A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta quinta-feira (9) os áudios das conversas entre o árbitro Ramon Abatti Abel e o responsável pelo VAR, Ilbert Estevam da Silva, durante o clássico entre São Paulo e Palmeiras, disputado no domingo (5) no Morumbi, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O jogo terminou com vitória do Palmeiras por 3 a 2, de virada, e gerou questionamentos do São Paulo sobre cinco lances, dos quais quatro tiveram as gravações liberadas após autorização da Fifa.
A principal controvérsia envolveu o não marcado de pênalti em Gonzalo Tapia, após contato com Allan na área, classificado como escorregão sem intenção.
A Comissão de Arbitragem da CBF reconheceu equívocos nas decisões e determinou o afastamento dos profissionais para treinamento e avaliação interna.
- Principais lances analisados: pênalti em Tapia, cartão amarelo para Andreas Pereira, pisão de Gustavo Gómez e braço de Gómez no rosto de Tapia.
- Todos os incidentes ocorreram sem revisão no monitor, o que inicialmente isentava a divulgação.
- O São Paulo pressionou pela transparência, e a Fifa aprovou a liberação para promover clareza no processo.
NOTA OFICIAL
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) October 5, 2025
O São Paulo Futebol Clube manifesta profunda indignação com a arbitragem de Ramon Abatti Abel e com a atuação do árbitro de vídeo, Ilbert Estevam da Silva, na partida deste domingo (05), contra o Palmeiras, no MorumBIS, pelo Campeonato Brasileiro. Os erros cometidos… pic.twitter.com/jdErS3Pm6y
Análise do pênalti não marcado em Tapia
O lance mais debatido aconteceu aos 7 minutos do segundo tempo, quando Allan escorregou e acertou Tapia dentro da área palmeirense, com o placar em 2 a 0 para o São Paulo. Ramon Abatti Abel avaliou o contato como sem disputa pela bola e manteve o jogo em andamento.
Ilbert Estevam da Silva, no VAR, confirmou a visão inicial após checagem, descrevendo o episódio como resultado de um desequilíbrio natural.
A decisão seguiu o protocolo de lances acidentais, sem elementos de imprudência.
Decisão de cartão para Andreas Pereira
Ramon Abatti Abel aplicou cartão amarelo a Andreas Pereira por entrada na canela de Marcos Antônio, em bola dividida no meio-campo, aos 10 minutos do segundo tempo. O VAR verificou a ação e manteve a punição, considerando o toque inicial na bola antes do contato com a perna.
O árbitro expressou irritação com as reclamações de Luciano, mas prosseguiu com a partida sem alterações. Essa avaliação alinhou-se às regras para faltas de intensidade média, sem justificativa para expulsão.
Checagem do pisão de Gustavo Gómez
Gustavo Gómez tocou Tapia em disputa pela esquerda, no primeiro tempo, levando a uma verificação rápida do VAR. Abatti Abel identificou o pisão como parte da jogada, sem dolo envolvido.
Estevam da Silva corroborou, notando o desequilíbrio do zagueiro paraguaio durante o salto. O incidente não resultou em falta, mantendo o fluxo do jogo.
Contato com o braço de Gómez em Tapia
Na linha de fundo, durante dividida, o cotovelo de Gómez acertou o rosto de Tapia, causando sangramento no nariz do chileno. O VAR examinou o movimento e concluiu ausência de gesto intencional, tratando-o como consequência da levantada do corpo.
Abatti Abel não interrompeu a partida, e a decisão foi validada pela cabine. O lance ocorreu sem revisão protocolar, mas os áudios esclareceram a ausência de agressão.
Protocolo de divulgação ampliado pela CBF
A liberação dos áudios representa uma novidade no futebol brasileiro, autorizada pela Fifa para casos sem ida ao monitor. A CBF ampliou o escopo de transparência, com publicações em até 24 horas após os jogos, seguindo diretrizes internacionais. Essa medida responde a demandas de clubes por maior accountability na arbitragem.
O Fórum Permanente da entidade continua disponível para análises internas com as equipes. A iniciativa visa aprimorar a confiança no sistema de vídeo-arbitragem ao longo da temporada.
Posição dos envolvidos após a divulgação
O São Paulo recebeu os materiais em reunião com a Comissão de Arbitragem, confirmando erros em alguns pontos. O Palmeiras optou por não solicitar análises adicionais, focando na vitória obtida em campo.
Ambos os árbitros retornarão após reciclagem, sem veto a escalações futuras. A CBF planeja mais melhorias no VAR para rodadas subsequentes do Brasileirão.
