Dólar comercial avança 2,4% e quase atinge R$ 5,50 em São Paulo com fiscal e tensões Trump-ChinaPor Carolina Costa
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O dólar comercial registrou alta de 2,4% nesta sexta-feira (10) em São Paulo, alcançando R$ 5,505 na venda e marcando o maior nível em mais de um mês. O movimento ocorreu em meio a preocupações renovadas com o cenário fiscal brasileiro, após a derrubada da Medida Provisória 1303 no Congresso, e a novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a China, que elevaram a aversão ao risco global. Às 14h31, o dólar para novembro na B3 avançava 1,54%, a R$ 5,489.
Agentes do mercado reagiram a relatos de um pacote de medidas estimado em R$ 100 bilhões para 2026, ano eleitoral, sem fontes claras de financiamento. O governo busca alternativas para compensar perdas de arrecadação de R$ 17 bilhões previstas na MP rejeitada. No exterior, o índice DXY do dólar mantinha estabilidade, mas perdas ante o iene e o euro foram ofuscadas pelas tensões comerciais.
Preocupações fiscais impulsionam volatilidade
A derrubada da MP 1303 reacendeu debates sobre a sustentabilidade das contas públicas. Economistas apontam que o governo avalia elevar a alíquota do IOF para impactar operações de câmbio e crédito, conforme decisão recente do STF que permite o aumento sem aprovação congressional.
Relatos indicam inclusão de ampliação na isenção do Imposto de Renda, distribuição de gás de cozinha e bolsas para estudantes no pacote. Essas ações, anunciadas previamente, somam despesas sem receitas garantidas, segundo nota do jornal O Estado de S. Paulo.
O déficit fiscal primário acumula 0,8% do PIB nos primeiros nove meses de 2025, pressionando expectativas para a Selic, projetada em 12,63% pelo Boletim Focus.
Influência das ameaças comerciais de Trump
Donald Trump anunciou tarifas adicionais sobre produtos chineses, elevando o risco de retaliações globais. Essa escalada contribui para saída de recursos estrangeiros de emergentes como o Brasil, onde o dólar já acumula alta de 0,51% em outubro.
- Tarifas de até 50% sobre importações chinesas podem elevar a inflação nos EUA e pressionar o Fed a manter juros altos.
- No Brasil, exportações para os EUA representam 10% do total, com impacto em setores como agricultura e manufatura.
- O VIX, índice de volatilidade, subiu acima de 35 pontos, sinalizando maior aversão ao risco.
- Commodities como petróleo caíram, afetando balança comercial brasileira.
A medida de Trump, divulgada em carta oficial, visa reindustrializar os EUA, mas gera incertezas em cadeias globais de suprimentos.

Detalhes da cotação atual
Às 14h31, o dólar à vista cotava a R$ 5,505 na compra e venda. O dólar turismo registrava venda a R$ 5,418 e compra a R$ 5,598, refletindo prêmios para transações físicas.
Essa cotação representa o maior patamar desde 25 de setembro, com o real entre as moedas emergentes mais desvalorizadas no dia.
Projeções de bancos como XP Investimentos indicam dólar em R$ 5,50 ao fim de 2025 no cenário base, mas com faixas de R$ 5,00 a R$ 6,30 dependendo de riscos fiscais.
Novo modelo de crédito imobiliário é anunciado
O governo federal lançou nesta sexta um novo modelo de crédito imobiliário, visando injetar R$ 20 bilhões na economia ainda em 2025. A medida altera regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), acabando com o direcionamento obrigatório de 65% dos depósitos da poupança para financiamentos habitacionais.
Durante período de transição, os compulsórios no Banco Central cairão de 20% para 15%. A partir de janeiro de 2027, o total da poupança servirá como referência para o volume de crédito, incluindo SFH e SFI. Bancos que concederem financiamentos acessarão recursos livres por cinco anos, prorrogáveis com novas operações.
O valor máximo para imóveis no SFH subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, ampliando acesso para classe média. Essa mudança surge em resposta à queda de 32% na participação da poupança nos recursos habitacionais em 2024, ante 39% em 2022, segundo Abecip.
Reações do mercado às medidas fiscais
Especialistas em investimentos destacam que o pacote de R$ 100 bilhões para 2026 pode agravar o endividamento público. Bruno Shahini, da Nomad, descreve o anúncio como um aceno que reacende temores de deterioração fiscal.
Marianna Costa, da Mirae Asset, enfatiza a necessidade de compensações claras após a perda de R$ 17 bilhões com a MP 1303. Felipe Garcia, do C6 Bank, nota que a aversão ao risco global amplifica pressões locais.
- IPCA de setembro acelerou para 0,48%, acima das expectativas, elevando projeções de inflação para 4,96% em 2025.
- Entrada de investimentos estrangeiros na B3 soma R$ 20 bilhões no ano, mas saída recente pressiona ativos.
- Juros futuros sobem com cautela, refletindo Selic em 12,63%.
O Ibovespa recuou 0,54% no dia, aos 136.743 pontos, com bancos e exportadoras entre as maiores perdas.
Perspectivas para o câmbio no curto prazo
O dólar pode testar R$ 5,51 na abertura da próxima sessão, dependendo de desdobramentos fiscais. Analistas monitoram negociações no Congresso para alternativas ao IOF e impactos do novo crédito imobiliário.
No exterior, a ata do Fed, divulgada recentemente, sinaliza flexibilizações de 25 pontos-base em setembro, outubro e dezembro, o que pode aliviar pressões no DXY. No Brasil, o PMI industrial caiu para 46,5, indicando contração em 29 meses, o que reforça necessidade de estabilidade cambial.
Esses fatores combinados mantêm o real volátil, com acumulado de queda de 13,43% em 2025.







