Rei Charles III e família prestam homenagem à Duquesa de Kent em cerimônia inédita em LondresPor Jeronimo Santos
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Na tarde de 16 de setembro de 2025, a Catedral de Westminster, em Londres, foi palco de um momento histórico para a monarquia britânica. Pela primeira vez na era moderna, um funeral católico de um membro da realeza foi realizado, reunindo o Rei Charles III, o Príncipe e a Princesa de Gales, e outros membros da família real para prestar homenagens à Duquesa de Kent, Katharine Worsley, falecida aos 92 anos. A missa de réquiem, conduzida pelo Cardeal Vincent Nichols, marcou a despedida de uma figura admirada por sua dedicação à música, à caridade e à fé católica, à qual se converteu em 1994, desafiando séculos de tradição.
A Duquesa de Kent, que faleceu pacificamente no Palácio de Kensington em 4 de setembro de 2025, deixou um legado de serviço público e discrição. Cercada por sua família, incluindo seu marido, o Duque de Kent, e seus três filhos, ela foi lembrada por sua paixão pela música e por gestos marcantes, como consolar a tenista Jana Novotná em Wimbledon, em 1993. A cerimônia, carregada de simbolismo, incluiu um lamento escocês e uma coroa de flores com rosas brancas de Yorkshire, terra natal da duquesa, reforçando sua conexão com suas raízes.
- Aspectos marcantes do funeral:
- Primeira cerimônia católica para um membro da realeza na história moderna.
- Presença de figuras como o Rei Charles III e o Príncipe William.
- Música coral de Maurice Duruflé e “Ave verum corpus”, de Mozart.
- Coroa de flores com simbolismo ligado à vida e à herança da duquesa.
A ausência da Rainha Camilla, devido a uma sinusite aguda, foi sentida, mas ela enviou condolências à família. O evento, que atraiu atenção global, destacou a trajetória de uma mulher que, mesmo sendo parte da realeza, optou por uma vida de simplicidade e serviço, especialmente após abandonar seus deveres reais em 2002 para se dedicar à educação musical.
Legado musical da Duquesa de Kent
Katharine Worsley, nascida em uma família aristocrática de Yorkshire, sempre teve a música como uma paixão central. Pianista, organista e cantora, ela fundou, em 2004, a organização Future Talent, voltada para apoiar jovens músicos sem recursos financeiros. Em 2024, a instituição celebrou uma parceria com o Coro Infantil Nacional do Reino Unido, ampliando seu alcance. Após se afastar das funções reais, a duquesa lecionou música em uma escola primária em Hull, onde era conhecida apenas como “Sra. Kent”, mantendo sua identidade real em segredo.
A dedicação à música também se refletiu no funeral. O Coro da Catedral de Westminster apresentou peças cuidadosamente selecionadas, incluindo “Ave verum corpus”, de Mozart, uma das favoritas da duquesa, conforme revelado em sua participação no programa Desert Island Discs, em 1990. Sua influência no cenário musical britânico foi reconhecida por figuras como o Cardeal Vincent Nichols, que destacou sua “humildade autêntica” durante a cerimônia. A música, para ela, era mais do que arte; era uma ferramenta de inclusão e transformação social.
- Contribuições musicais da duquesa:
- Fundou a Future Talent para apoiar jovens músicos carentes.
- Lecionou música anonimamente em uma escola primária por 13 anos.
- Promoveu eventos beneficentes para ampliar o acesso à educação musical.
- Inspirou parcerias, como a com o Coro Infantil Nacional em 2024.
A escolha de um funeral católico, realizado na Catedral de Westminster, reforçou sua ligação com a fé, que se tornou um pilar em sua vida após a conversão em 1994. Esse marco, incomum para a realeza britânica, foi um reflexo de sua coragem e autenticidade, características que a tornaram uma figura singular.
Uma cerimônia carregada de simbolismo
A missa de réquiem na Catedral de Westminster não foi apenas uma despedida, mas um evento repleto de simbolismo. O caixão da duquesa, levado por um carro funerário real, foi acompanhado por um flautista da Guarda Real dos Dragões, regimento do qual ela era vice-coronel-chefe desde 1992. O lamento “Durma, querida, durma”, tocado durante a procissão, ecoou a mesma melodia usada no funeral da Rainha Elizabeth II, em 2022, criando uma conexão emocional com a história recente da monarquia.
A coroa de flores, cuidadosamente escolhida pela família, incluiu elementos que refletiam a vida da duquesa. Rosas brancas simbolizavam sua herança de Yorkshire, enquanto ramos de alecrim representavam a lembrança e folhas de carvalho, a força. Flores sazonais de setembro marcaram a despedida, e o jasmim destacou sua amabilidade, uma qualidade frequentemente mencionada por quem a conheceu. O teixo, retirado dos jardins de Hovingham Hall, casa de sua família, simbolizava a vida eterna, alinhada à sua fé católica.
- Elementos simbólicos da cerimônia:
- Rosas brancas de Yorkshire, ligadas à sua terra natal.
- Ramos de alecrim, representando lembrança.
