Dólar comercial atinge R$ 5,4855 frente ao real nesta sexta-feira com alta de 1,99% em São PauloPor Luís Henrique Costa
Atualizado 5 min de leitura
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O dólar comercial operou em alta de 1,99% nesta sexta-feira, 10 de outubro de 2025, encerrando cotado a R$ 5,4855 em relação ao real. A valorização ocorreu no mercado de câmbio em São Paulo, influenciada por fatores externos como a queda nos preços do petróleo e incertezas políticas no Japão. Operadores monitoraram a ausência de indicadores econômicos relevantes no Brasil, que manteve o foco em desdobramentos globais.
A moeda norte-americana variou entre mínima de R$ 5,3787 no fechamento anterior e máxima intradiária próxima a R$ 5,50. Investidores reagiram à sinalização de instabilidade na coalizão governista japonesa, o que ampliou a aversão ao risco em emergentes como o real.
Dados do Banco Central do Brasil registraram o avanço de 0,1068 na cotação ao longo do dia. O movimento reflete pressões acumuladas desde o início da semana, com o real acumulando perdas moderadas em outubro.
Movimentações no pregão de hoje
A sessão de negociações começou com leve recuo do dólar, mas inverteu para ganhos após anúncios internacionais. O petróleo Brent caiu 1,5%, impactando exportadores como o Brasil e favorecendo a demanda por ativos seguros como o dólar.
Volume de operações na B3 superou R$ 10 bilhões em contratos futuros, com posições compradas predominando. Analistas atribuem o viés de alta a ajustes de portfólio em resposta a eventos no Oriente Médio.
Influências externas no câmbio
O colapso na coalizão do partido no poder no Japão gerou volatilidade no iene, com repercussões no par USD/JPY. Previsões do HSBC ajustaram o USD/JPY para 148, citando eleições que aumentam incertezas.
No cenário europeu, o euro avançou ligeiramente contra o dólar, mas o real sofreu com o apetite global por risco reduzido. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas, subiu 0,3% no dia.
- Queda de 1,5% no petróleo Brent pressiona balança comercial brasileira.
- Incertezas na França e Gaza elevam buscas por refúgios cambiais.
- Fluxo de capitais emergentes registra saída de US$ 2 bilhões na semana.
Desempenho de outras moedas
O euro fechou a R$ 6,2814 contra o real, com alta de 0,94%, acompanhando fortalecimento global. A libra esterlina atingiu R$ 7,2411, variando 1,16% para cima em meio a dados de atividade no Reino Unido.
O iene japonês, cotado a R$ 0,0361 por unidade, subiu 2,55% ante o real, refletindo turbulências políticas locais. O dólar australiano registrou R$ 3,5591, com ganho de 0,83%.
Essas variações destacam o real como uma das moedas emergentes mais pressionadas no dia. O franco suíço avançou para R$ 6,7546, alta de 1,22%.
Fatores domésticos em foco
A rejeição da Medida Provisória que elevaria o IOF contribuiu para o temor fiscal no Brasil. O governo precisa compensar perdas de arrecadação estimadas em R$ 5 bilhões anuais.
O IPCA de setembro acelerou para 0,48%, acima das expectativas, pressionando expectativas para a Selic. O Boletim Focus projeta inflação em 4,96% para 2025, com Selic em 12,63%.
- Superávit comercial brasileiro soma US$ 50 bilhões no ano até setembro.
- Entrada de investimentos estrangeiros na B3 atinge R$ 20 bilhões em 2025.
- Déficit fiscal primário acumula 0,8% do PIB nos primeiros nove meses.
- Projeções de PIB revisadas para 2,16% em 2025 pelo mercado.
Perspectivas para o real
Projeções do mercado indicam dólar em torno de R$ 5,50 ao final de 2025, considerando cenário base. Bancos como XP Investimentos simulam faixas entre R$ 5,00 e R$ 6,30, dependendo de riscos fiscais.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA, com Selic em 11,75%, atrai fluxos, mas incertezas orçamentárias limitam ganhos. Analistas monitoram aprovações no Congresso para o orçamento de 2026.
A balança comercial forte, com exportações de commodities, oferece suporte ao real. No entanto, volatilidade global pode estender pressões no curto prazo.
Histórico recente da cotação
O dólar iniciou outubro em R$ 5,32, com mínima semanal em R$ 5,30 no dia 6. A variação acumulada no mês chega a +3,2%, revertendo tendência de queda observada em setembro.
Em 2025, o real valorizou 14% ante o dólar até setembro, mas outubro marca correção. O fechamento anterior de R$ 5,3787 reflete estabilidade relativa antes da alta de hoje.
Gráficos de 1 mês mostram picos em R$ 5,50 no início do período. Comparações com 2024 destacam redução de volatilidade, com média anual em R$ 5,60.
O ano registra o menor nível em 14 meses, atingido em agosto a R$ 5,20. Fatores como cortes de juros no Fed contribuíram para o patamar atual.
Comparação com divisas globais
O dólar australiano variou 0,83% para R$ 3,5591, beneficiado por dados de emprego na Oceania. O dólar canadense subiu 2,09% a R$ 3,9175, atrelado a commodities energéticas.
A coroa sueca avançou 2,21% para R$ 0,5766, em linha com fortalecimento escandinavo. O yuan chinês registrou R$ 0,7678, alta de 1,90% em meio a tensões comerciais.
Esses pares ilustram o real como outlier entre emergentes, com desvalorização mais acentuada. O rand sul-africano, por exemplo, ganhou terreno contra o dólar global.







