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Mix Vale

Uma mulher de 33 anos, de nacionalidade paraguaia, morreu após ser esfaqueada pelo companheiro de 54 anos dentro da residência do casal, no distrito de Bela Vista, em Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina. O crime ocorreu na tarde de sexta-feira, 10 de outubro de 2025, por volta das 13h10, durante uma discussão motivada por ingestão de álcool pelo suspeito. A filha adolescente do casal, de 13 anos, presenciou parte do ataque ao retornar da escola e fugiu para casa de vizinhos, onde foi encontrada em estado de choque.

A Polícia Militar chegou ao local minutos após gritos de socorro dos moradores e isolou a área para preservar evidências. O agressor confessou o ato aos vizinhos e tentou impedir o atendimento à vítima, ameaçando quem se aproximava. Equipes do Samu realizaram reanimação na mulher, mas ela não resistiu aos ferimentos graves no tórax e abdômen.

O Conselho Tutelar foi acionado imediatamente pela creche local, que notou a ausência da menina e sua condição emocional alterada. Profissionais de saúde mental iniciaram atendimento à adolescente, que relatou ter visto o pai consumindo bebida e iniciando a briga com a mãe. A vítima teria mencionado a possibilidade de chamar a polícia, o que precedeu o ataque.

  • Suspeito pediu ajuda a vizinhos para ir a banco pouco antes do crime.
  • Ferramenta usada foi uma faca de cozinha comum na residência.
  • Nenhum histórico anterior de denúncias de violência doméstica registrado no local.

Sequência dos fatos no distrito rural

O suspeito saiu de casa pela manhã para atividades rotineiras e retornou ao meio-dia, conforme relatos de testemunhas. Ele consumiu álcool durante a tarde, o que agravou a discussão já em curso com a companheira. A mulher, residente no Brasil há anos, trabalhava em atividades locais e cuidava da filha.

Vizinhos ouviram os primeiros sinais de conflito por volta das 13h, mas só intervieram após os gritos intensos. Um morador relatou que o homem saiu armado para a rua, declarando ter “resolvido o problema”. A intervenção popular evitou mais agressões, com o agressor sendo contido até a chegada das autoridades.

A perícia inicial identificou múltiplos golpes, compatíveis com fúria momentânea. O corpo foi removido para necropsia em Joaçaba, e amostras de sangue do suspeito confirmaram embriaguez avançada.

Atendimento à vítima e ao agressor

Profissionais do Samu chegaram em sete minutos e encontraram a mulher em hemorragia profusa no chão da sala. Tentativas de estabilização com compressão de feridas falharam devido à profundidade dos cortes. Voluntários locais auxiliaram com materiais improvisados até o suporte médico.

O homem, após desarmado, sofreu colapso e foi levado ao hospital sob custódia policial. Exames toxicológicos indicam taxa alcoólica acima de 1,5 g/L, suficiente para comprometer coordenação motora. Ele permanece em observação e será transferido para delegacia após liberação médica.

Registros mostram que o casal vivia no distrito há cinco anos, com rotina pacata entre vizinhos. Nenhum pedido de medida protetiva prévio aparece nos sistemas consultados pela polícia.

Ação rápida da polícia no local

A guarnição da PM utilizou protocolo padrão para feminicídios, com isolamento perimetral de 50 metros. Peritos da Polícia Científica coletaram digitais na faca e pegadas no solo enlameado pela chuva recente. Imagens de câmeras próximas a uma estrada auxiliar foram requisitadas para timeline precisa.

O delegado responsável destacou a coordenação com o Ministério Público para indiciamento imediato. O suspeito acumula antecedentes por direção perigosa, mas nada relacionado a violência familiar. Buscas em residências adjacentes descartaram armas adicionais.

Testemunhas foram ouvidas em tempo real, com foco em horários e diálogos ouvidos. A operação durou três horas, garantindo preservação do cenário para análise forense detalhada.

Relato da adolescente e apoio psicológico

A menina de 13 anos descreveu a cena em depoimento inicial, mencionando o cheiro de álcool e os argumentos iniciais sobre finanças domésticas. Ela correu para o quintal vizinho, onde ficou escondida por 20 minutos até ser localizada pela creche. Equipes do Conselho Tutelar a transferiram para abrigo temporário com parentes distantes.

Psicólogos especializados em trauma infantil iniciaram sessões de estabilização emocional na noite de sexta. A adolescente não apresenta lesões físicas, mas exibe sintomas de dissociação, comuns em testemunhas oculares de violência. Acompanhamamento semanal foi programado pelo sistema de proteção.

Escola local suspendeu aulas para o grupo de amigos dela, com rodas de conversa sobre segurança familiar. Familiares da vítima, contatados via consulado paraguaio, oferecem suporte logístico.

Histórico de violência em regiões rurais de SC

Dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina apontam 42 feminicídios em 2025 até setembro, com 15% em áreas rurais como o Meio-Oeste. Regiões com baixa densidade populacional registram atrasos em respostas de emergência, média de 12 minutos para PM em distritos isolados.

Campanhas locais de conscientização, como o Agosto Lilás estendido, alcançaram 2.500 moradores em Campos Novos este ano. Disque 180 registrou 1.200 chamadas de violência doméstica no estado em outubro, 20% acima de 2024. Patrulhas preventivas aumentaram 30% em vilarejos após incidentes semelhantes.

Estudos indicam que álcool está presente em 65% dos casos de feminicídio em SC, com picos nos fins de semana. Programas de reabilitação para agressores operam em 12 municípios da região, com taxa de adesão de 40%.

  • Aumento de 8% em denúncias rurais desde 2023.
  • 70% das vítimas em distritos têm filhos menores.
  • Tempo médio de investigação: 48 horas para flagrantes.

Medidas protetivas e rede de apoio estadual

O governo de Santa Catarina ampliou centros de referência para mulheres em 2025, com unidade em Joaçaba atendendo 150 casos mensais. Medidas protetivas de urgência são emitidas em 24 horas via delegacias especializadas, com monitoramento eletrônico para agressores.

Conselhos tutelares no Meio-Oeste processaram 320 situações de risco infantil este ano, priorizando testemunhas de violência. Parcerias com ONGs fornecem moradia temporária e terapia gratuita. Lei federal de 2015 tipifica feminicídio, elevando pena para 12 a 30 anos em contextos domésticos.

Aplicativos de alerta rápido, como o Panic Button, foram baixados 50 mil vezes no estado, integrando localização GPS para PM. Treinamentos para vizinhos em comunidades rurais ocorrem trimestralmente, focando identificação precoce de sinais de abuso.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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