XP Investimentos rebaixa Ambev para venda com queda de 19% no preço-alvo por desafios climáticosPor Beatriz
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A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações da Ambev (ABEV3) de neutra para venda nesta terça-feira (30), em São Paulo. A decisão ocorre após resultados do segundo trimestre de 2025 abaixo das expectativas, com queda nos volumes de cerveja no Brasil. Analistas citam temperaturas abaixo da média, intensificação da concorrência da Heineken e efeitos de medicamentos como o Ozempic na redução do consumo de álcool como principais motivos.
O preço-alvo foi reduzido de R$ 13,40 para R$ 10,90, o que implica potencial de desvalorização de 19% em relação ao fechamento anterior de R$ 12,41. A companhia, controlada pela AB InBev, registrou queda de 5% no valor de suas ações nos últimos 12 meses, negociando a 14 vezes o lucro projetado para 2026.
Dados preliminares indicam que setembro de 2025 segue com temperaturas frias, o que pode pressionar ainda mais os volumes no terceiro trimestre. A gestão da Ambev atribuiu 70% da fraqueza no segundo trimestre a fatores climáticos, como o inverno mais gelado em São Paulo desde 1994.
- Volumes de cerveja no Brasil caíram 6,1% no terceiro trimestre, comparado a 2024 com condições favoráveis.
- Custos por hectolitro devem subir 5,7% em 2025 e 8,1% em 2026, devido a inflação em milho e alumínio.
- Margem EBITDA projetada para recuar de 32,5% em 2025 para 30,7% em 2027.
Pressões climáticas afetam vendas da Ambev
Temperaturas abaixo da média persistem no segundo semestre de 2025, impactando o consumo de bebidas. Dados da XP mostram que fevereiro foi o único mês com variação positiva de 0,26°C em relação ao ano anterior.
A base de comparação com 2024, que teve as maiores médias de temperatura em décadas, agrava o cenário. Analistas preveem desafios contínuos até o fim do ano.
Concorrência da Heineken ganha força no mercado
A Heineken planeja inaugurar nova fábrica em 2025, focando em expansão de volumes. Isso deve criar ventos contrários para a Ambev em precificação e market share.
Embora a Ambev espere ganhar 130 pontos-base de participação devido a problemas no Grupo Petrópolis, margens menores são esperadas. A rival registrou crescimento de 10% a 15% em receitas no Brasil no quarto trimestre de 2024.
A dinâmica competitiva acelera, com reajustes de preços pela Heineken em julho de 2025, alinhados à inflação. Setores mainstream, onde a Ambev tem forte presença, enfrentam maior pressão.
Volumes da Heineken superaram expectativas no primeiro semestre de 2025, com Amstel crescendo 15%. A Ambev vê desaceleração, com queda de 2,5% projetada no segundo trimestre.

Custos operacionais sobem e comprimem margens
Inflação em insumos como milho e alumínio eleva o custo do produto vendido por hectolitro. A XP projeta aumento de 5,5% a 8,5% em 2025, interrompendo recuperação de margens.
A companhia manteve projeções de custos, mas analistas veem riscos de revisões para cima. Créditos fiscais de R$ 10 bilhões ajudam no curto prazo, com R$ 5 bilhões acessíveis imediatamente.
Pressões cambiais e de commodities afetam o setor inteiro. A Ambev ajustou preços em linha com a inflação, mas o poder de precificação enfraquece.
Mudanças no consumo impulsionadas por medicamentos
Medicamentos GLP-1, como o Ozempic, reduzem o apetite por álcool em até 50%. Estudo de 2024 mostrou queda de 11,8 para 4,3 unidades semanais em pacientes com obesidade após 15 meses de uso.
No Brasil, 45% da Geração Z consome menos bebidas alcoólicas. O setor acompanha o tema, mas não registra mudanças relevantes em análises de consumo.
A Ambev expandiu portfólio zero álcool, com Brahma e Budweiser, mas o crescimento não compensa a desaceleração geral. Tendências estruturais limitam recuperação de volumes.
Valuation da Ambev sem atrativos no curto prazo
As ações negociam a 14,1 vezes o P/L para 2026, maior múltiplo desde 2023. A XP vê assimetria, com lucro por ação 13% abaixo do consenso.
Momentum fraco persiste até o segundo semestre de 2026, com receita estagnada e custos altos. O consumo per capita de cerveja cai pelo segundo ano em 2025.
Investidores monitoram catalisadores, como safras de milho que podem aliviar custos. A companhia vale R$ 195 bilhões na B3.







