Fim de fusão entre Azul e Gol impulsiona alta de AZUL4 em 20% e GOLL4 em 10% hojePor Luís Henrique Costa
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As ações da companhia aérea Azul e da Gol registram valorizações expressivas na B3 nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, em São Paulo. A controladora da Gol, Abra Group, desistiu das negociações de fusão com a Azul, iniciadas em janeiro deste ano. As empresas também rescindiram o acordo de codeshare assinado em maio de 2024 para conectar malhas aéreas no Brasil.
Por volta das 12h, os papéis da Azul (AZUL4) subiam 18%, cotados a R$ 1,24, enquanto os da Gol (GOLL4) avançavam 7%, a R$ 6,10. O movimento ocorre após comunicados ao mercado na noite anterior, que confirmaram o fim das tratativas sem progressos significativos nos últimos meses.
A decisão reflete o foco da Azul em seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, iniciado em maio. A Abra destacou que as discussões não avançaram apesar de tentativas de prosseguir em paralelo à reestruturação.
- Principais motivos para o fim das negociações:
- Concentração da Azul no Chapter 11.
- Mudanças no cenário operacional das companhias.
- Falta de discussões substanciais por meses.
Percurso das negociações
O memorando de entendimentos entre Abra e Azul foi assinado em 15 de janeiro de 2025 para avaliar uma combinação de negócios. As partes indicaram que o processo poderia ocorrer junto à recuperação judicial da Azul nos EUA.
As conversas esfriaram nos meses seguintes, sem avanços concretos. A Abra notificou formalmente a Azul sobre o encerramento, mas manteve que acredita no potencial de uma união futura com stakeholders relevantes.
A rescisão do codeshare também foi comunicada, com garantia de validade para bilhetes já emitidos. O acordo visava ampliar destinos por meio de venda cruzada de passagens.
Avaliação de analistas
Analistas da Genial Investimentos classificam o anúncio como reforço às dificuldades de fusões no setor aéreo brasileiro. Eles citam o Chapter 11 da Azul como barreira principal para avanços.
O Bradesco BBI considera o desfecho neutro para as operações das empresas. A Gol concluiu sua própria recuperação judicial em junho, e segue com plano de negócios independente de fusão.
Para a Azul, o foco permanece na reestruturação financeira. O banco manteve recomendação de venda para ambas, com preços-alvo de R$ 0,50 para AZUL4 e R$ 4 para GOLL4.
No segundo trimestre de 2025, a Azul reportou lucro de R$ 1,29 bilhão, revertendo prejuízo anterior. A Gol registrou perda de R$ 1,5 bilhão, mas reduziu danos em comparação a 2024.
Posição do Cade
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica questionou o codeshare em setembro. O órgão deu prazo de 30 dias para formalização e alertou contra anúncios prematuros de fusões.
Gustavo Augusto, presidente do Cade, enfatizou que operações sem notificação regulatória podem comprometer a concorrência. A análise visava sobreposições em rotas domésticas.
Dados da Anac de agosto mostram Latam com 41,1% do mercado, Gol com 30,1% e Azul com 28,4%. Uma fusão criaria empresa com cerca de 60% de participação.
Reações no setor
O Ministério de Portos e Aeroportos destacou o crescimento da aviação brasileira. O setor registra aumento na demanda por voos nacionais e internacionais.
O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou tranquilidade com o fim das tratativas. Ele mencionou que a companhia monitorava o processo, mas via benefícios na competitividade atual.
A Gol enfatiza expansão pós-Chapter 11, com foco em excelência ao cliente. A Azul reafirma compromisso com fortalecimento de capital e atualizações ao mercado.
Mercado de capitais reage
A alta das ações reflete alívio de investidores com o fim da incerteza. Volumes negociados superam médias recentes, com AZUL4 liderando ganhos no Ibovespa.
Especialistas preveem volatilidade contínua devido a fatores como preços de combustível e câmbio. A decisão evita potenciais bloqueios regulatórios, mas mantém desafios financeiros das aéreas.
No acumulado de 2025, AZUL4 cai 71%, apesar de picos recentes. GOLL4 acumula alta de 32% desde junho, após estreia na bolsa.
Estrutura atual das aéreas
As companhias operam malhas independentes, com foco em rotas domésticas. A Latam mantém liderança, mas Gol e Azul competem em conectividade regional.
O codeshare permitia compartilhamento de quase 100 rotas sem concorrência direta. Sua rescisão reduz opções para passageiros, mas preserva equilíbrio de mercado.
Ambas garantem continuidade de serviços e honram compromissos existentes. O setor aéreo brasileiro transportou mais passageiros em 2025, impulsionado por turismo.







