Tensões comerciais EUA-China derrubam futuros do Dow Jones em 0,6% nesta terça-feiraPor Luís Henrique Costa
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Os futuros de ações nos Estados Unidos registraram queda nesta terça-feira, 14 de outubro de 2025, em Nova York, após a escalada de tensões comerciais entre EUA e China. Pequim impôs sanções a cinco subsidiárias americanas da construtora naval sul-coreana Hanwha Ocean, alegando apoio ao governo dos EUA em investigações que afetam interesses chineses. A medida coincide com a entrada em vigor de taxas portuárias retaliatórias impostas por ambos os países, impactando o comércio marítimo global.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou em entrevista ao Financial Times que a China atravessa uma recessão profunda e busca arrastar outros mercados para baixo. Bancos centrais monitoram o cenário, com o dólar se fortalecendo em 0,4% contra uma cesta de moedas. A abertura das bolsas europeias e asiáticas já reflete perdas, com o Nikkei japonês caindo 2,6% na véspera, o pior dia desde abril.
- Futuros do Dow Jones: queda de 0,6%, equivalendo a cerca de 280 pontos.
- Futuros do S&P 500: recuo de 0,8%.
- Futuros do Nasdaq: declínio de 1,2%, afetando ações de tecnologia.
Sanções à Hanwha Ocean afetam setor naval
As sanções chinesas proíbem transações com entidades como Hanwha Shipping LLC e Hanwha Philly Shipyard Inc., que atuam em estaleiros nos EUA. O Ministério do Comércio de Pequim justificou a ação como resposta a supostas violações de interesses nacionais, incluindo investigações americanas sobre práticas no setor de construção naval.
As ações da Hanwha Ocean na Coreia do Sul caíram 5,8% após o anúncio, enquanto concorrentes como HD Hyundai Heavy recuaram 4,1%. Analistas preveem impactos em contratos de manutenção para a Marinha dos EUA, que a empresa conquistou no ano passado.
Movimentos nos mercados globais
Índices asiáticos fecharam em baixa, com o Shanghai Composite perdendo 1,5% devido às restrições em terras raras e baterias de lítio anunciadas por Pequim. Na Europa, o Stoxx 600 abriu com recuo de 0,9%, pressionado por temores de interrupções em cadeias de suprimentos.
O dólar ganhou força contra o iene e o euro, enquanto rendimentos dos Treasuries de 10 anos caíram para 4,06%. Investidores migram para ativos seguros, com o índice de volatilidade VIX subindo 15% na sessão anterior.
Ouro atingiu máxima histórica de US$ 4.107 por onça, alta de 2,2%, impulsionado pela busca por refúgio. Prata recuou após recorde desde 1980, e petróleo Brent caiu 2% para US$ 63,56 por barril, refletindo preocupações com demanda global.
Temporada de balanços impulsiona agenda
A temporada de resultados do terceiro trimestre começa com força no setor financeiro. Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan e Wells Fargo divulgam números nesta manhã, seguidos por cerca de 35 empresas do S&P 500 até o fim da semana.
Os bancos enfrentam escrutínio sobre provisões para perdas em empréstimos, em meio a juros elevados. BlackRock e Johnson & Johnson reportaram ganhos acima do esperado na véspera, com foco em gestão de ativos e farmacêuticos.
Declarações de Bessent sinalizam negociações
Scott Bessent afirmou que os EUA buscam diálogo para evitar uma nova guerra comercial, com possível encontro entre presidentes Trump e Xi na Coreia do Sul ainda em outubro. Ele destacou 12 contramedidas americanas implementadas na primavera, como restrições a recursos para plásticos e motores a jato.
As tarifas de 100% sobre exportações chinesas, anunciadas para novembro, podem ser adiadas se houver avanços. A China expandiu controles sobre terras raras em 9 de outubro, afetando indústrias de defesa e eletrônicos nos EUA.
Tarifas portuárias entram em vigor
As novas taxas portuárias recíprocas começaram hoje, com China cobrando extras em navios ligados aos EUA, exceto os construídos localmente. Os EUA aplicam medidas semelhantes em portos americanos, visando proteger suas frotas mercantes.
Essa troca de sanções agrava custos logísticos, com estimativas de aumento de 5% em fretes transpacíficos. Setores como eletrônicos e automóveis sentem o impacto imediato.
Setor de commodities reage à incerteza
O petróleo WTI caiu 2% para US$ 59,66 por barril, com a Agência Internacional de Energia alertando para fundamentos fracos. Apesar da volatilidade, analistas veem suporte em estoques baixos nos EUA.
- Ouro: recorde de US$ 4.099 em contratos futuros, alta de 3,1%.
- Prata: correção após pico de segunda-feira.
- Cobre: queda de 1,8%, sensível a disputas comerciais.
Bitcoin subiu 0,7% para US$ 115.874, enquanto mercados cripto acompanham o sentimento geral de risco.







