freitas e Newton devem retornar à titularidade, enquanto o retorno de Montoro pode trazer criatividade. O técnico alertou para o risco de subestimar o adversário, citando a consistência do Mirassol em casa e fora.
No histórico recente, o Botafogo tem vantagem em confrontos diretos, mas o momento favorece o equilíbrio. Uma nova derrota ampliaria a distância para o G-4 e poderia precipitar ações da diretoria. Textor, pressionado por investidores, monitora de perto, priorizando a estabilidade para a reta final do Brasileirão.
- Mirassol com apenas duas derrotas nos últimos dez jogos.
- Botafogo precisando de 100% de aproveitamento em casa para sonhar com o título.
- Arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, conhecida por rigidez em lances polêmicos.
- Expectativa de casa cheia no Nilton Santos, com torcida cobrando reação imediata.
O duelo marca um ponto de inflexão para o ano alvinegro, com o foco agora exclusivo no nacional.
Estatísticas revelam vulnerabilidades do time carioca
O Botafogo acumula 35 pontos em 23 rodadas do Brasileirão, com 10 vitórias, cinco empates e oito derrotas, marcando 32 gols e sofrendo 25. A defesa, ponto forte no início, cedeu em 60% dos jogos fora de casa, enquanto o ataque depende excessivamente de Savarino, com 12 assistências. Comparado ao ano passado, o time perdeu 15% de eficiência em posse de bola, caindo para 52% em média.
Ancelotti introduziu variações táticas, como o 4-3-3 em jogos abertos, mas o 4-2-3-1 defensivo falhou contra equipes rápidas. Dados mostram que o time cometeu 120 faltas em excesso nas últimas cinco partidas, resultando em cartões que enfraquecem o elenco. Neto, no gol, tem 75% de defesas, mas falhas em chutes de média distância preocupam.
- Posse de bola média de 52%, com 10,5 chutes por jogo.
- 32 gols marcados, liderados por Chris Ramos com oito.
- 25 gols sofridos, com pico de três em derrotas recentes.
- Eficiência em pênaltis baixa, com 70% de conversão na temporada.
- Recuperações de bola no meio: 15 por partida, abaixo da média do G-4.
Esses números indicam necessidade de ajustes urgentes para manter aspirações maiores.
Reações internas e ajustes táticos pós-derrotas
Dentro do clube, a diretoria se reúne para analisar o desempenho. Textor, em comunicação interna, reforçou confiança no elenco, mas cobrou resultados imediatos de Ancelotti. O técnico, por sua vez, promoveu treinos intensos na segunda-feira (15), focando em transições e finalizações, com ênfase na recuperação de lesionados como Barboza.
Jogadores como Vitinho e Allan foram criticados por erros individuais, mas o coletivo é o alvo principal. Ancelotti elogiou a resiliência do grupo, citando a sequência de cinco vitórias fora antes da pausa, e prometeu mais rotação para evitar fadiga. A SAF investiu em contratações como Joaquín Correa, mas a integração tem sido lenta.
A torcida organizada planeja apoio incondicional no Nilton Santos, mas com faixas de cobrança se o resultado não vier. O jogo contra o Mirassol testa não só o técnico, mas a coesão do projeto Textor, que transformou o Botafogo em potência financeira, mas agora enfrenta escrutínio esportivo.