- Jasmim, símbolo de sua amabilidade e empatia.
- Lamento escocês, conectando-a a tradições reais.
O sepultamento, realizado no Cemitério Real de Frogmore, em Windsor, ao lado de figuras históricas como a Rainha Vitória, marcou o encerramento de uma vida dedicada ao serviço. A presença do Deão de Windsor e do Bispo Auxiliar de Westminster no rito final reforçou a importância do evento para a comunidade católica e a realeza.
Fé católica e impacto histórico
A conversão da Duquesa de Kent ao catolicismo em 1994 foi um marco sem precedentes. Como a primeira nobre britânica de alto escalão a adotar a fé católica desde o século XVII, ela desafiou uma tradição que, por séculos, excluiu católicos da linha de sucessão real. Sua decisão, motivada por reflexões espirituais após perdas pessoais, como os abortos espontâneos em 1975 e 1977, foi vista como um ato de coragem. A duquesa participou de missas diárias e apoiou causas católicas, como visitas regulares a Lourdes e suporte a organizações de prevenção ao suicídio.
O funeral católico na Catedral de Westminster, construída em 1903, foi um evento histórico. Nunca antes um membro da realeza havia sido homenageado em um rito católico, o que destacou a influência da duquesa na modernização das tradições monárquicas. A mensagem do Papa Leão XIV, lida pelo Núncio Apostólico, enfatizou sua “bondade cristã” e seu compromisso com os vulneráveis, reforçando sua imagem como uma figura de compaixão.
- Marcos da trajetória religiosa da duquesa:
- Conversão ao catolicismo em 1994, desafiando tradições reais.
- Participação em missas diárias e visitas a santuários como Lourdes.
- Apoio a causas católicas, incluindo prevenção ao suicídio.
- Influência na conversão de seu filho, Lord Nicholas Windsor.
A presença de figuras como o Cardeal Vincent Nichols e a leitura da mensagem papal deram ao funeral um peso espiritual e político, destacando a relevância da duquesa no diálogo entre a monarquia e a Igreja Católica.
Homenagens e reações da realeza
A morte da Duquesa de Kent gerou uma onda de homenagens de membros da realeza e figuras públicas. O Rei Charles III, que compareceu ao funeral apesar de seu tratamento contra o câncer, expressou profunda tristeza e destacou a dedicação da duquesa às causas sociais. O Príncipe William e a Princesa Kate Middleton também prestaram tributos, elogiando sua paixão pela música e seu trabalho incansável em prol dos jovens. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, descreveu-a como uma figura que trazia “compaixão, dignidade e um toque humano” a tudo o que fazia.
A ausência da Rainha Camilla, que enviou condolências devido à sua recuperação de uma sinusite, não diminuiu o impacto da cerimônia. Netos da duquesa, como Lady Amelia e Lady Marina Windsor, compartilharam mensagens emocionadas nas redes sociais, com fotos vintage e palavras de carinho, reforçando o impacto pessoal de sua perda. Um livro de condolências online foi aberto, permitindo que o público também expressasse seu respeito.
- Homenagens destacadas:
- Rei Charles III elogiou sua dedicação às organizações beneficentes.
- Príncipe William e Kate Middleton destacaram seu amor pela música.
- Primeiro-ministro Keir Starmer enalteceu sua compaixão e discrição.
- Netos compartilharam tributos emocionados nas redes sociais.
A cerimônia, que reuniu a realeza em um momento de luto, foi também uma celebração da vida de uma mulher que equilibrou deveres reais, fé e serviço público com uma humildade rara.
Vida pessoal e desafios enfrentados
Katharine Worsley, nascida em 1933, ingressou na realeza ao se casar com o Duque de Kent em 1961, em uma cerimônia na Catedral de York. O casal teve três filhos – George, Helen e Nicholas Windsor – e enfrentou momentos difíceis, como a perda de dois filhos durante a gestação, em 1975 e 1977. Esses eventos marcaram profundamente a duquesa, que encontrou na fé católica um caminho para lidar com o sofrimento. Apesar de períodos de separação, o casal nunca se divorciou, e a reaproximação ocorreu em 2013, após um derrame sofrido pelo duque.
A duquesa também se destacou por gestos de empatia, como o abraço à tenista Jana Novotná em Wimbledon, em 1993, que quebrou o protocolo e ficou marcado na história do torneio. Sua decisão de abandonar o título de “Sua Alteza Real” em 2002 e se dedicar à educação musical refletiu seu desejo de viver com simplicidade, longe dos holofotes da realeza.
- Momentos marcantes da vida da duquesa:
- Casamento com o Duque de Kent em 1961, na Catedral de York.
- Perda de dois filhos na gestação, em 1975 e 1977.
- Consolo à tenista Jana Novotná em Wimbledon, em 1993.
- Abandono do título real para lecionar música como “Sra. Kent”.
A trajetória da Duquesa de Kent, marcada por resiliência e dedicação, foi celebrada durante o funeral, que destacou sua capacidade de unir tradição e modernidade.







