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A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos enfrenta uma crise financeira sem precedentes, com um déficit acumulado de R$ 4,36 bilhões no primeiro semestre de 2025, o maior da história da estatal. Na última quarta-feira (15), a empresa anunciou a busca por um empréstimo de R$ 20 bilhões para aliviar o caixa e reestruturar suas operações. A crise, que se arrasta desde 2022, soma 12 trimestres consecutivos de prejuízos, agravada por altos gastos com pessoal e queda nas receitas. A gestão atual trabalha para implementar medidas de contenção e recuperar a liquidez.

O prejuízo recorde reflete desafios estruturais, como a redução de receitas com encomendas internacionais e o peso de acordos trabalhistas. A estatal também enfrenta dificuldades com unidades deficitárias e dívidas judiciais. O plano de reestruturação inclui corte de custos e novos produtos.

  • Gastos com pessoal subiram R$ 547 milhões só em 2025.
  • Receita com encomendas internacionais caiu R$ 1,3 bilhão.
  • Apenas 15% das unidades dos Correios são superavitárias.

O empréstimo visa quitar dívidas e financiar um Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Gastos com pessoal pressionam contas

Os custos com salários e benefícios representam um dos principais desafios. Entre 2022 e 2024, os gastos com pessoal saltaram de R$ 15,2 bilhões para R$ 19,9 bilhões. Acordos coletivos, como os reajustes de 9,75% em 2022 e 6,57% em 2024, geraram impactos de R$ 820,5 milhões e R$ 894 milhões, respectivamente.

Impacto do programa Remessa Conforme

A introdução do programa Remessa Conforme, em 2023, reduziu a receita dos Correios em R$ 2,2 bilhões. A cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 permitiu que outras empresas de transporte atuassem no Brasil, diminuindo a participação da estatal. No primeiro semestre de 2025, a receita com encomendas internacionais foi de R$ 815 milhões, contra R$ 2,1 bilhões no mesmo período de 2024. A queda representa uma perda significativa, já que esse segmento respondia por cerca de 25% do faturamento.

Gestão do caixa em colapso

O fluxo de caixa da estatal sofreu forte deterioração. Em 2023, os Correios tinham R$ 3,2 bilhões disponíveis, mas fecharam 2024 com apenas R$ 249 milhões, uma queda de 92%. Em 2024, a empresa contraiu empréstimos de R$ 550 milhões para pagar contas de fim de ano. A gestão atual planeja quitar esses débitos com o novo empréstimo de R$ 20 bilhões, que também busca reduzir os juros de 21,99% ao ano contratados anteriormente. Atrasos em pagamentos a credores, que somam R$ 2,75 bilhões, evidenciam a crise de liquidez.

Investimentos em meio à crise

Apesar das dificuldades, os Correios investiram R$ 830 milhões em 2024, totalizando R$ 1,6 bilhões desde 2023. Os recursos foram aplicados em veículos elétricos, bicicletas cargo e renovação da frota. A estatal mantém a estratégia de investir em tecnologia e sustentabilidade, mesmo com o caixa restrito. O plano de cinco anos inclui a transição ecológica, com 50 furgões elétricos adquiridos em 2024.

Precatórios elevam despesas

As despesas com precatórios triplicaram desde 2022, atingindo R$ 1,6 bilhão em junho de 2025. Um acordo com o Tribunal Superior do Trabalho em 2023, envolvendo 3.781 ações trabalhistas, comprometeu a empresa a desembolsar valores expressivos. Para 2025, estão previstos R$ 913 milhões em pagamentos de precatórios. Novas derrotas judiciais podem elevar esses custos nos próximos anos.

Medidas para conter o déficit

A gestão de Emmanoel Schmidt Rondon anunciou um plano emergencial com três eixos: corte de despesas, diversificação de receitas e recuperação da liquidez. Um novo PDV será aberto, mas detalhes ainda não foram divulgados.

Unidades deficitárias limitam recuperação

Apenas 15% das 10.638 unidades dos Correios geram superávit, enquanto 85% são deficitárias. A obrigação de atender todos os 5.567 municípios brasileiros, conforme exigência da União Postal Universal, impede o fechamento de agências menos rentáveis.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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